O segundo jogo da final de 45

O segundo jogo da final foi na Baixada e o Atlético venceu por 5×4, como conta Cireno Brandalize:

Primeiro gol do jogo – Atlético 1×0 Coritiba

“O Lolô tirou uma bola e jogou pro Lilo, que pegou a bola, olhou pra mim, ameaçou, deu um passinho pra cá e foi pro meio do campo. E eu preguei-lhe o pé na estrada, começo de jogo, preguei-lhe o pé na estrada, passei pelo Tonico, que olhou pra mim e deve ter pensado:  ‘O Cireno enlouqueceu. ’ E eu passei correndo, de repente que eu olho e o Lilo vinha lá. Eu saí daqui, quando eu quis chutar, os caras me cercaram, não deixaram.

Então, o Lilo vinha entrando lá, eu fiz assim com o pé direito eu chutei pra ele. O Lilo sentou uma paulada, o goleiro se jogou, a bola bateu nele e subiu, passou da trave. E eu estava lá. O Lauro e o Fedatto correram, né!? A bola subiu, ia cair aqui e o goleiro passou pra lá. Eu embalei lá e subi, eu sabia pular.

(Eu joguei basquete, eu pulava, e fazia o gol, todos zagueiros com 1.86 pra cima, eu subia e fazia gol de cabeça. Se duvidarem podem ir lá em casa ver o jornal.)

Eu subi, cabeceei e os dois estavam ali, eu vim embalado, subi lá cabeceei, a bola tava ali e 55 segundos de jogo, eu fiz o gol no Atletiba.

A gente não se abraçava, nem nada, ficava sério e ia pro meio do campo cuspindo.”

Segundo gol do jogo – Atlético 2×0 Coritiba

“Aos 7 minutos, eu preguei-lhe o pé na estrada de novo. E saí, porque daqui a pouco a bolinha estava atrás de mim, estava correndo atrás de mim, então eu saí correndo. Quando eu entrei na área e chutei, o Lauro me imprensou, a bola subiu, o Lauro pôs um pé no chão pra não cair e eu não pus. E eu caí, bati com o pé assim, a rede estava pertinho, fiz segundo gol do Atlético.”

Terceiro gol do jogo – Atlético 3×0 Coritiba

“O terceiro gol do Atlético, numa jogada igual a essa de dar a bola e eu correr e depois ela chegar atrás, eu cheguei lá e não pude passar, dei pro Lilo, o Lilo sentou o pau como fez no primeiro e fez o gol. 3×0 aos 12 minutos, no Atletiba, na decisão do campeonato que nós não podíamos empatar e nem perder.”

Quarto gol da partida – Atlético 3×1 Coritiba

“Muito bem, então, aos 45 minutos o Babi, ponta-direita do Coritiba bateu um corner, o Neno era centro-avante eterno do Coritiba.”

Cireno abre um parênteses para falar de Neno, centro-avante do Coritiba.

“O Neno era jogador, ele não era bonito pra jogar, mas ele era forte, um italiano meio tarraco, forte, pulava bem, chutava bem de pé direito, pé esquerdo, mais ou menos. A bola batia na cabeça dele, no ângulo, no joelho, no cantinho, ele fazia assim, lá na gaveta, a bola dentro da área com Neno podia contar, 90% era gol. E tinha um cabrinha que punha a bola dentro da área pro Neno, era ligeiro, corria mais do que avião a jato. Podia fazer assim que… ele tinha medo, era meio medroso, mas ele bateu na bola se agarre que sai gol.”

E volta a contar do primeiro gol marcado pelo Coritiba:

“O Babi, ponta-direita do Coritiba, bateu o corner e o Neno cabeceou pra fora. E o Neno se desequilibrou e se agarrou no Augusto.”

(O Augusto também era um jogador do eterno Coritiba, mas naquele ano ele não acertou com o Coritiba e veio jogar no Atlético. Então fez a parede de beque, o trio de zaga era Caju, Zaneti e Augusto.)

