Os paraguaios

Em 1943, pela primeira vez uma equipe paranaense contava com jogadores estrangeiros. O presidente Manoel Aranha trouxe ao Atlético os paraguaios Aveiros e Ibarrola e o técnico Carbô, da Seleção Paraguaia.

Foi um acontecimento para a época. E é claro que isso gerou uma “dor de cotovelo” generalizada.

Anúncios

Finais de 1943

O troco atleticano veio em 1943, quando o Atlético venceu os dois Atletibas das finais por 3×2, levando a taça para a Baixada. Novamente seria uma melhor de três, mas apenas dois jogos foram suficientes para que o Atlético conquistasse o título. Os jogos finais aconteceram em janeiro de 1944. (Era costume o campeonato ser decidido em janeiro do ano seguinte). A primeira partida foi no Belfort Duarte e a segunda na Baixada.

A festa de comemoração do título de 43
A festa de comemoração pelo título foi em alto estilo, como todas as festas atleticanas. Os rubro-negros se reuniram no Cassino Ahú para a maior festa já vista em Curitiba, até então.

Nas mesas foi colocada uma cartolina, vermelha e preta que tinha de um lado uma paródia, satirizando o rival, da música Manolita (que fazia sucesso na época). A paródia dizia mais ou menos assim:

“Alça, alça Coritiba, teu destino é chorar.
Chora mais um bocadinho, enquanto nós vamos
cantar.”

E embaixo dessa paródia estava escrito:

Faça uma cópia e envie para três coxas, pois assim, eles vão morrer de raiva.

Ainda nessa mesma cartolina, em cima, do lado direito, havia um soneto, que é uma paródia do hino do Atlético, que dizia:

“Por duas vezes de 3×2, nós vencemos vocês.
Coritiba reconheça os campeões de 43.”

Embaixo dessa paródia, havia o hino do Atlético, que pela primeira vez foi impresso e cantado oficialmente. O pessoal cantou o hino atleticano a noite inteira.

Finais de 1941

Em 1941, pela primeira vez a dupla se enfrentou numa final. O campeonato havia sido disputado em dois turnos, o Atlético venceu o primeiro e o Coritiba o segundo.

Sendo assim, a decisão foi numa melhor de 3. Naquela oportunidade, o Coritiba levou o campeonato vencendo as duas primeiras (3×1 na Baixada e 1×0 no Belfort Duarte). Desta forma, a terceira partida nem chegou a acontecer.

Atletibas da década de 40

A rivalidade entre a dupla Atletiba fortaleceu-se nos anos 30, mas foi na década de 40 que ela explodiu, foi a primeira grande década de rivalidade.

Foi nessa década que a dupla se enfrentou pela primeira vez nas finais do Campeonato Paranaense. Decisão que se repetiu por três vezes na década (1941, 1943 e 1945) com o Atlético sagrando-se campeão em duas oportunidades (1943 e 1945). E em 1944, num campeonato por pontos corridos o Atletiba foi fundamental na decisão do título que ficou com o Ferroviário.

Além disso, foi uma década de partidas memoráveis entre a dupla. Como o Atletiba dos 8 minutos, o dia que o Atlético pediu exame de sanidade mental ao árbitro e o surgimento do Furacão em 1949.

Nota do blog: Para melhor entendimento, os Atletibas da década de 40 serão divididos aqui no blog, conforme o ano em que aconteceram.

O Atletiba da Gripe (1933)

Atlético, o Clube da Raça

Em 1933 uma forte gripe pegou todo mundo no Atlético a 15 dias do Atletiba. Tendo em vista essa situação, o Atlético decidiu pedir à Federação para adiar o jogo. Era o primeiro jogo do Campeonato, mas o Coritiba não aceitou o pedido e o jogo foi mantido.

Com a manutenção do jogo, houve uma reunião dos dirigentes do Atlético, na terça-feira antes da partida, para que decidissem o que iam fazer. Cogitou-se a hipótese de entregar os pontos e não jogar. Na quarta-feira foi a vez dos jogadores se reunirem e eles decidiram que jogariam mesmo gripados. Na quinta-feira, eles comunicaram sua decisão à diretoria, que achou aquilo uma loucura, mas acabou concordando.

Chegou o domingo, 21 de maio de 1933, e o Atlético, com o time todo gripado foi a campo. Resultado, o Atlético venceu o jogo por 2×1, com gols de Raul Rosa e Marreco. O placar, com vitória por diferença de um gol, não refletiu a determinação dos atleticanos em campo. Na terça-feira, a manchete do jornal O Dia dizia: RAÇA 2X1! A partir disso o Atlético tornou-se o Clube da Raça.

Ficou feio para o Coritiba, que não quis remarcar o jogo. Acabou perdendo para um time gripado, com gol do velho Marreco, que já estava “com uma perna só em campo”. A gozação nos cafezinhos da Boca Maldita (que ainda não tinha este nome) foi geral.

Contestações dos títulos atleticanos feitas pelos coxas

Primeira contestação
Por 13 vezes o Coritiba negou a conquista de títulos do Atlético, com ações no Tribunal Desportivo.

Em 1929, o Atletiba terminou empatado em 4×4. Naquele tempo, era comum o atacante ir pra cima do goleiro, fazer a obstrução enquanto um companheiro chutava para o gol. Era um lance válido, desde que não se empurrasse o goleiro. No final deste jogo, houve um lance mais ou menos assim, mas o jogador do Coritiba empurrou o goleiro Alberto. O árbitro apitou a falta, mas o jogador coxa fez que não ouviu, chutou para o gol e saiu vibrando.

O presidente da FPF, que era coxa, anulou o jogo. O Atlético, sabendo disso, entrou com um recurso no CND, que julgou e deu a partida terminada em 4×4. Com isso, o Atlético foi Campeão Paranaense invicto em 1929. Essa foi a primeira vez que o Coritiba fez um documento negando a conquista do título pelo Atlético.

Anos 70
Em 1970, Nilson Borges foi julgado pelo Tribunal e absolvido. E o Coritiba entrou com uma ação dizendo que o Nilson não deveria ter sido absolvido pelo Tribunal e que o Atlético não era campeão e que eles deveriam ser os campeões.

O início da rivalidade

Três árbitros para apitar um único Atletiba

Foi no ano de 1926 que a rivalidade surgiu fortemente entre a dupla. Até então, o grande clássico da cidade era Palestra e Britânia e não o Atletiba. O marco do início da grande rivalidade, que tornou o Atletiba um clássico foi o jogo do dia 05/12/1926, quando foram necessários três árbitros para apitar a partida.

O jogo começou com Maximino Zanon no apito e foi tenso desde o início. Num lance, a bola bateu no travessão, depois no chão, fora da risca e voltou para o meio de campo e ele deu o gol ao Coritiba. Foi o que bastou para virar uma confusão. Posteriormente, ele expulsou um jogador do Coritiba que se recusou a sair de campo. Com isso, Zanon ficou ofendido e desistiu de apitar a partida.

Coube a Orlando Levoratto prosseguir a arbitragem. Este deixou de apitar um impedimento ao Coritiba, validando o gol. Marrecão, que era o capitão do Atlético, foi pra cima dele junto com o resto do time. Foi a vez de Levoratto deixar o apito.

Desta vez, sobrou para Moacir Gonçalves, o representante da liga, conduzir a partida até o final. O placar final, depois de muita confusão, foi 2×2.

E a partir desse jogo, a rivalidade ficou nas alturas, ninguém mais aceitava perder um para o outro. E depois dessa partida dos três árbitros, os jogos que vieram na sequência já demonstravam que o Atletiba era um grande clássico do futebol.