1985 – Despedida da Baixada

1985 foi um ano difícil, primeiro o coxa é campeão brasileiro, mesmo que com saldo negativo de gols. Depois foi a nossa despedida da Baixada. O jogo que marcou a despedida da Baixada foi o último jogo do campeonato paranaense, no dia 10/11 contra o Londrina, o Atlético venceu por 3×0.

Renato Sozzi conta como foi aquele dia:

“A polícia queria resolver com a gente (torcida) como faríamos a festa do título de 85. E nós tínhamos levado um monte de foguetes. E a polícia nos liberou pra entrarmos com alicates, pra cortar o alambrado, pra que o pessoal pudesse invadir o gramado pra comemorar. Só que eles nunca pensaram é se o Atlético não tivesse ganho de 3×0, tivesse perdido ou empatado o que íamos fazer com aqueles alicates.”

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O torcedor Renato Basso entrou em contato com o blog do Círculo de História Atleticana e mandou algumas fotos desse momento da torcida atleticana invadindo o gramado da Velha Baixada. Percebam o alambrado já meio cortado para facilitar a entrada em campo.

Foto: Renato Basso

Aqui o torcedor pulando pra dentro do gramado.

Foto: Renato Basso

Atletiba das Faixas, Atletiba das torcidas

O Coritiba havia sido Campeão Brasileiro e o Atlético Campeão Paranaense. Por esse motivo, as diretorias de ambos os clubes marcaram um Atletiba amistoso de entrega das faixas.

As torcidas organizadas dos dois clubes resolveram marcar um amistoso entre si. Como contou Renato Sozzi.

“O Luís Fernando da Jovem (do Coritiba) me ligou e disse: ‘Renato, já que o Atlético e Coritiba vão fazer o Atletiba das faixas no Couto, nós podíamos fazer um Atletiba das torcidas organizadas na preliminar, que acha?’ Eu topei na hora.

Reuni ali a moçada boa de bola e mais uma malocada, afinal íamos jogar com os coxas no Couto Pereira. Fazia fila na Baixada, de gente querendo se escalar pro time. Fui lá e falei com o Nilson Borges que nos emprestou todos os calções, camisas, chuteiras. Mas teve gente que chegou com aquelas chuteiras de trava de ferro enormes, pontudas, dizendo: ‘Eu jogo com a minha artiheira’.

Antes do jogo, eu pensei, vai dar M**** isso. E pra dar um caráter de coisa oficial, eu fui na Federação Paranaense e contratei um juiz e um bandeirinha.

Chegamos no dia do jogo, fomos pro vestiário e tudo. A galera estava bem louca pra jogar. Entramos em campo, e eu vi o Luís Fernando lá das arquibancadas gritando e me chamando. Olhei pra ele: ‘Ué cara, vocês não vão jogar com a gente?’ Ele respondeu: ‘O Evangelino não deixou a gente entrar em campo.’

E nós entramos no vestiário, entramos em campo, fizemos a festa e o Evangelino não deixou os coxas entrarem nem no vestiário deles. Aí a torcida inteira do coxa levantou e começou a gritar pra ele: ‘Bunda mole! Bunda mole!’

Aí eu chamei o juiz e disse: ‘Não vai ter W.O. aqui, nós vamos jogar, nem que seja contra o senhor mesmo, faz favor de apitar esse negócio aí.’ Ele apitou, e nós fomos os 11 com a bola em direção ao gol. Depois demos a volta olímpica no estádio. E voltamos pro vestiário, a maior festa.”

13º Encontro do Círculo de História Atleticana

Data: 29/04/2010 (quinta-feira)
Horário: das 19 às 22 horas
Local: Artha – rua Mateus Leme, 2823 – São Lourenço

Tema:
O bicampeonato de 82/83 e o Brasileiro de 1983

Convidados:

Washington César Santos
(Atacante do Atlético em 1982, 1983 e 1991)

Prof. Heriberto Ivan Machado
(Historiador do Clube Atlético Paranaense)

Confirmação de presença:

Para participar do encontro é indispensável a confirmação de presença por e-mail (circuloatleticano@yahoo.com.br) até 28/04/10, véspera do encontro.

As vagas são limitadas. Não há custo para participação.

1984 – Primeira comemoração de aniversário

Relacionamento com a diretoria

Com a entrada de Valmor Zimmermann na presidência do Atlético, a torcida passou a ter um relacionamento mais próximo da diretoria do Clube.

A possível união com a Guerrilheiros

Em 1984 cogitou-se a possibilidade da Fanáticos unir-se a torcida Guerrilheiros da Baixada. Marcou-se uma reunião para discutir a união que quase foi concretizada. Não fosse o voto contra de Nelson Carneirinho, que puxou outros votos contra, a união teria se concretizado. No ano seguinte, a torcida Guerrilheiros da Baixada acabou, e a Fanáticos segue até hoje.

