12º Encontro do Círculo de História Atleticana

Dando continuidade aos encontros sobre a história da Torcida Organizada Os Fanáticos convido a todos para o 12º Encontro do Círculo de História Atleticana.

Data: 08/04/2010 (quinta-feira)
Horário: das 19 às 22 horas
Local: Artha – rua Mateus Leme, 2823 – São Lourenço

Tema:
A história da Torcida Organizada Os Fanáticos – 2ª parte

Convidados:

José Carlos Belotto
(Presidente da Fanáticos entre 1994 e 1999)

Prof. Heriberto Ivan Machado
(Historiador do Clube Atlético Paranaense)

Confirmação de presença:

Para participar do encontro é indispensável a confirmação de presença por e-mail (circuloatleticano@yahoo.com.br) até 07/04/10, véspera do encontro.

As vagas são limitadas. Não há custo para participação.

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1980 e o Torneio da Morte

1980 foi mais um ano de vacas magras para o Atlético, o time não ficou entre os 8 que se classificavam para a próxima fase e precisou disputar o Torneio da Morte. Neste torneio o Atlético classificou-se em primeiro lugar, dentre os quatro que teriam direito a disputar a próxima fase.

As coisas eram difíceis para o Clube, não fosse a ajuda financeira dos diretores da época, o Atlético não teria dinheiro para nada. A torcida passava por um momento semelhante, cheio de dificuldades. As coisas eram feitas meio que na cara e na coragem, com a ajuda de um e de outro.

Os materiais da torcida (bandeiras, instrumentos etc) eram guardados na casa do Belotto e no dia de jogo eram levados para a Baixada de carro.  Era sempre uma aventura levar um monte de bandeiras e instrumentos em dois carros.

No final do ano as coisas melhoraram e a torcida conseguiu uma salinha na Baixada para guardar o material. Sala que foi conseguida graças a ajuda de Rui Carlos Ribeiro que era funcinário do clube e um dos fundadores do ETA.

Entrada de Renato Sozzi na torcida (1979)

A Fanáticos começou numa época em que o Atlético ia muito mal em campo. O Clube não tinha dinheiro e a torcida menos ainda.  E foi bem nesta época que Renato Sozzi entrou para a torcida, sempre com vontade de ajudar e de participar ativamente das coisas.

Nelson Rosário, o Carneirinho, disse que no início a ideia era não era uma torcida com diretoria e sim um grupo de pessoas que se reunissem para torcer, era uma ideia meio anarquista.

Como dito inicialmente, a torcida mal tinha começado e já estava em crise. Sendo assim foi feita uma reunião de emergência na casa da vó do Belotto, nela estavam presentes: Cabeça, Buffara, Priva, Zé Luis, Maucir, Luís, Mário Japonês, Nelson Carneirinho, Américo Vespúcio, Daniel, Sueli, Renato Sozzi e Maurício. Essa reunião tinha como objetivo colocar fim na torcida, pois ninguém tinha dinheiro para tocar as coisas.

Após muita conversa, o Belotto numa última tentativa propôs que alguém assumisse a frente da torcida, para quem sabe assim a torcida poder continuar. Nessa hora Renato Sozzi num ímpeto resolveu assumir a presidência da torcida, tendo ao seu lado como vice, Mário Japonês. E foi assim que Renato Sozzi tornou-se o primeiro presidente da Fanáticos.

A charanga e a primeira camisa (1978)

A torcida (Os Fanáticos) surgiu no final de 1977, boa parte do pessoal era de jovens que queriam fazer algo pelo Atlético, mas não tinham condições financeiras de fazer muita coisa. Para fazer uma festa mais bonita viram a necessidade de ter uma charanga. Fizeram uma lista de prioridades e levaram até Antônio Guimarães Lück, presidente do Atlético na época. Ele entendeu as necessidades e solicitou aos conselheiros do Clube que ajudassem à nova torcida. E foi assim que a Fanáticos conseguiu a sua primeira charanga.

Neste ano também surgiram as primeiras camisas da Fanáticos, camisetas pretas com um bordado nas costas com o escrito: Os Fanáticos. Devido à pouca grana, era isso que eles podiam ter. Renato Sozzi conta que quando participavam de encontros com as outras torcidas sentiam-se meio envergonhados, pois as outras torcidas pelo Brasil afora tinham materiais bacanas e eles tinham camisetas simples.

A fundação da Fanáticos – 1977

Com a extinção do ETA (Esquadrão da Torcida Atleticana) no primeiro semestre de 1977, o Atlético ficou sem uma representatividade mais organizada como torcida, digamos assim. Criada essa lacuna, um grupo de jovens torcedores uniu forças para que o Atlético continuasse a ter um apoio efetivo nas arquibancadas.

E foi assim que Mauro “Gordo”, Marcos, Francisco, Sig e Nelson (Carneirinho) se encontraram dentro do próprio estádio com ideias de lançar algo novo. De início cada um trouxe sua própria bandeira e juntos fizeram a primeira faixa. Ela era preta com letras em branco, com a escrita: OS FANÁTICOS.

No primeiro jogo com a faixa, somente dois deles puderam ir. Lá encontraram outra torcida que também estava surgindo, a TORCIDA JOVEM, com uma faixa vermelha com as letras em preto. Resolveram convidá-los para participar da OS FANÁTICOS. Cortaram o TORCIDA da faixa da Jovem e costuraram à faixa que tinha OS FANÁTICOS, formando assim TORCIDA OS FANÁTICOS, numa faixa de um lado vermelho e preto e do outro preto e branco.  A partir disso passaram a fazer parte do grupo: Maucir, Luís e Giovane.

No dia 24 de outubro de 1977, num jogo contra o Brasília, no Couto Pereira, foi oficialmente lançada a TORCIDA OS FANÁTICOS. Cada um levando de casa sua bandeira e um pacote de talco para a festa nas arquibancadas.

Depois disso, cada jovem torcedor que aparecia na arquibancada portando uma bandeira era convidado a integrar a torcida que estava surgindo. E assim novos integrantes somados ao grupo, como Buffara e Marcelo, entre outros.

A história de Renato Sozzi na Fanáticos

Renato Sozzi nasceu em berço atleticano, sua família inteira era atleticana. Com orgulho mostra a carteirinha de diretor do Atlético de seu pai, datada de 1953, tempo de vacas magras. Renato conta que em sua casa tinha vários pôsters do Atlético, ou melhor, tinha tudo do Atlético. Sua avó tinha o costume de ouvir os jogos e todos os comentários da rodada num rádio de válvula. Nos domingos na sua casa só se falava no Atlético.

Com esse histórico atleticano, Sozzi tinha o sonho de ajudar o Atlético participando ativamente de alguma coisa, como já haviam feito seu pai e avós. Ele via o ETA (Esquadrão da Torcida Atleticana e já tinha uma admiração. Via a torcida levando saquinhos com papel picado e passava a semana inteira picando papel pra levar pro estádio domingo.

E foi assim, com essa vontade de participar das coisas que Renato Sozzi tornou-se o primeiro presidente da Torcida Organizada Os Fanáticos, onde ficou presidente de 1979 até 1994.