O início da carreira de Cireno

A infância de Cireno

“Eu era um guri, lá da cidade de Rio Uruguai (perto de Ponta Grossa), com dez anos fui morar em Marechal Mallet e lá eu jogava bola com a piazada. Tinha quatro times lá: o do Colégio dos padres, o dos Polacos, o do pessoal da Estação e outro lá. A gente jogava uma bolinha de meia e um senhor lá de Mallet, seo Francisco Auritio, nos viu brincando perto da linha da estrada de ferro da Estação. Ele perguntou pra um pessoal lá quem era aquela gurizada. Disseram pra ele que era a piazada da cidade. E ele resolveu dar uma bola de couro pra nós.

Nós estávamos em cinco guris, a gente tinha voltado do rio, nós tínhamos treinado e fomos tomar banho no rio. A piazada era batuta, tinha filho de turneiro e guarda-chaves (que trabalhavam na Estação Ferroviária) e mais uns guris do hotel que iam pegar mala na Estação.

Então, um dia ele apareceu com uma bolinha de couro nº 3, daquelas com costura ainda. Ele levou a bola vazia, até que eu consegui um cabo de bicicleta daqueles que tinha um biquinho pra encher a bola. Vocês tinham que ver a festa que a gurizada fez.”

Cireno jogador do Guarani de Ponta Grossa

“Com 14 anos eu fui morar em Ponta Grossa. Um dia eu estava jogando lá num campo aberto, onde eu vivia jogando e passou um rapazinho, meu colega, ele me disse: ‘Por que você não vai treinar no Guarani?’ Eu disse: ‘Mas eles não deixam.’ Ele disse: ‘Se você for comigo, eu sou do juvenil, eles deixam, vamos lá.’ Eu disse: ‘Então vamos.’

Eu fui lá, treinei, gostaram. E assim eu fui treinando no Guarani, deu uns 10 – 15 dias eu já era ‘dono’ do Guarani, eu já era o capitão do time e o guarda-bolas do juvenil. O seu Pilato era o center-half do time, um baita de um senhor, ele puxava madeira com um caminhão, forte, e jogava bola que vocês precisavam ver. Guardava a bola ali no meio mais do que vinte cachorros, ninguém passava por ele. Ele disse que ia me nomear o guarda-bola do 1º time. Disse que eu teria que engraxar a bola, passar um sebinho. Eu perguntei: ‘Mas onde é que eu arrumo o sebo?’ Ele disse: ‘Isso aí você tem que se virar.’ Mas depois ele disse: ‘Você vai lá no açougue tal que eles te arrumam.’

Eu ia lá e ficava olhando o primeiro time do Guarani treinar. E era longe da minha casa, dava uns 3km. De repente faltava um lá, e ele gritava: ‘CIRENO!’ Depois mais tarde me puseram um apelido lá, mas eu não vou dizer o apelido. Ele dizia: ‘Ô, Fulano! Cireno, o ponta-direita não veio.’ E me colocavam pra jogar. E assim ia, faltava um meia-direita, eu jogava. Centro-avante, meia-esquerda, e eu ia entrando no time em todas essas posições. E estava treinando já fazia um bom tempo, eu treinava mais na ponta-esquerda do segundo time. Eu treinava e jogava com o juvenil, mas treinava com o profissional também. Treinava a semana inteira.”

E foi assim que Cireno tornou-se jogador de futebol. Logo em seguida ele veio para o Atlético.

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