Grandes Jogadores – Caju

CAJU (1933 a 1949)
Campeão paranaense em 1934, 36, 39, 40, 43, 45 e 49 (jogador). E em 1958 (técnico).

Posição: Goleiro

A família Gottardi
A família Gottardi pode ser considerada como uma das mais importantes na história do Atlético. Viveu em função do clube e teve grandes jogadores vestindo a camisa rubro-negra.

Alberto, foi o primeiro Gottardi a atuar no Atlético, era goleiro, jogou de 1927 a 1933. Seus filhos também foram jogadores do Atlético:

· Rui (meio de campo do Furacão em 49)
· Aldir (grande meia dos anos 60)
· Almir que foi juvenil, mas não seguiu carreira.

Alberto era um excelente goleiro e segundo os jogadores de sua época, era melhor que Caju. Mas todos os jogadores que viram Caju atuar, inclusive os adversários, diziam que ele era o melhor goleiro que viram jogar.

Caju teve como missão substituir o irmão Alberto na meta atleticana. Seus filhos também jogaram no Atlético:

· Alfredo (zagueiro da década de 70)
· Celso (Cajuzinho, goleiro).

E sua esposa, era da família Cecatto, de grandes jogadores atleticanos. Cecatto, Cecattinho do futebol e Cecattão do basquete. Famílias que sempre trabalharam e viveram pelo Atlético.

O início da carreira de Caju
Antes de iniciar a carreira no Atlético, Caju jogava bola no campinho da Rui Barbosa, deram o nome de Murici Sport Clube ao time que eles tinham lá. Iniciou no Atlético no juvenil, depois foi para o médio (juniores).

Seu primeiro jogo no Atlético, foi em 1933, um amistoso em Paranaguá, que terminou empatado em 2×2. Na semana seguinte, substituindo seu irmão Alberto, que havia parado de jogar, estreou como titular no Atletiba. O Atlético perdeu por 2×1, por falha do juiz, que validou o primeiro gol do coxa, que havia sido ilegal.

Caju sempre se considerou amador, nunca teve um contrato profissional, sempre teve um contrato de amador, até o final da vida. Por isso que em alguns anos, nesse intervalo, ele não foi titular. Em 1944 ele foi campeão do time amador, como centro-avante, porque o Laio era o goleiro titular do time principal. Porém, por mais que não integrasse o elenco principal, por muitas vezes ele chegava no vestiário e dizia: “Eu vou jogar”. E jogava, quem ia dizer não pra Caju?

Em 1949 ele não jogou nenhuma partida, o titular era o Laio. Mesmo assim, é considerado como atleta do Furacão 49.

Seleção Paranaense
Em 1934 foi convocado para a Seleção Paranaense, com 18/19 anos. A Seleção estadual era algo bem importante, que formava a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Era disputado um Campeonato Brasileiro de Seleções durante o ano. E desde a primeira convocação, Caju foi convocado todos os anos, até 1949.

Seleção Brasileira e A Majestade do Arco
Em 1942, Caju foi convocado pra Seleção Brasileira, por ter sido visto nos Campeonatos Brasileiros de Seleções. Foi convocado pra jogar no Uruguai e foi o melhor goleiro do torneio, foi quando ganhou o apelido de A Majestade do Arco.

Em 1945 foi convocado novamente, mas a imprensa paulista fez um lobby muito forte para o goleiro do Palmeiras, Oberdã. Então Caju foi dispensado, porém nos treinos, Oberdã comia não se saiu bem e o técnico dispensou Oberdã e convocou Ari, que deu conta do recado.

Caju na Seleção Brasileira em 1942.

Caju na Seleção Brasileira em 1942.

Sucesso de Caju
Em 1948, na Inauguração dos refletores do Estádio de General Severiano, o Atlético foi convidado para jogar. E o Botafogo exigiu que o Caju jogasse. Caju jogou e deixou os cariocas boquiabertos com seu desempenho. E o jogo acabou empatado em 0x0.

Palavras do professor Heriberto:
“Caju, era um sujeito extraordinário. Tanto que 1987 ele me deu a camisa dele da seleção, e a bola de tento, de 1930 (CAP x Corinthians) que era do irmão dele, Alberto. Caju via os jogos na Curva da Laranja e várias vezes eu assisti aos jogos com ele.”

Nota do blog: A camisa de Caju e a bola de tento de Alberto fazem parte do acervo do Museu do Atlético Paranaense.

Doação da camisa da Seleção Brasileira de 42 usada por Caju para o Museu do CAP.

Doação da camisa da Seleção Brasileira de 42 usada por Caju para o Museu do CAP.

O dirigente Caju
Caju foi diretor do Atlético por várias vezes. Em 1958 mandaram embora o técnico, formaram o triunvirato (Caju, Jackson e Sthengel Guimarães) e resolveram assumir o Atlético e foram campeões.

