Cireno, cobrador de faltas

Cireno conta que certa vez foi cobrar uma falta, mas errou a cobrança e a bola foi parar no segundo andar, lá no ginásio. Obstinado que era, depois daquele dia ele passou a treinar a cobrança de faltas, e em todos os treinos procurava bater uma três ou quatro faltas.

Batia da risca da área, dois ou três metros pra fora da área. Quando a falta era do lado direito do campo, Cireno jogava o corpo para a esquerda chutava com o pé direito, mas no canto esquerdo. Quando a falta era do lado esquerdo, ele jogava o corpo para a direita e chutava com o pé esquerdo no canto direito. Desta maneira ele enganava o goleiro e procurava sempre acertar no ângulo.

Assim, Cireno ficou especialista em cobranças de faltas. Ele sabia como bater para que a bola entrasse. Cireno afirma que bateu 9 faltas na sua vida esportiva, errou a primeira, mas as outras 8 foram convertidas em gol.

Ele nos contou como foi a primeira falta que cobrou após ter errado aquela cobrança.

“O primeiro, eu errei e chutei lá no ginásio e não bati mais. Até que veio um jogo contra o Caxias. O Atlético perdia por 2×0 e o Caixas fez uma falta na meia-direita, fora da área e eu disse que ia tentar. Pensei, todo mundo chuta fora, se eu errar também não vai acontecer nada. Pus a bola ali e o goleiro fez a barreira ali, bem do jeito que eu queria. Pensei, chuto por fora da barreira lá no cantinho, eu faço. E o goleiro ficou lá, porque eu era ponta-esquerda, ele pensou que eu fosse chutar lá no cantinho. Ele fechou aqui e ficou lá. Eu fiquei de frente pra bola, mas não mostrando como eu ia bater.”

Cireno abre um parênteses falando de como são as cobranças de falta e de escanteio nos dias de hoje:

(“Porque hoje vão três jogadores, um vai bater com o pé direito, outro com o pé do centro e outro com o pé esquerdo, ficam três cercando a bola. Ao invés de colocar mais um dentro da área que se a bola sobrar é gol. Quanto mais gente tiver dentro da área, maior é a chance de fazer o gol. É quem nem corner quando têm 4 ou 5 cabeceadores, corner é um perigo, 50% é gol. Porque tanto faz, a oportunidade surge pra qualquer um.”)

Então ele volta a falar da falta que cobrou contra o Caxias:

“Então eu fiquei ali e ele ficou lá, fiquei sozinho ali e chutei direto na bola, o goleiro não estava esperando, ele pensou que porque eu era ponta-esquerda que eu ia bater de pé esquerdo. Quando o juiz apitou, eu saí pro lado esquerdo e bati com o pé direito e a bola entrou, o goleiro quase chegou na bola, mas ela entrou. Nessa hora, pensei: Eita, eu sou batedor de falta.

Deu mais uns 15 minutos, mais uma falta, só que do outro lado, na mesma posição da trave. Não tive dúvidas, peguei a bola e pus ali, eu já tinha feito um e ninguém reclamou. O juiz apitou, dei o passo com o pé direito e chutei com a esquerda, no ângulo. O alemão (goleiro) nem foi na bola, 2 gols, empatamos. Eu já fiquei bem feliz. Já no finalzinho do jogo, todo mundo acomodado com o 2×2. De repente, um bate-não bate, bate-não bate, uma bola bateu aqui, pensei, o que é que eu faço, pulei lá em cima, bati com o pé esquerdo no ângulo, fiz um GOLAÇO (enfatiza). E ganhamos o jogo por 3×2.

Foi assim que eu me tornei batedor de faltas.”

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