A reunião do Sindicato no Ginásio

A fim de movimentar o Ginásio, o Atlético sempre locava essas instalações para vários eventos, como shows, bingos, reuniões de associações. Uma dessas reuniões de um sindicato acabou em pancadaria e os associados começaram a quebrar tudo dentro do Ginásio.

 

Alguns integrantes da Fanáticos estavam reunidos na casinha que mantinham como sede e foram ver o que estava acontecendo. Dentro do Ginásio, mais de 100 pessoas brigando, e os membros de Fanáticos estavam em poucos, não teriam como conter a confusão.

 

Então, para acabar com a confusão, tiveram a idéia de jogar uma “granada”, uma espécie de foguete de 13 tiros que usavam para fazer festa nos jogos. Exatamente no momento em que a “granada” iria explodir, chegou uma viatura da Polícia que havia sido chamada para intervir. No momento em que a viatura parou, a “granada” explodiu, deixando os policiais em meio uma nuvem de fumaça. Sem saber que aquela “bomba” havia sido jogada pelos integrantes da TOF (que já estavam quietos na casinha), a polícia prendeu vários dos baderneiros.

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A Baixada e a LBV

A Legião de Boa Vontade (LBV) tinha sua sede ao lado da entrada da rua Getúlio Vargas e enquanto a Baixada esteve desativada, essa instituição utilizava parte do terreno do estádio atleticano como estacionamento. Como estava tudo praticamente às moscas a situação manteve-se daquela maneira por algum tempo. Até que a diretoria percebeu que a LBV não tinha muita vontade de devolver aquela área ao Atlético.

 

Então, a Fanáticos prontamente entrou em ação, no meio da noite entraram com tudo e retomaram a área. A polícia foi chamada para ver o que estava acontecendo. E o jornalista e advogado atleticano, Augusto Mafuz, apareceu com um documento feito às pressas dizendo que aquela área era do Atlético. Desta forma, o Atlético recuperou o que era seu de fato.

A volta para a Baixada – 1994

Por muitos anos as únicas coisas que o Atlético tinha eram a Baixada e a paixão da sua torcida. Desta forma o Atlético foi levando sua vida até seus setenta e poucos anos. Até o clube ter sido profissionalizado desde o início da gestão de Mário Celso Petraglia.

 

A importância da Baixada para a vida do Atlético é inegável. Herança do Internacional, a Baixada sempre foi a casa do atleticano. A relação do torcedor rubro-negro com a Baixada é diferente da do torcedor de qualquer outro time com seu estádio. O atleticano tem um orgulho especial pela Baixada, torce e canta por ela. E essa relação de extremo carinho do atleticano pelo seu estádio tem razão de ser. Toda transformação que o Atlético sofreu após 1995 só foi possível graças à Baixada e à paixão do seu torcedor que sempre lutou pelas causas atleticanas.

 

Em 1985 a Federação Paranaense de Futebol concluiu a construção de seu estádio, o Pinheirão. O Atlético não tinha condições de promover melhorias na Baixada, a ida para o Pinheirão, um estádio novo, parecia ser um ótimo negócio. E assim, o Atlético assinou um contrato de 50 anos com a FPF.

 

Desta forma, a Baixada foi completamente abandonada. O mato tomou conta do gramado, o sistema de iluminação foi vendido. Não fosse o empenho da Torcida Os Fanáticos de cuidar da Velha Baixada – cortar a grama, pintar os muros etc – o Joaquim Américo poderia ter caído no esquecimento. Durante este período de inatividade, a Torcida Os Fanáticos manteve sua sede dentro do Joaquim Américo. A torcida promovia churrascos em praticamente todos os finais de semana a fim de manter o ginásio em atividade. Ginásio que levava o nome de João Alfredo Silva, pai de Jofre Cabral, os dois, grandes presidentes rubro-negros. Lá também aconteceram, nessa época, muitos bailes de carnaval, bingos, reuniões de associações, shows.

