Presenças do 7º Encontro do Círculo de História Atleticana

TEMA:
A história de Lolô Cornelsen no Atlético Paranaense

Milene Szaikowski
Organização do Círculo de História Atleticana

CONVIDADOS:

Prof. Heriberto Ivan Machado
Historiador do Clube Atlético Paranaense

Infelizmente o convidado Lolô Cornelsen não pôde estar presente.

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Demais participantes:

Cezar Henrique Galhart
Gustavo Portes
Henrique Cardoso
Marlon de Carvalho
Nelson Rosário de Souza
Patrick Marcel Silveira
Paulo Roberto Perussolo
Rafaela Bettes Samways

A história do hino atleticano

Professor Heriberto nos conta como foi a primeira vez que o hino do Atlético foi cantado.

“Na festa do título, em 26 de janeiro de 1944, no Cassino Ahú, em todas as mesas eles colocaram uma cartolina em vermelho e preto que tinha o distintivo do Atlético. A cartolina era dobrada, em cima do lado esquerdo tinha uma paródia de Manolita (que era uma música famosa da época) e no lado direito, Hino Rubro-Negro.

Foi a primeira vez que se tornou oficial aquele hino que o Zinder Lins fez e que cantavam em ritmo de tango com os amigos campeões desde os anos 30. Então a paródia de 43 foi feita por J. S. Cibelli, o mesmo que fez a melodia do hino que depois verificaram que era um plágio do hino americano e que tiveram que modificar. Em 1968 quando mandaram fazer o disco, tiveram que mudar a estrutura da música*. E fala exatamente da final, o Atletiba, que o Atlético ganhou os dois jogos por 3×2 do Coritiba, em 1943.”

*Nota do Círculo de História: A modificação da música do hino foi feita por Genésio Ramalho junto com a redução da letra original.

Cireno canta um trecho daquela paródia:

“Coritiba reconheça
Os Campeões de 43.
Por duas vezes de 3 a 2
Nosso onze abateu vocês
Coritiba reconheça
Os Campeões de 43.”

Prof. Heriberto continua:

“Vocês viram como era o hino em 43 e 44? Era esse ritmo, era essa a música do hino, era um pouquinho mais lenta, ele cantou um pouquinho mais rápido, mas era exatamente aquele compasso do hino norte-americano.”

Cireno complementa:

“Mas esse do Cibeli tinha 24 ou 26 versinhos.”

Prof. Heriberto continua:

“Está aqui, vou continuar lendo pra vocês.”

“O grande arqueiro atleticano
Nem o pênalti o vence.
E tem o porte soberano
De campeão paranaense.”

(Caju pegou o pênalti do Altevir)

“O nosso onze resoluto.
Lutou com raça e padrão.
E é o campeão absoluto.
Desta quinta região.

Como a vida é transitória
A onça escolheu morada
Abandonou o Alto da Glória
E foi morar lá na Baixada

Vibra hoje a nossa gente
Com a grandiosa façanha
Do incansável presidente
Capitão Maneco Aranha.”

Cireno comenta:

“O J. Cibelli era um repentista gaúcho meio bebum, ele era amigo de infância lá das fazendas dos Aranha.”

Prof. Heriberto cita agora a paródia da música Manolita que era famosa na época:

Paródia da Manolita

“Era uma vez uma faixa
de campeão que se rasgou
Era uma vez uma taça
de um campeonato que já findou

A cigana não foi tão leal
com o Major e seu charuto
O Aranha é que era o tal,
pois na vitória foi mais astuto.

O Cardoso, speacker,
até emudeceu.
De noite na rádio,
não apareceu.

Alsa, alsa Coritiba
Teu recurso é chorar
Chora mais um bocadinho
Chora e torna a chorar

Alsa, alsa Coritiba
Vai tua mágoa espalhar
Chora mais um bocadinho
Enquanto nós vamos cantar

Viva essa raça pujante
Que só emprega o coração
Quando em luta, gigante
Sempre se torna o campeão

O Caju, general vatutin
O timochenco é o Aranha
Com uma dupla tão forte assim
O CAP conquistou fama

Rubro-negro tem sangue na
Veia e no pulso
Este sangue é enxertado
Com sangue de russo”

No final da cartolina havia uma nota com os seguintes dizeres:

Nota:
Tire três cópias e mande para três coritibanos, eles terão um peso incalculável e perderão novamente o campeoanto de 1944.