A reforma da Baixada
Em 1967, Luiz Gonzaga da Motta Ribeiro (cujo pai, Motta Ribeiro foi campeão em 1925) fez a remodelação da Velha Baixada. O estádio tinha só 5 degraus na entrada, por causa do ginásio e na curva da laranja tinha mais ou menos 8 a 10 degraus. Eles aumentaram para uns 14/15 degraus em toda a extensão. Foi arrancada toda a grama e feita a remodelação do campo, até os vestiários foram remodelados. E quem eram os mestres de obras, responsáveis pela reformulação? Caju e Alberto. Eles faziam tudo por amor ao Atlético, não eram remunerados.

Alberto, desde que parou de jogar, passou a cuidar do gramado. Cuidava de tal maneira, que não deixava que ninguém pisasse no gramado. Certa vez, o time chegou pra treinar na Baixada, porém, tinha caído uma chuva forte na noite anterior e Alberto não deixou ninguém treinar. Os jogadores foram reclamar com o presidente da época, que foi ver o que estava acontecendo. E Alberto disse pra ele: “O senhor manda no Clube, mas no gramado, mando eu!”. E o time teve que ir pra praça treinar.

Alberto também era roupeiro, por mais que naquele tempo não havia nem roupa pra usar. O segundo time esperava o primeiro jogar pra usar a mesma camisa. Era uma camisa de lã, imaginem o time pegando a camisa molhada de suor, que tinha acabado de ser usada pelos outros jogadores.

Reforma da Baixada (1967) comandada por Caju e Alberto Gottardi.

Reforma da Baixada (1967) comandada por Caju e Alberto Gottardi.

Os conselhos de Caju
Caju aconselhava os jogadores mais novos, dizendo que arranjassem um emprego, pois futebol não era suficiente para se viver. Caju foi funcionário da Saúde Pública a vida inteira, aposentou-se como funcionário público. Grande parte dos jogadores era funcionário público, e eram liberados às 3 da tarde para treinar.

A importância de Caju para o Atlético
Durante toda a vida Caju esteve ligado ao Atlético, foi jogador por 16 anos, técnico, diretor, comandou a reforma da Baixada em 1967 e em 1999 emprestou seu nome ao Centro de Treinamentos do Atlético. Uma bela homenagem que recebeu ainda em vida. E durante grande parte da sua vida morou próximo à Baixada.

Caju é até hoje um mito, foi o melhor goleiro do futebol do Paraná. Foi o primeiro jogador paranaense a ser convocado para a Seleção Brasileira. Nunca quis sair do Atlético, apesar os inúmeros convites (Vasco, Botafogo, Flamengo e Peñarol, do Uruguai).

Faleceu em 24 de abril de 2001, aos 85 anos.

Características técnicas do Caju
Caju tinha uma estatura mediana, tinha em torno de 1,74. Mas tinha uma colocação extraordinária. Ele não saltava, mas o cara chutava e ele estava ali, pronto para defender, ele sempre encaixava a bola. Caju tinha uma impulsão incríve, pois fazia salto com vara no campeonato paranaense de Atletismo, pelo Atlético. Ele dava dois, três passos e subia para encaixar. Essa era a característica de Caju. Além disso, caía no pé do adversário com a mão, não dava carrinho, como fazem hoje. O goleiro dividir a bola com os pés, com o atacante, é característica dos anos 70 pra cá.

Grandes jogadores – Zinder Lins

ZINDER LINS (1929 a 1939)
Campeão paranaense em 1929, 1930, 1934 e 1936 e extra em 1939.
Posição: meia

A importância de Zinder Lins para o Atlético vai além dos gramados. Eternizou seu nome na história do clube por escrever o hino do Atlético, além de ter conquistado o bicampeonato de 1929 e 1930 e os títulos de 1934 e 1936 e de extracampeão em 1939. E como se não bastasse, foi Zinder Lins que começou o trabalho de resgate da história rubro-negra.

O jogador Zinder Lins

O Zinder era um abnegado do Atlético, foi campeão cinco vezes. Começou no Atlético em 1923, depois foi pra SC, seu pai era militar. Volta em 1929 para ser Campeão Paranaense. Era um meia, que tinha uma certa categoria, sabia lidar com a bola, não era tão artilheiro, mas fazia seus gols.

O historiador Zinder Lins

Palavras do Professor Heriberto:

“Eu tive prazer de conhecer o Zinder nos anos 80. No início dos anos 80 fui ao Atlético e encontrei o Rui Chic-chic, meu amigo, que era secretário do Atlético na época. Fui ver  “o que o Atlético tinha de museu” e o Rui me levou numa sala. Lá tinha uns quadros grandes antigos, uns troféus. Eu disse que gostaria de conhecer o Zinder, que é o autor do hino, pois já conhecia o Genésio Ramalho. E o Rui me apresentou o Zinder, e ele me adotou como um filho e eu o adotei como um pai. Convivemos por dez anos. Foi ele que disse que eu deveria escrever a história do Atlético.