 

A sede administrativa do clube também não abandonou a Baixada e durante aqueles anos de exílio, era comum diretoria e a torcida se ajudarem. A diretoria por vezes dava algumas camisas de jogadores para que a Fanáticos fizesse rifas, para ajudar na compra de materiais para que a torcida pudesse fazer a festa nos estádios. E a Fanáticos cuidava da Baixada como se fosse sua própria casa. Tendo inclusive alguns membros da torcida morando em uma casinha (sede da torcida) dentro da Baixada.

 

Acreditava-se fortemente que o Pinheirão seria o melhor negócio para o Atlético. E a Baixada estava localizada numa região nobre de Curitiba e desativada não gerava rendimentos. Foi feito então, um acordo com uma construtora e o Atlético cederia 9.000 m² do terreno da Baixada para a construção de dois edifícios residenciais e em troca, seria construído no restante da área de 24.000 m² um clube social com quadras polivalentes e de tênis, e campos de futebol suíço. Antes desse projeto, houve também a idéia de transformar a área em shopping center. Felizmente, nenhum desses projetos foi levado adiante.

 

Durante os quase 10 anos de Pinheirão, os resultados em campo não eram dos melhores. A torcida estava cada vez mais distante, os públicos eram pífios, definitivamente, o Pinheirão não caiu nas graças da torcida atleticana. O estádio da Federação não tinha os mesmos atrativos da Baixada, o gramado era longe da arquibancada, a visão era ruim. Além disso, o estádio era longe do centro, o transporte público de Curitiba não era integrado como é hoje, às vezes era necessário pegar 4 ônibus para se chegar até lá.

 

Em 1992, a cada jogo que passava, o desânimo aumentava, das arquibancadas vieram os primeiros gritos pedindo à volta à Baixada. Os gritos de BAIXADA JÁ!, eram cada vez mais intensos. Mas foi no jogo contra a Portuguesa de Desportos que a torcida rubro-negra decidiu dar um basta na situação. O Atlético havia jogado muito mal, perdeu o jogo e antes mesmo do jogo acabar, a Fanáticos saiu em “passeata” dentro do Pinheirão, protestando contra tudo, Federação Paranaense, Pinheirão, sobrou até para o presidente Farinhaque.

 

A revolta pela situação em que o Atlético se encontrava era tanta, que o presidente da TOF, Renato Sozzi e o presidente do CAP, Farinhaque, chegaram a se desentender na época. Foi o Dr. Farracha, nosso convidado para o Círculo de História, que interveio para que as coisas se acalmassem. Realmente, era hora de voltar para a Baixada.

 

Por outro lado, a Federação não cumpria o acordo que tinha com o Atlético, era o que bastava para que o Atlético entrasse com uma ação na justiça pedindo que ficasse desobrigado de continuar mandando seus jogos no Pinheirão. A FPF, obviamente não gostou, mas a decisão estava tomada. Neste momento, atleticanos de todas as classes uniram-se pelo retorno à sua casa.

 

O presidente Farinhaque, entrou em contato com o ex-governador Ney Braga, atleticano e político influente, para tratar da volta à Baixada. Este, prontamente entrou em contato com Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim para pedir doação de cimento para a reconstrução. Nem projeto havia ainda, mas a doação aconteceu.

 

A Torcida Os Fanáticos fez uma doação de 8 mil tijolos, Bento Chimelli deu a cal, foi feita uma permuta com a empresa Pantelas para o fornecimento dos alambrados. E assim com a colaboração destes e de outros grandes atleticanos é que a Baixada foi reconstruída. Além disso, todos os dias os mais diversos torcedores atleticanos chegavam à Baixada trazendo suas doações de material, por menores que fossem. Houve um caso, contado com muita emoção pelo prof. Heriberto em outra oportunidade, de um humilde torcedor, que chegou com sua bicicleta, carregando um saco de cimento. Era a sua contribuição para que o Atlético pudesse voltar à sua casa.