E na mesma cartolina havia o hino oficial do Atlético antes da redução dos versos, como pode se ler abaixo.

Hino do Atlético

Atlético, Atlético!
Conhecemos o teu valor
E a camisa rubro-negra
Só se veste por amor!

Vamos marchar sempre entoando
Esta gloriosa canção
E no peito ostentando
Nosso amado pavilhão

O Coração do Atleticano
Deve estar sempre voltado
Para as glórias do presente
E os feitos do passado

A tradição da nossa raça
Nos legou um sangue forte,
Rubro-negro não tem jaça
E não teme a própria morte.

A flâmula vermelha e preta
Representa um esplendor
Todos cá desta Baixada
A defendem com amor.

É por isso e mais por isso
Que ecoa de Sul a Norte
Todos os homens rubro-negros
Descendem de raça forte.”

Professor Heriberto conclui:

“Essa é a história do hino atleticano que pela primeira vez foi oficialmente cantado na festa do título de 43, no Cassino Ahú.”

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Ouçam este trecho do 6º Encontro do Círculo de História Atleticana no vídeo abaixo:

7º Encontro do Círculo de História Atleticana

Data: 25/06/2009 (quinta-feira)
Horário: das 19 às 22 horas
Local: Artha – rua Mateus Leme, 2823 – São Lourenço

Tema:
A história de Lolô Cornelsen no Atlético

Convidado:
Lolô Cornelsen
(Arquiteto e ex-jogador do Atlético Paranaense)

Confirmação de presença:

Para participar do encontro é indispensável a confirmação de presença por e-mail (circuloatleticano@yahoo.com.br) até 24/06/09, véspera do encontro.

As vagas são limitadas. Não há custo para participação.

Cireno e Nilo falam do seu trabalho fora do Atlético

Os jogadores daquela época não viviam do futebol, eles trabalhavam e estudavam além de jogar futebol. Grande parte eram funcionários públicos e tinham licença para sair para treinar e jogar.

Cireno conta como foi trabalhar na Caixa Econômica:

“Joguei 10 anos no Atlético e depois eu parei. Cheguei com 19 anos e parei com 30.

O Furacão me deu um monte de coisas, ALEGRIA. Jogando no Atlético eu fiquei gente. O grupo que o Atlético tinha, as pessoas que dirigiam o Atlético. Vou contar um pouquinho, devagar, mas vou contar umas coisas e vocês vão ver o que é o Atlético.

O Atlético tinha pessoas importantes, telefonavam pra um, telefonavam pra outro, quando via, a cidade inteira atleticana sabia das coisas. Não levou cinco minutos me arranjaram um emprego na Caixa. Era pra estagiar, porque a Caixa não aceitava funcionários sem fazer concurso. Eu fiquei 10 meses estagiando lá na Caixa, foi quando terminou a guerra, eu estava no exército, o Atlético já tinha me arranjado dois empregos, o primeiro na Nicolau Mäeder.”

Nilo Biazetto complementa:

“Eu fiquei muito feliz com a palestra do Cireno Brandalize, meu amigo, meu companheiro. Quando ele veio de Ponta Grossa eu já estava no Atlético, eu me lembro, ele era um menino, mas um menino travesso. Mas era um respeitoso, ele estudou muito, ele se formou em Direito, depois ele trabalhou na Caixa Econômica, graças ao Jofre Cabral e Silva.”

Nilo Biazetto conta da sua infância e do seu trabalho no Banco:

“Quando entrei no Atlético Paranaense eu era um simples filho de um homem que era carteiro dos Correios e que morava aqui no Ahú. Eu andei aqui nessa região* , eu andei descalço nessa rua, com uns 12 ou 13 anos. Eu não tenho vergonha de dizer, porque graças a Deus eu tive um bom pai e uma boa mãe que me ensinaram o caminho. E graças aos amigos e a sociedade que eu frequentava que era o Atlético Paranaense.