“E nisso o juiz deu pênalti para o Coritiba. O Caju não queria deixar bater o pênalti, dizia: ‘Seu filho disso, seu filho daquilo, não vai bater.’

De repente, eu escutei uma ‘vozinha’ lá na arquibancada, era o Almir, filho do Alberto (Gottardi), me chamando. Ele disse: ‘Cireno, o Capitão Aranha (presidente do Atlético) disse que é pra deixar bater o pênalti.’ E eu fui lá dizer pro Caju:  ‘Caju, o Almir está ali e disse que é pra deixar bater o pênalti, que o Capitão disse que é pra deixar bater.’ Ele disse: ‘Quem é que disse?’ Eu disse: ‘O Capitão Aranha.’ Ele disse: ‘Como é que você sabe?’ Eu disse: ‘O Almir está ali, ele me contou.’ E o Caju estava ali, ligeiro que eu vou te contar. Aí deu ordem pra bater, bateu. Chutava que é uma barbaridade, gol! 3×1 e terminou o primeiro tempo.”

Intervalo de jogo

“Bom, fomos pro vestiário e começamos a combinar. ‘Olha, vamos fazer força porque o time deles não é ruim e não sei o quê.’ O Nilo está aí, estava de prova, se ele não reclamar é porque é verdade. Se ele não me desmentir é porque é verdade.”

Nilo Biazetto confirma a história.

Segundo tempo de jogo e o Coritiba empata

“Começou o segundo tempo, mas os dois times eram parelhos, eram iguais. E o Neno vai lá e faz mais um, 3×2. Daqui a pouco o Neno vai lá de novo e empata 3×3.”

Cireno abre mais um parênteses pra falar de Boluca:

“Bom, 3×3. Mas daí, o nosso centro-avante, que modéstia a parte, não é pra eu me gabar, mas era muito ruim, foi um dos piores jogadores com quem eu joguei, o Boluca. O Boluca era grosso. Eu saía correndo lá ele dava a bola aqui, eu saí correndo aqui, ele dava a bola lá. Me judiou, nos meus últimos tempos de Atlético lá.”

Nota do Blog: O Boluca a que Cireno se refere é o colunista da Tribuna do Paraná, Boleslau Sliviany que foi jogador do Atlético.

Sétimo gol da partida – Atético 4×3 Coritiba

“E nós continuamos fazendo força, fazendo força (enfatiza). Daí o Guará fez o 4º do Atlético.”

Oitavo gol da partida – Atlético 4×4 Coritiba

“E nós fazendo força e jogando o Coritiba pra trás e de repente, o Neno vai lá de novo e empata para o Coritiba, fez 4×4. O Neno marcou três gols naquele jogo.”

Nono gol da partida – Atlético 5×4 Coritiba

“Aos 37/38 minutos teve uma falta fora da área.Falta sou eu que bato, fui lá e peguei a bola, vim ali olhei a trave lá, a bola mais ou menos aqui, pé direito, pus a bola ali.

O outro disse: ‘Deixa que eu bato.’ Eu disse: ‘Não, você vai chutar lá e quebrar mais vidro no ginásio.’ Ele me disse: ‘E o teu chute não chega lá.’ E eu disse: ‘Mas vai no ângulo e entra.’ E ele me disse um nome feio. Eu disse: ‘Ah! Você foi lá e já voltou?’

O goleiro, ficou lá e fez a barreira aqui, eu ia bater aqui, porque eu sabia que eu fazia aqui. Eu não sabia que eu fazia lá onde eu fiz, mas daqui eu sabia que fazia. Quando eu fiz assim, de rabo de olho eu vi ele sair lá, eu bati daqui lá. Ah! Na hora que ele fez assim, já estava lá dentro. E fiz 5×4.”

A continuação dessa história merece um post à parte.

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