 

Reinauguração

 

Foram alguns meses de obras, até que fosse marcada para o dia 22 de maio de 1994, a Reinauguração da Baixada. O adversário escolhido era o Flamengo, o mesmo que inaugurou o Joaquim Américo pela primeira vez, em 1914, jogando contra o Internacional. O Atlético venceu por 1×0, com gol de Ricardo Blumenau.

 

A torcida atleticana estava feliz.

Presenças do II Encontro do Círculo de História Atleticana

Milene Szaikowski
Organização do Círculo de História Atleticana

Ronaldo Santos Carlos
Museu de Arte da UFPR

CONVIDADOS:

Dr. João Carlos Farracha de Castro
Médico e ex-diretor do Clube Atlético Paranaense

Mozar Heitor França
Ex-diretor e criador do Departamento de Marketing do Clube Atlético Paranaense

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Demais participantes:

Anderson Ribeiro da Silva
Felipe dos Santos Silva
Henrique Cardoso
Jacob Baulhout Junior
Jane Cristina Farracha de Castro
José Carlos Belotto
Manoella Farracha de Castro
Marco Aurélio Carneiro
Marco Aurélio Carneiro Junior
Pedro Loyola
Roberto Assad Kudri Fadel Junior
Vanessa Eberle

2º Encontro do Círculo de História Atleticana

Confirmado o segundo encontro do Círculo de História Atleticana.

Data: 13 de outubro (segunda-feira)
Horário: 19 horas
Local: MusA (Museu de Arte da UFPR) – Prédio da Santos Andrade

Tema: A volta para a Baixada em 1994.

Presença de Dr. João Carlos Farracha de Castro.

Em 1992, o presidente José Carlos Farinhaque, influenciado pelos seus diretores, notadamente o Dr. Farracha, decretou a volta para o Caldeirão da Baixada. Demolição da velha arquibancada de concreto e construção de uma nova, com mais e melhores lugares, ampliação dos degraus das arquibancadas da entrada e das curvas, bem como a construção de um tobogã atrás do gol dos fundos deram ao “novo” Joaquim Américo um belo visual e aumento da capacidade para 20.000 mil lugares. Jogo amistoso de inauguração contra o CR Flamengo, do Rio de Janeiro, em 22 de maio de 1994. Vitória atleticana por 1x 0, gol de Ricardo. (fonte: Prof. Heriberto Ivan Machado)

Precisamos que os interessados confirmem a sua presença pelo e-mail: circuloatleticano@yahoo.com.br.

Primeiros jogos do Atlético

Primeiro jogo do Atlético
06/04/1924
Atlético 4×2 Universal

O primeiro jogo do Atlético foi contra o Universal, no dia 06/04/1924, o Atlético venceu o jogo por 4×2.

Torneio Início
20/04/1924

O Torneio Início era um torneio que marcava a abertura do Campeonato Paranaense. Era realizado alguns dias antes do início do Campeonato, com todos os jogos sendo disputados no mesmo dia.

·Atlético 2×2 Palestra Itália *
·Atlético 2×0 Coritiba **
·Universal 1×0 Atlético

* O Atlético venceu por 1 escanteio que era critério de desempate.
**1º Atletiba da história.

Primeiro Campeonato Paranaense

18/05/1924 – Atlético 4×1 Campo Alegre
08/06/1924 – Coritiba 6×3 Atlético
20/07/1924 – Atlético 5×0 Paraná
27/07/1924 – Palestra Itália 3×1 Atlético
24/08/1924 – Atlético 2×1 Britânia
12/10/1924 – Atlético 1×2 Savóia
30/11/1924 – Atlético 4×2 Universal

Classificação

1º – Palestra Itália
2º – Coritiba
3º – Savóia
4º – Britânia
5º – Atlético
6º – Campo Alegre
7º – Universal
8º – Paraná