Eu saía do banco, umas 4 horas da tarde e ia treinar no Atlético às 5 horas e treinava até anoitecer, voltava e tinha o sr. Otávio de Andrada Coelho, me pegava na porta do Atlético Paranaense e me deixava na porta do Plácido e Silva, que era a faculdade da época. Ele dizia: ‘Nilo se você estudar, você vai ser como eu, se não estudar você vai ser um vagabundo como os outros.’ E eu aprendi essas coisas.”

* Nilo Biazetto se refere à rua Mateus Leme onde o encontro foi realizado.

O terceiro jogo da final de 1945

O terceiro jogo foi no campo do Coritiba, no dia 30 de dezembro de 1945 e terminou empatado em 1×1. Na prorrogação o Atlético venceu por 1×0 sagrando-se Campeão Paranaense de 1945.

O primeiro gol do jogo – Coritiba 0x1 Atlético

“O Fedato foi dar uma rebatida de bola, a bola bateu no calcanhar dele e encobriu o goleiro, 1×0 pro Atlético.”

Lilo se machucou

“O Lilo ia dar uma paulada, ia chutar lá não sei aonde, não sei se era pra mim ou pro Xavier, ele na meia-direita, aqui no nosso campo. E o cara chegou meio ligeiro e deu uma solada no Lilo. Ele carcou, caiu e não pode mais andar. A gente ia ficar com dez e os outros pediram pra ele continuar. E ele ficou, heroicamente, mesmo sem poder andar e com dor. Puseram umas pomadinhas lá, mas não adiantou, ele não podia andar de tanta dor. Tiveram que tirar o Lilo no intervalo. E ele nós peleando aqui.”

O empate – Coritiba 1×1 Atlético

“Com a saída do Lilo, eles empataram, 1×1. O jogo estava duro, eles queriam tomar conta. E nós com um a menos nos fechando um pouquinho. O tempo ia passando, nós com um a menos já estávamos cansados.

Então o Joaquim, o Jackson, o Lolô, o Lilo e eu, esses cinco, pegávamos a bola e íamos tocando. Eles (o Coritiba) nos forçaram bastante e nós tínhamos que dobrar um pouco a velocidade e a corrida. O time deles também seguia feito louco e nós tocávamos a bola, eram dois times iguais.”

A prorrogação

“Lá pelas tantas, o Augusto deu a bola pro outro, o Xavier estava meio adiantado, o outro deu uma de primeira pro Xavier que pregou-lhe o pé na estrada. E quando chegou um pouco pra frente da linha média e o goleiro deles já tinha saído até a linha da frente da área. O Xavier saiu um pouco de lado e pregou dali no gol.

E a bola no gramado, o gramado era assim… meio ondulado… e a bola fazia assim… na direção da trave… uma hora tava rolando pra sair pra fora.. tava rolando pra ir pra dentro, tava rolando pra ir pra fora, tava rolando pra ir pra dentro… de repente começou a diminuir, putz, não vai chegar… entrou pra dentro, morreu, gol. 1×0 para o Atlético.

Mais seis ou sete minutos acabou a prorrogação. Atlético Campeão!”

Cireno complementa falando da função do ponta:

“Foi o campeonato de 45, essa foi uma das partidas que eu me esforrei. Era duro jogar contra esses caras, a única maneira que eu tinha de passar desses caras, porque a obrigação dos pontas era levar a bola lá dentro da área. Fazer gol ou arrumar a bola pra quem faz, essa era a obrigação de um jogador de ponta. E quando apertassem demais, ir ali do ladinho da área e botar a bola na cabeça de um parceiro que está dentro da área. E o meia direita, e o centro-avante e o lateral que às vezes subia, então estava mais aberto lá, então você tinha que colocar a bola na cabeça de um deles. E não centrar dali e soltar a bola do outro lado, lá.

O cabra tinha medida no pé. Porque batia daqui ali, era uma coisa, bati daqui lá era outra. Da lateral da área, outra coisa.”

Como Cireno fez para ganhar o Atletiba de 45

Cireno Brandalize era conhecido por ser um grande jogador, mas também por ser muito espirituoso. Era um jogador inteligente.

Vejam o que ele fez para que o Atlético vencesse o segundo Atletiba da final do Campeonato de 1945.

