Cireno e Nilo falam do seu trabalho fora do Atlético

Os jogadores daquela época não viviam do futebol, eles trabalhavam e estudavam além de jogar futebol. Grande parte eram funcionários públicos e tinham licença para sair para treinar e jogar.

Cireno conta como foi trabalhar na Caixa Econômica:

“Joguei 10 anos no Atlético e depois eu parei. Cheguei com 19 anos e parei com 30.

O Furacão me deu um monte de coisas, ALEGRIA. Jogando no Atlético eu fiquei gente. O grupo que o Atlético tinha, as pessoas que dirigiam o Atlético. Vou contar um pouquinho, devagar, mas vou contar umas coisas e vocês vão ver o que é o Atlético.

O Atlético tinha pessoas importantes, telefonavam pra um, telefonavam pra outro, quando via, a cidade inteira atleticana sabia das coisas. Não levou cinco minutos me arranjaram um emprego na Caixa. Era pra estagiar, porque a Caixa não aceitava funcionários sem fazer concurso. Eu fiquei 10 meses estagiando lá na Caixa, foi quando terminou a guerra, eu estava no exército, o Atlético já tinha me arranjado dois empregos, o primeiro na Nicolau Mäeder.”

Nilo Biazetto complementa:

“Eu fiquei muito feliz com a palestra do Cireno Brandalize, meu amigo, meu companheiro. Quando ele veio de Ponta Grossa eu já estava no Atlético, eu me lembro, ele era um menino, mas um menino travesso. Mas era um respeitoso, ele estudou muito, ele se formou em Direito, depois ele trabalhou na Caixa Econômica, graças ao Jofre Cabral e Silva.”

Nilo Biazetto conta da sua infância e do seu trabalho no Banco:

“Quando entrei no Atlético Paranaense eu era um simples filho de um homem que era carteiro dos Correios e que morava aqui no Ahú. Eu andei aqui nessa região* , eu andei descalço nessa rua, com uns 12 ou 13 anos. Eu não tenho vergonha de dizer, porque graças a Deus eu tive um bom pai e uma boa mãe que me ensinaram o caminho. E graças aos amigos e a sociedade que eu frequentava que era o Atlético Paranaense.

Eu saía do banco, umas 4 horas da tarde e ia treinar no Atlético às 5 horas e treinava até anoitecer, voltava e tinha o sr. Otávio de Andrada Coelho, me pegava na porta do Atlético Paranaense e me deixava na porta do Plácido e Silva, que era a faculdade da época. Ele dizia: ‘Nilo se você estudar, você vai ser como eu, se não estudar você vai ser um vagabundo como os outros.’ E eu aprendi essas coisas.”

* Nilo Biazetto se refere à rua Mateus Leme onde o encontro foi realizado.

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