A volta para a Baixada – 1994

Por muitos anos as únicas coisas que o Atlético tinha eram a Baixada e a paixão da sua torcida. Desta forma o Atlético foi levando sua vida até seus setenta e poucos anos. Até o clube ter sido profissionalizado desde o início da gestão de Mário Celso Petraglia.

 

A importância da Baixada para a vida do Atlético é inegável. Herança do Internacional, a Baixada sempre foi a casa do atleticano. A relação do torcedor rubro-negro com a Baixada é diferente da do torcedor de qualquer outro time com seu estádio. O atleticano tem um orgulho especial pela Baixada, torce e canta por ela. E essa relação de extremo carinho do atleticano pelo seu estádio tem razão de ser. Toda transformação que o Atlético sofreu após 1995 só foi possível graças à Baixada e à paixão do seu torcedor que sempre lutou pelas causas atleticanas.

 

Em 1985 a Federação Paranaense de Futebol concluiu a construção de seu estádio, o Pinheirão. O Atlético não tinha condições de promover melhorias na Baixada, a ida para o Pinheirão, um estádio novo, parecia ser um ótimo negócio. E assim, o Atlético assinou um contrato de 50 anos com a FPF.

 

Desta forma, a Baixada foi completamente abandonada. O mato tomou conta do gramado, o sistema de iluminação foi vendido. Não fosse o empenho da Torcida Os Fanáticos de cuidar da Velha Baixada – cortar a grama, pintar os muros etc – o Joaquim Américo poderia ter caído no esquecimento. Durante este período de inatividade, a Torcida Os Fanáticos manteve sua sede dentro do Joaquim Américo. A torcida promovia churrascos em praticamente todos os finais de semana a fim de manter o ginásio em atividade. Ginásio que levava o nome de João Alfredo Silva, pai de Jofre Cabral, os dois, grandes presidentes rubro-negros. Lá também aconteceram, nessa época, muitos bailes de carnaval, bingos, reuniões de associações, shows.

 

A sede administrativa do clube também não abandonou a Baixada e durante aqueles anos de exílio, era comum diretoria e a torcida se ajudarem. A diretoria por vezes dava algumas camisas de jogadores para que a Fanáticos fizesse rifas, para ajudar na compra de materiais para que a torcida pudesse fazer a festa nos estádios. E a Fanáticos cuidava da Baixada como se fosse sua própria casa. Tendo inclusive alguns membros da torcida morando em uma casinha (sede da torcida) dentro da Baixada.

 

Acreditava-se fortemente que o Pinheirão seria o melhor negócio para o Atlético. E a Baixada estava localizada numa região nobre de Curitiba e desativada não gerava rendimentos. Foi feito então, um acordo com uma construtora e o Atlético cederia 9.000 m² do terreno da Baixada para a construção de dois edifícios residenciais e em troca, seria construído no restante da área de 24.000 m² um clube social com quadras polivalentes e de tênis, e campos de futebol suíço. Antes desse projeto, houve também a idéia de transformar a área em shopping center. Felizmente, nenhum desses projetos foi levado adiante.

 

Durante os quase 10 anos de Pinheirão, os resultados em campo não eram dos melhores. A torcida estava cada vez mais distante, os públicos eram pífios, definitivamente, o Pinheirão não caiu nas graças da torcida atleticana. O estádio da Federação não tinha os mesmos atrativos da Baixada, o gramado era longe da arquibancada, a visão era ruim. Além disso, o estádio era longe do centro, o transporte público de Curitiba não era integrado como é hoje, às vezes era necessário pegar 4 ônibus para se chegar até lá.

 

Em 1992, a cada jogo que passava, o desânimo aumentava, das arquibancadas vieram os primeiros gritos pedindo à volta à Baixada. Os gritos de BAIXADA JÁ!, eram cada vez mais intensos. Mas foi no jogo contra a Portuguesa de Desportos que a torcida rubro-negra decidiu dar um basta na situação. O Atlético havia jogado muito mal, perdeu o jogo e antes mesmo do jogo acabar, a Fanáticos saiu em “passeata” dentro do Pinheirão, protestando contra tudo, Federação Paranaense, Pinheirão, sobrou até para o presidente Farinhaque.