Nas palavras de Cireno:

“Mas aí, eu pensei: ‘Que adianta, já já o Neno vai lá e faz um gol de novo.’ O Neno era fogo.”

Nesta hora o prof. Heriberto comenta:

“Mas ainda bem que acabou logo a partida e ficou 5×4 pra nós.”

E Cireno retruca:

“Mas peraí, a história agora é que vai ficar bonita!”

E continua:

“Eu ganhei bastante jogo, não foi só um que eu ganhei. Eu ganhei bastante, mas tem muitos que ninguém sabe da metade da missa, e eu nunca conto. Vou contar por quê? Vão dizer que eu sou mascarado, um boçal, um palhaço, estou contando porque estou aqui numa reunião… sei lá, estou ficando velho, daqui uns dia eu vou embora mesmo. E conto o que eu bem entender.”

Cireno conta como tirou Neno do Coritiba do jogo:

“Eu pensei: ‘Se eu tirar o Neno, eu ganho o jogo.’ E o juiz estava na entrada da área e o Neno ali do meu lado. E eu fui lá e disse pra ele: ‘AÊ BOI!’

(Chamar o Neno de Boi era mesma coisa que tirar o gorro do Belo.)

E o Neno me agrediu. E eu disse: ‘Aê Boi, não adianta você fazer gol lá porque eu faço lá, você sabe que eu faço mesmo, estou fazendo, fiz agora, está 5×4 e não tem mais quem ganhe o jogo.’ Ele veio e me deu um soco, eu saí fora. Ele me chutou, eu saí fora. E eu: ‘ÊEE BOI’.

O juiz chegou apitando: ‘Neno está expulso!’ Aí o juiz me diz: ‘E o sr. Cireno, também pode ir.’ E eu disse: ‘Mas seu juiz, o cabra quase me mata, me deu um soco se me acerta a cabeça, onde estava minha cabeça essa hora? E o chute? Quase me quebra as duas pernas. O juiz disse: ‘É! Mas você veio aqui provocar, você não tinha nada que vir aqui provocar ele. Está expulso, pode ir embora e não tem conversa.’”

A discussão do Capitão Manoel Aranha com Cireno

“E eu fui (pro vestiário). Naquele tempo, o refrigerante no jogo de futebol, era laranja descascada, com aquela parte branca por fora e tirava uma tampinha e chupava. Quando eu passei na frente (da torcida), vejam o que eu fiz (pra ganhar o jogo), vocês não estão que nem idiota? Porque torcedor de futebol lá dentro do campo quando o troço está pegando fogo é tudo idiota! Ficam não sei o que… Qualquer coisa que entra na cabeça do cabra. Será o que eu fiz? Fiz! A arquibancada inteira me alvejou com aquelas bolinhas.

‘SEU VAGABUNDO, FILHA DA MÃE, FILHO DO PAI.. NÃO SEI O QUÊ… SEU SEM VERGONHA É PRA ISSO QUE O CLUBE TE PAGA?’

E eu saí, de cabeça baixa. Quando cheguei no portãozinho, o presidente do Clube, Capitão Aranha, um baita de um homem, me diz: ‘É pra isso que o clube te paga, seu vagabundo?’

Aquilo me deu uma dor, uma dor que vocês não imaginam. Faltava 6/7 minutos pra acabar o jogo. Fui lá, tomei banho e tomando banho, pensava, será que vou pro Corinthians ou vou pro Vasco? Porque eu tenho duas chances pra ir. (Eu tinha estado no Corinthians, fiquei um mês treinando no Corinthians, quando cheguei aqui. E tinha estado no Vasco com os escoteiros lá em 39, o Vasco também quis ficar comigo me dava tudo que eu quisesse, eu é que não quis sair de casa, da casa dos pais. Estava no 3º ou 4º ano do Ginásio.”

O pedido de desculpas do Capitão Aranha a Cireno

“E eu estava lá me enxugando, quando eu escutei um baita de um barulho. Pensei, será que acabou ou alguém fez gol?