Quando comecei a ouvir as histórias do Zinder, achava que ele estava fantasiando. Então comecei a procurar os jornais da época, e acabava confirmando as histórias. O Zinder sabia não só a história do Atlético, como a história do futebol do Paraná. E nesses 10 anos ele me contou toda a história do Atlético. Ele me levou para conhecer seus companheiros dos anos 20, 30. Tive a oportunidade de conhecer dois jogadores que iniciaram jogando no Internacional e no América. Do Internacional, Dagoberto Pereira, campeão em 1915 e do América, Franico, campeão em 1917. Ele também me apresentou todos os seus companheiros das décadas de 20 e 30.”

Nota do blog: Zinder Lins faleceu em 1990, sem ver o livro Atlético – A paixão de um povo, escrito pelo prof. Heriberto e por Valério Hoerner Junior, concluído.

O registro que se tem hoje da história do Atlético, deve-se ao trabalho do Zinder Lins. No ano de 1943, Zinder colocava anúncios na Gazeta do Povo, pedindo que quem tivesse fotos do Atlético que as doasse, para que ele fizesse o álbum do Atlético. Infelizmente, grande parte desse material se perdeu numa enchente que houve no rio Água Verde, na década de 60. Zinder morava perto da Baixada e sua casa foi atingida. Essa é sua grande importância para o Atletico. Mas maior ainda, é de ter feito a letra do hino e posteriormente doado “ad perpetuam” seus direitos autorais para o Clube Atlético Paranaense.

A história do Hino

Eles eram bicampeões e foram fazer um jogo em Joinville pegaram o trem aqui pela manhã. Uns dias antes da viagem, o Zinder tinha feito a letra e durante a viagem os jogadores foram cantando as palavras de Zinder, em ritmo de tango.

Em 1943 fomos campeões, as duas partidas decisivas foram em janeiro de 1944. E a festa do título foi no Cassino Ahú. Capitão Aranha, o presidente de 1943 tinha como amigo, um gaúcho, o J. Cibelli, que tocava violão e pediu pra que fizesse uma melodia para o hino. E pediu a letra para o Zinder.

Na festa da comemoração do título de 1943, foi distribuído um cartão que tinha o distintivo do Atlético na capa. Quando você abria, do lado esquerdo tinha uma paródia da música Manolita. E na outra folha, estava escrito: Hino do Atlético, Música de J. Cibelli e letra de Zinder Lins.

A letra original era:

Atlético! Atlético!

Conhecemos o teu valor

E a camisa rubro-negra

Só se veste por amor!

Vamos marchar sempre entoando

Esta gloriosa canção

E no peito ostentando

Nosso amado pavilhão.

O coração do atleticano

Deve estar sempre voltado

Para as glórias do presente

E os feitos do passado.

A tradição da nossa raça

Nos legou o sangue forte,

Rubro-negro não tem jaça

E não teme a própria morte.

A flâmula vermelha e preta

Representa esplendor.

Todos cá desta Baixada

A defendem com amor.

É por isso e mais por isso

Que ecoa de sul a norte

Todos os homens rubro-negros

Descendem de raça forte.

Palavras do Professor Heriberto:

“Em 1968, Jofre, quando assumiu, mandou gravar o hino. Chamou os Titulares do Ritmo para cantar e a banda do Corpo de Bombeiros do Rio para tocar. E o maestro da banda dos Bombeiros viu que a melodia composta por J. Cibelli era uma paródia do hino americano e tiveram que mudar a melodia.

Então, Genésio Ramalho, que era dono da melhor orquestra de Curitiba, foi chamado pra dar um jeito. Juntamente com seu pianista, Katio,  Genésio compôs a melodia.  A letra original do hino era muito grande, reduziram a letra e fizeram algumas adaptações. Então o hino foi gravado pelos Titulares do Ritmo e pelo Corpo de Bombeiro. E então, houve aquele concurso, da Rádio Record em que o hino do Atlético foi eleito o Hino mais bonito do Brasil, atrás do hino do América, composto por Lamartine Babo. Por isso é que dizemos, que com o perdão de Lamartine Babo, o hino do Atlético é o mais bonito do Brasil”

Curiosidade

A grande curiosidade é que Genésio Ramalho também foi jogador do Atlético, em 1937 e 1938. Nos gramados não chegou a se consagrar, mas ao compôr a música do hino atleticano entrou definitivamente para a história. Isso faz com que o Atlético talvez seja o único clube a ter seu hino composto por dois ex-jogadores.

É por isso que o hino rubro-negro descreve tão bem o que é o Atlético e o atleticano. A letra traduz o mais puro sentimento de atleticanismo e a melodia arrepia qualquer torcedor já no primeiro acorde.

Presenças do 3º encontro do Círculo de História Atleticana

Milene Szaikowski
Organização do Círculo de História Atleticana

CONVIDADO:
Prof. Heriberto Ivan Machado
Historiador do Clube Atlético Paranaense

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Demais participantes:
Benedito Carlos Bassetti
Carlos Alexandre Lopes Bassetti
Claudio Prevedello Bento
Dirceu Bagatelli Junior
Jacob Baulhout Junior
José Carlos A. Belotto
Pedro Loyola
Rogério Michailev
Ronei Basso
Sandro Michailev