A formação do time de 1949

O Atlético tinha sido campeão em 1945 e naquele ano contava com um bom elenco. Faziam parte daquele elenco: Caju e Laio; Nilo, Zaneti e Augusto; Joanino, Joaquim, Pizatto, Panchito, Lolo e Barbosa; Lilo, Ibarrola, Batista, Cireno, Xavier, Jackson, Guará e Washington.

Em 1946, muitos desses jogadores saíram do Atlético ou simplesmente encerraram suas carreiras, então o time mudou completamente. Zaneti, Joanino e Lolô pararam de jogar. O ataque do Atlético foi desfeito, Lilo (companheiro de Cireno) foi para o Ferroviário. O elenco de 1946 era completamente diferente daquele campeão de 1945.

A reformulação foi acontecendo aos poucos, mas a história do Furacão 49 começou em 1948, quando o técnico Motorzinho chegou ao Atlético. Graças às indicações dele é que o Atlético trouxe alguns jogadores.

Cireno, craque daquele time nos contou como isso aconteceu:

“O Atlético trouxe um beque do Rio Grande do Sul, o Délcio. Trouxe uma linha média: Valdir e Wilson (de Minas Gerais) e Sanguinetti (de Porto Alegre). Trouxe o Cordeiro que havia jogado no Vasco, mas estava em Porto Alegre. Trouxe também o Mauro Goulart que estava no Grêmio, mas era miolo do Atlético Mineiro.

E trouxe um centroavante do Atlético Mineiro que tinha um problema de joelho, que só jogou uma partida, isso no começo de 1948, jogou só uma partida, disseram que ele estava bichado, ele pegou a mala e foi embora. O Mauro Goulart ficou doente, pulmão, foi lá pro Sanatório, já arranjaram um emprego, ele ficou lá trabalhando, nunca mais jogou futebol.”

A zaga

“E o Furacão? O Galalau era um gurizão, tinha terminado de voltar da base área onde tinha servido. Quando voltou, começou a crescer até se tornar um baita de um ‘caboclão’. Ele era feio pra jogar, mas era de uma utilidade no time que vocês precisavam ver, era um assombro. Então o Nilo que não era beque passou a jogar de beque. O Zaneti parou e o mais indicado, que cabeceava melhor na defesa, era o Nilo, por cima ele era muito bom.

E o Galalau ajudava os outros beques, ele ajudava bem. E ele cabeceava muito bem, não tinha pra ninguém, ele cobria mesmo, passar do Valdomiro (Galalau) era conversa fiada, era mentira. Se o cara dissesse: ‘eu passei do Valdomiro um dia’, era mentiroso. O Délcio veio do Rio Grande, era o titular, mas perdeu pro Valdomiro porque o Valdomiro cresceu em 48.”

A dupla com Jackson

“Bom, a meia-direita do Atlético era o Villanueva, era um jogador decidido, corria, mas não era um cara assim de jogar. Mas, tinha surgido no amador e nos aspirantes, o Rui, filho do Alberto Gottardi, o Rui era sobrinho do Caju. E ele jogava bem nesses dois times, no aspirante e no amador e um dia puseram o Rui pra jogar. Então o Rui tirou (a titularidade do) o Villanueva e o Viana tirou o Cordeiro.

E o Jackson até então era o meia-direita, mas o Mauro Goulart tinha saído e o Jackson veio jogar na meia-esquerda. Isso em 1948. Aí que começou a dupla Jackson e Cireno, mas o Jackson era o Jackson que jogou na meia-direita em 44, 45, 46. E aí quando ele veio pro meu lado é que virou a ala que era boa, que tinha o peso em ouro e ai ficou.”

A entrada de Laio no time

“O Caju andou tendo umas quebraduras e não esticava totalmente o braço. Por isso ele começou a ficar com medo de jogar e começar a comer frango. Assim ele foi diminuindo (o ritmo de jogos), diminuindo e parou.

E entrou o Laio, o Laio já era bom, só que era frangueiro.”

Neste momento Nilo Biazetto rindo e fazendo que não com a cabeça, diz: “O Laio era frangueiro”.

O time

“Aí entrou o Laio como goleiro. Laio no gol, Nilo e Valdomiro Galalau na zaga. E na linha média ficou o Joaquim que era um baita de um jogador, mas sem posição, porque o Valdir como marcador era um espetáculo, de cabeça, de baixo da trave, ele cabeceava bem. E o Wilson jogava bem, o Sanguinetti era jogador assombro, era desse tamanho (baixinho) mas pegava a bola, chutava bem, passava bem, era inteligente. Ele fazia assim, não ia, o cabra parava ele ia, era gozado, tinha jogada que parece que ninguém ia fazer nada, mas o Sanguinetti saía com a bola.”

Eram seis ou sete clubes disputando o campeonato, só havia times da capital, nenhum do interior. E o Furacão fez aquela campanha maravilhosa, era um time diferente que emergiu. Foi uma feliz coincidência que todos aqueles reforços deram certo e formaram aquele time maravilhoso. Pena que durou apenas um ano, pois em 1950 o time desmanchou, indo cada um para um lado.

Outro feito do Furacão foi que pela primeira vez um clube paranaense sai para uma excursão. Foi a Minas, ao Espírito Santo, Bahia e ainda foi ao Paraguai onde venceu a Seleção Paraguaia por 4×1.

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