Já tombaram na porta, o segundo a entrar foi o Capitão Aranha, já me abraçou, me abraçou, chorou, pediu desculpas, e disse: ‘Eu vou parar com futebol porque eu não posso perder a linha como eu perdi hoje com você. Um homem em sã consciência não diz o que eu disse pra você. Você ganha o jogo e eu ainda te esculhambo, te chamo de vagabundo, vou parar!’ E parou.”

Prof. Heriberto complementa:

“Pediu demissão, logo depois, na hora da festa ele apresentou o pedido de renúncia dele.”

Cireno continua:

“Ganhamos de 5×4, depois fomos jogar a última lá em cima.”

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Confiram a história acima na voz de Cireno Brandalize:

O segundo jogo da final de 45

O segundo jogo da final foi na Baixada e o Atlético venceu por 5×4, como conta Cireno Brandalize:

Primeiro gol do jogo – Atlético 1×0 Coritiba

“O Lolô tirou uma bola e jogou pro Lilo, que pegou a bola, olhou pra mim, ameaçou, deu um passinho pra cá e foi pro meio do campo. E eu preguei-lhe o pé na estrada, começo de jogo, preguei-lhe o pé na estrada, passei pelo Tonico, que olhou pra mim e deve ter pensado:  ‘O Cireno enlouqueceu. ’ E eu passei correndo, de repente que eu olho e o Lilo vinha lá. Eu saí daqui, quando eu quis chutar, os caras me cercaram, não deixaram.

Então, o Lilo vinha entrando lá, eu fiz assim com o pé direito eu chutei pra ele. O Lilo sentou uma paulada, o goleiro se jogou, a bola bateu nele e subiu, passou da trave. E eu estava lá. O Lauro e o Fedatto correram, né!? A bola subiu, ia cair aqui e o goleiro passou pra lá. Eu embalei lá e subi, eu sabia pular.

(Eu joguei basquete, eu pulava, e fazia o gol, todos zagueiros com 1.86 pra cima, eu subia e fazia gol de cabeça. Se duvidarem podem ir lá em casa ver o jornal.)

Eu subi, cabeceei e os dois estavam ali, eu vim embalado, subi lá cabeceei, a bola tava ali e 55 segundos de jogo, eu fiz o gol no Atletiba.

A gente não se abraçava, nem nada, ficava sério e ia pro meio do campo cuspindo.”

Segundo gol do jogo – Atlético 2×0 Coritiba

“Aos 7 minutos, eu preguei-lhe o pé na estrada de novo. E saí, porque daqui a pouco a bolinha estava atrás de mim, estava correndo atrás de mim, então eu saí correndo. Quando eu entrei na área e chutei, o Lauro me imprensou, a bola subiu, o Lauro pôs um pé no chão pra não cair e eu não pus. E eu caí, bati com o pé assim, a rede estava pertinho, fiz segundo gol do Atlético.”

Terceiro gol do jogo – Atlético 3×0 Coritiba

“O terceiro gol do Atlético, numa jogada igual a essa de dar a bola e eu correr e depois ela chegar atrás, eu cheguei lá e não pude passar, dei pro Lilo, o Lilo sentou o pau como fez no primeiro e fez o gol. 3×0 aos 12 minutos, no Atletiba, na decisão do campeonato que nós não podíamos empatar e nem perder.”

Quarto gol da partida – Atlético 3×1 Coritiba

“Muito bem, então, aos 45 minutos o Babi, ponta-direita do Coritiba bateu um corner, o Neno era centro-avante eterno do Coritiba.”

Cireno abre um parênteses para falar de Neno, centro-avante do Coritiba.

“O Neno era jogador, ele não era bonito pra jogar, mas ele era forte, um italiano meio tarraco, forte, pulava bem, chutava bem de pé direito, pé esquerdo, mais ou menos. A bola batia na cabeça dele, no ângulo, no joelho, no cantinho, ele fazia assim, lá na gaveta, a bola dentro da área com Neno podia contar, 90% era gol. E tinha um cabrinha que punha a bola dentro da área pro Neno, era ligeiro, corria mais do que avião a jato. Podia fazer assim que… ele tinha medo, era meio medroso, mas ele bateu na bola se agarre que sai gol.”