 

A revolta pela situação em que o Atlético se encontrava era tanta, que o presidente da TOF, Renato Sozzi e o presidente do CAP, Farinhaque, chegaram a se desentender na época. Foi o Dr. Farracha, nosso convidado para o Círculo de História, que interveio para que as coisas se acalmassem. Realmente, era hora de voltar para a Baixada.

 

Por outro lado, a Federação não cumpria o acordo que tinha com o Atlético, era o que bastava para que o Atlético entrasse com uma ação na justiça pedindo que ficasse desobrigado de continuar mandando seus jogos no Pinheirão. A FPF, obviamente não gostou, mas a decisão estava tomada. Neste momento, atleticanos de todas as classes uniram-se pelo retorno à sua casa.

 

O presidente Farinhaque, entrou em contato com o ex-governador Ney Braga, atleticano e político influente, para tratar da volta à Baixada. Este, prontamente entrou em contato com Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim para pedir doação de cimento para a reconstrução. Nem projeto havia ainda, mas a doação aconteceu.

 

A Torcida Os Fanáticos fez uma doação de 8 mil tijolos, Bento Chimelli deu a cal, foi feita uma permuta com a empresa Pantelas para o fornecimento dos alambrados. E assim com a colaboração destes e de outros grandes atleticanos é que a Baixada foi reconstruída. Além disso, todos os dias os mais diversos torcedores atleticanos chegavam à Baixada trazendo suas doações de material, por menores que fossem. Houve um caso, contado com muita emoção pelo prof. Heriberto em outra oportunidade, de um humilde torcedor, que chegou com sua bicicleta, carregando um saco de cimento. Era a sua contribuição para que o Atlético pudesse voltar à sua casa.

 

Reinauguração

 

Foram alguns meses de obras, até que fosse marcada para o dia 22 de maio de 1994, a Reinauguração da Baixada. O adversário escolhido era o Flamengo, o mesmo que inaugurou o Joaquim Américo pela primeira vez, em 1914, jogando contra o Internacional. O Atlético venceu por 1×0, com gol de Ricardo Blumenau.

 

A torcida atleticana estava feliz.

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5 comentários sobre “A volta para a Baixada – 1994

  1. Excelente encontro, e o uma das coisas legais foi relembrar com o Dr. Farracha e o Mozar a época em que a sede administrativa (ainda na Buenos Aires, e depois naquele casarão na esquina em frente à Baixada), era freqüentada por todos, sem restrições.

    E ainda uma parte da história do falecimento do Grande Jofre Cabral, em Londrina ’68, o translado do corpo para Curitiba e a aventura que foi!

  2. É isso aí pessoal. Viva o Farracha e a nossa torcida.
    Excelente encontro e muitas curiosidades do nosso CAP.

  3. “”””Em 1992, a cada jogo que passava, o desânimo aumentava, das arquibancadas vieram os primeiros gritos pedindo à volta à Baixada. Os gritos de BAIXADA JÁ!, eram cada vez mais intensos. Mas foi no jogo contra a Portuguesa de Desportos que a torcida rubro-negra decidiu dar um basta na situação. O Atlético havia jogado muito mal, perdeu o jogo e antes mesmo do jogo acabar, a Fanáticos saiu em “passeata” dentro do Pinheirão, protestando contra tudo, Federação Paranaense, Pinheirão, sobrou até para o presidente Farinhaque.””””””

    Eu estava nesse jogo e presenciei a ida da TOF, que se localizava, naquele jogo, na curva de entrada, para trás do banco de reservas do CAP. Meu pai foi o grande “mentor” desta marcha!!! Um dia explico isso!

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