O presidente Passerino Moura

Hoje os dirigentes de clubes são empresários, naquela época era diferente. Dr. Rubens Passerino Moura era Coronel do Exército e médico ginecologista e obstetra. Ele era diretor do Hospital Militar de Curitiba e os militares médicos tinham a oportunidade de abrir consultórios. Então, ele tinha um consultório na Barão do Rio Branco e tinha uma boa clientela, o que possibilitava ter um aumento nos seus rendimentos como militar. E nesses dois anos como presidente do Atlético, ele simplesmente abandonou o consultório. Ele fazia as atividades dele como militar e saía correndo pro Atlético. Isso acabou prejudicando-o financeiramente, até porque ele também colocava dinheiro no Atlético.

A transferência para Recife
Dr. Rubens Passerino Moura tinha estopim curto, como militar, sempre andava com o revólver na cintura. Ele chegava e dizia: Se roubar, morre! Antes do jogo com o Seleto ele disse: “Se o juiz roubar, eu como militar, mando a torcida e taco fogo no estádio e na cidade.”

Essa declaração lhe rendeu uma transferência do exército para Recife. O comandante da região era o General Tourinho, de família coxa-branca, ordenou que ele dr. Passerino fosse transferido. Só esperou que ele terminasse seu mandato como presidente do Atlético. Assim que ele chegou a Recife, uma das primeiras pessoas a procurá-lo foi o presidente do Sport Clube Recife. Este fez um convite para que o dr. Passerino fosse diretor de futebol do Sport, cargo que foi prontamente aceito.

As chaves do Atlético
Naquele ano, como se sabe o Atlético estava em dificuldades financeiras. Dr. Passerino Moura, com as chaves do Atlético na mão, foi bater na porta do então governador Paulo Pimentel. Ele ofereceu as chaves do Atlético em troca de um empréstimo, não muito alto, prometendo o título.

O empréstimo foi concedido, o Atlético foi campeão e dr. Passerino Moura foi levar a faixa de campeão ao governador Paulo Pimentel.

O árbitro que quis dar uma de esperto
Teve um árbitro que foi na Baixada na sexta-feira, pedir dinheiro pra acertar o jogo de domingo, era um joguinho. E o dr. Passerino disse pro árbitro, tudo bem, passe aqui na segunda pra receber e entregou uma promissória pro árbitro. Quando o árbitro chegou na segunda-feira pra receber, Passerino pôs a mão na gaveta, o juiz achando que ele ia pegar o dinheiro, ele pegou o revólver e colocou na boca do árbitro. E disse: você pode cobrar lá na pqp. E o árbitro simplesmente se mandou da Baixada!

A TV do Nelsinho
Essa história foi contada por Ivan Cezar Moura, filho do presidente Passerino Moura:
“O Nelsinho foi um grande jogador, ele chegou no meio do segundo turno. Ele deixou um passivo financeiro pro meu pai. Quando ele chegou a Curitiba, precisava comprar uma TV em cores e meu pai foi o avalista dele. O Atlético foi campeão, ele foi embora e o pai ficou pagando a TV do Nelsinho.”

Anti-coxa
Dr. Passerino Moura era atleticano doente e também um anti-coxa. Seu filho Ivan conta que de 1964 a 1967 ele, seu pai, seu tios e mais alguns amigos não perdiam um jogo sequer do Coritiba, obviamente para torcer contra.

Ele não escondia de ninguém a raiva que sentia pelo Coritiba. E ficava muito feliz quando o Atlético vencia os Atletibas. Foi por isso que ele insistiu tanto para que o Atletiba do primeiro turno fosse na Baixada.

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