E volta a contar do primeiro gol marcado pelo Coritiba:

“O Babi, ponta-direita do Coritiba, bateu o corner e o Neno cabeceou pra fora. E o Neno se desequilibrou e se agarrou no Augusto.”

(O Augusto também era um jogador do eterno Coritiba, mas naquele ano ele não acertou com o Coritiba e veio jogar no Atlético. Então fez a parede de beque, o trio de zaga era Caju, Zaneti e Augusto.)

“E nisso o juiz deu pênalti para o Coritiba. O Caju não queria deixar bater o pênalti, dizia: ‘Seu filho disso, seu filho daquilo, não vai bater.’

De repente, eu escutei uma ‘vozinha’ lá na arquibancada, era o Almir, filho do Alberto (Gottardi), me chamando. Ele disse: ‘Cireno, o Capitão Aranha (presidente do Atlético) disse que é pra deixar bater o pênalti.’ E eu fui lá dizer pro Caju:  ‘Caju, o Almir está ali e disse que é pra deixar bater o pênalti, que o Capitão disse que é pra deixar bater.’ Ele disse: ‘Quem é que disse?’ Eu disse: ‘O Capitão Aranha.’ Ele disse: ‘Como é que você sabe?’ Eu disse: ‘O Almir está ali, ele me contou.’ E o Caju estava ali, ligeiro que eu vou te contar. Aí deu ordem pra bater, bateu. Chutava que é uma barbaridade, gol! 3×1 e terminou o primeiro tempo.”

Intervalo de jogo

“Bom, fomos pro vestiário e começamos a combinar. ‘Olha, vamos fazer força porque o time deles não é ruim e não sei o quê.’ O Nilo está aí, estava de prova, se ele não reclamar é porque é verdade. Se ele não me desmentir é porque é verdade.”

Nilo Biazetto confirma a história.

Segundo tempo de jogo e o Coritiba empata

“Começou o segundo tempo, mas os dois times eram parelhos, eram iguais. E o Neno vai lá e faz mais um, 3×2. Daqui a pouco o Neno vai lá de novo e empata 3×3.”

Cireno abre mais um parênteses pra falar de Boluca:

“Bom, 3×3. Mas daí, o nosso centro-avante, que modéstia a parte, não é pra eu me gabar, mas era muito ruim, foi um dos piores jogadores com quem eu joguei, o Boluca. O Boluca era grosso. Eu saía correndo lá ele dava a bola aqui, eu saí correndo aqui, ele dava a bola lá. Me judiou, nos meus últimos tempos de Atlético lá.”

Nota do Blog: O Boluca a que Cireno se refere é o colunista da Tribuna do Paraná, Boleslau Sliviany que foi jogador do Atlético.

Sétimo gol da partida – Atético 4×3 Coritiba

“E nós continuamos fazendo força, fazendo força (enfatiza). Daí o Guará fez o 4º do Atlético.”

Oitavo gol da partida – Atlético 4×4 Coritiba

“E nós fazendo força e jogando o Coritiba pra trás e de repente, o Neno vai lá de novo e empata para o Coritiba, fez 4×4. O Neno marcou três gols naquele jogo.”

Nono gol da partida – Atlético 5×4 Coritiba

“Aos 37/38 minutos teve uma falta fora da área.Falta sou eu que bato, fui lá e peguei a bola, vim ali olhei a trave lá, a bola mais ou menos aqui, pé direito, pus a bola ali.

O outro disse: ‘Deixa que eu bato.’ Eu disse: ‘Não, você vai chutar lá e quebrar mais vidro no ginásio.’ Ele me disse: ‘E o teu chute não chega lá.’ E eu disse: ‘Mas vai no ângulo e entra.’ E ele me disse um nome feio. Eu disse: ‘Ah! Você foi lá e já voltou?’

O goleiro, ficou lá e fez a barreira aqui, eu ia bater aqui, porque eu sabia que eu fazia aqui. Eu não sabia que eu fazia lá onde eu fiz, mas daqui eu sabia que fazia. Quando eu fiz assim, de rabo de olho eu vi ele sair lá, eu bati daqui lá. Ah! Na hora que ele fez assim, já estava lá dentro. E fiz 5×4.”

A continuação dessa história merece um post à parte.