Grandes jogadores – Zinder Lins

ZINDER LINS (1929 a 1939)
Campeão paranaense em 1929, 1930, 1934 e 1936 e extra em 1939.
Posição: meia

A importância de Zinder Lins para o Atlético vai além dos gramados. Eternizou seu nome na história do clube por escrever o hino do Atlético, além de ter conquistado o bicampeonato de 1929 e 1930 e os títulos de 1934 e 1936 e de extracampeão em 1939. E como se não bastasse, foi Zinder Lins que começou o trabalho de resgate da história rubro-negra.

O jogador Zinder Lins

O Zinder era um abnegado do Atlético, foi campeão cinco vezes. Começou no Atlético em 1923, depois foi pra SC, seu pai era militar. Volta em 1929 para ser Campeão Paranaense. Era um meia, que tinha uma certa categoria, sabia lidar com a bola, não era tão artilheiro, mas fazia seus gols.

O historiador Zinder Lins

Palavras do Professor Heriberto:

“Eu tive prazer de conhecer o Zinder nos anos 80. No início dos anos 80 fui ao Atlético e encontrei o Rui Chic-chic, meu amigo, que era secretário do Atlético na época. Fui ver  “o que o Atlético tinha de museu” e o Rui me levou numa sala. Lá tinha uns quadros grandes antigos, uns troféus. Eu disse que gostaria de conhecer o Zinder, que é o autor do hino, pois já conhecia o Genésio Ramalho. E o Rui me apresentou o Zinder, e ele me adotou como um filho e eu o adotei como um pai. Convivemos por dez anos. Foi ele que disse que eu deveria escrever a história do Atlético.

Quando comecei a ouvir as histórias do Zinder, achava que ele estava fantasiando. Então comecei a procurar os jornais da época, e acabava confirmando as histórias. O Zinder sabia não só a história do Atlético, como a história do futebol do Paraná. E nesses 10 anos ele me contou toda a história do Atlético. Ele me levou para conhecer seus companheiros dos anos 20, 30. Tive a oportunidade de conhecer dois jogadores que iniciaram jogando no Internacional e no América. Do Internacional, Dagoberto Pereira, campeão em 1915 e do América, Franico, campeão em 1917. Ele também me apresentou todos os seus companheiros das décadas de 20 e 30.”

Nota do blog: Zinder Lins faleceu em 1990, sem ver o livro Atlético – A paixão de um povo, escrito pelo prof. Heriberto e por Valério Hoerner Junior, concluído.

O registro que se tem hoje da história do Atlético, deve-se ao trabalho do Zinder Lins. No ano de 1943, Zinder colocava anúncios na Gazeta do Povo, pedindo que quem tivesse fotos do Atlético que as doasse, para que ele fizesse o álbum do Atlético. Infelizmente, grande parte desse material se perdeu numa enchente que houve no rio Água Verde, na década de 60. Zinder morava perto da Baixada e sua casa foi atingida. Essa é sua grande importância para o Atletico. Mas maior ainda, é de ter feito a letra do hino e posteriormente doado “ad perpetuam” seus direitos autorais para o Clube Atlético Paranaense.

A história do Hino

Eles eram bicampeões e foram fazer um jogo em Joinville pegaram o trem aqui pela manhã. Uns dias antes da viagem, o Zinder tinha feito a letra e durante a viagem os jogadores foram cantando as palavras de Zinder, em ritmo de tango.

Em 1943 fomos campeões, as duas partidas decisivas foram em janeiro de 1944. E a festa do título foi no Cassino Ahú. Capitão Aranha, o presidente de 1943 tinha como amigo, um gaúcho, o J. Cibelli, que tocava violão e pediu pra que fizesse uma melodia para o hino. E pediu a letra para o Zinder.

Na festa da comemoração do título de 1943, foi distribuído um cartão que tinha o distintivo do Atlético na capa. Quando você abria, do lado esquerdo tinha uma paródia da música Manolita. E na outra folha, estava escrito: Hino do Atlético, Música de J. Cibelli e letra de Zinder Lins.

A letra original era:

Atlético! Atlético!

Conhecemos o teu valor

E a camisa rubro-negra

Só se veste por amor!

Vamos marchar sempre entoando

Esta gloriosa canção

E no peito ostentando

Nosso amado pavilhão.

O coração do atleticano

Deve estar sempre voltado

Para as glórias do presente

E os feitos do passado.

A tradição da nossa raça

Nos legou o sangue forte,

Rubro-negro não tem jaça

E não teme a própria morte.

A flâmula vermelha e preta

Representa esplendor.

Todos cá desta Baixada

A defendem com amor.

É por isso e mais por isso

Que ecoa de sul a norte

Todos os homens rubro-negros

Descendem de raça forte.

Palavras do Professor Heriberto:

“Em 1968, Jofre, quando assumiu, mandou gravar o hino. Chamou os Titulares do Ritmo para cantar e a banda do Corpo de Bombeiros do Rio para tocar. E o maestro da banda dos Bombeiros viu que a melodia composta por J. Cibelli era uma paródia do hino americano e tiveram que mudar a melodia.

Então, Genésio Ramalho, que era dono da melhor orquestra de Curitiba, foi chamado pra dar um jeito. Juntamente com seu pianista, Katio,  Genésio compôs a melodia.  A letra original do hino era muito grande, reduziram a letra e fizeram algumas adaptações. Então o hino foi gravado pelos Titulares do Ritmo e pelo Corpo de Bombeiro. E então, houve aquele concurso, da Rádio Record em que o hino do Atlético foi eleito o Hino mais bonito do Brasil, atrás do hino do América, composto por Lamartine Babo. Por isso é que dizemos, que com o perdão de Lamartine Babo, o hino do Atlético é o mais bonito do Brasil”

Curiosidade

A grande curiosidade é que Genésio Ramalho também foi jogador do Atlético, em 1937 e 1938. Nos gramados não chegou a se consagrar, mas ao compôr a música do hino atleticano entrou definitivamente para a história. Isso faz com que o Atlético talvez seja o único clube a ter seu hino composto por dois ex-jogadores.

É por isso que o hino rubro-negro descreve tão bem o que é o Atlético e o atleticano. A letra traduz o mais puro sentimento de atleticanismo e a melodia arrepia qualquer torcedor já no primeiro acorde.

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