Nação Rubro-Negra

Neste ano a torcida Nação Rubro-Negra encerrou suas atividades e doou seus materias à Fanáticos. Também foi doada uma kombi que era da Nação, coisa que ajudou muito a Fanáticos a ter um veículo para levar os materiais para os jogos. Essa kombi posteriormente foi apelidade de Kid Bala.

Em retribuição a Fanáticos passou a adotar o coração, símbolo da Nação, em sua camisa.

Primeira comemoração de aniversário

Aos sete anos de vida, a Fanáticos fez sua primeira festa de aniversário que foi marcada por um churrasco e por um bolo feito pela Sueli.

Entrada de Julião na torcida

No final deste ano, foi que Julião passou a fazer parte da torcida, trazido pelo seu amigo Gerson. Sua entrada na torcida ficou marcada por uma viagem para ver um jogo no interior.

1983 – O recorde de público

Aquele time que começou a se desenhar em 1982 com Roberto Costa, Renato Sá, Washington e Assis foi a sensação do Campeonato Brasileiro de 1983, alcançando um 3º lugar.

O jogo da semifinal contra o Flamengo marca até hoje o recorde de público do estádio Couto Pereira. 67.391 pessoas estiveram presentes naquela partida histórica, sendo a maior parte de atleticanos. Infelizmente, faltou um gol para que o Atlético passasse adiante na competição e fosse até a final.

Atlético 2x0 Flamengo, tinha gente até nas torres de iluminação

Primeiras viagens pelo Brasil

Com a boa campanha atleticana no Campeonato Brasileiro daquele ano, a torcida Os Fanáticos passou a viajar mais para acompanhar o Atlético.  Uma viagem que marcou foi a ida para São Paulo, nas quartas-de-final contra o São Paulo.

Na maior loucura a torcida saiu de Curitiba com apenas quatro dos sete ônibus pagos, com o combinado de que pagariam os demais aos motoristas em São Paulo. Isso sem ter a menor ideia de como conseguiriam dinheiro para isso.

Na chegada a São Paulo, a Gaviões da Fiel recepcionou a caravana atleticana em sua sede e se juntou ao grupo rumo ao estádio. Lá o Atlético venceu o jogo por 1×0 com gol de Assis. Foi um momento de muita comemoração, até que Renato Sozzi se dá conta de que ainda havia três ônibus a serem pagos. No desespero ele e mais outro integrante da torcida foram até os vestiários procurar algum dirigente que ajudasse a pagar os ônibus. Encontraram o Farinhaque, que junto de Osni Pacheco e Valmor Zimerman providenciaram o dinheiro que faltava. Com os ônibus pagos, rumaram para a av. Paulista invadindo o território paulista em festa rubro-negra.

Bicampeão Paranaense

No segundo semestre, mesmo desfalcado dos ídolos Washington e Assis que foram para o Fluminense, o Atlético sagrou-se bicampeão paranaense. Sem o famoso casal 20 coube ao garoto Joel os gols na final em cima do rival Coritiba. (Atlético 1×0 Coritiba e Coritiba 1×1 Atlético)

1982 – O primeiro título

Desde a fundação da torcida em 1977 o Atlético não havia sido campeão, isso só foi acontecer em 1982. Naquele ano com um grande time sob o comando de Geraldino Damasceno o Atlético ficou invicto por 26 rodadas, conquistando o título em cima do Colorado.

Esse título foi muito festejado pela torcida. Naquele tempo havia distribuição de chope pela diretoria e as festas aconteciam no Ginásio do Atlético.

Curiosidades:

O zorro londrinense

Numa excursão para Londrina, a diretoria da torcida estava num ônibus muito ruim que não passava de 30 km por hora. A certa altura da viagem, um dos integrantes do ônibus viu um cavaleiro na rodovia e gritou: “Aí, zorro!”

Pra quê? Ele emparelhou com o veículo e começou a dar coronhadas em sua lateral. Todo mundo se jogou no chão. Logo mais, como seu cavalo era mais rápido que o ônibus, ele passou à frente do motorista e deu três tiros para o alto.

Depois dessa todos passaram a acreditar que o Zorro existe e que mora à caminho de Londrina.

Pão velho para o Colorado e o Azizebrão

Um dia antes do jogo com o Colorado o pessoal da torcida foi a várias panificadoras pedindo pão velho, juntaram mais ou menos uns 50 sacos. No jogo, era a torcida inteira jogando os pães velhos pro lado dos colorados e gritando: “ADO ADO PÃO VELHO PROS FAVELADOS!”

Aquilo gerou uma repercussão negativa na imprensa que criticou muito a torcida atleticana.

No jogo do segundo turno, em resposta ao ato proporcionado pela Fanáticos, o então dirigente colorado Aziz Domingos mandou dezenas de garotas uniformizadas jogarem flores para a torcida atleticana.

Porém, o mesmo Aziz Domingos estava na época envolvido em escândalos da máfia loteria esportiva. E a torcida atleticana não deixou por menos. Fizeram uma alegoria perfeita de uma zebra, com uma placa no pescoço com o escrito AZIZEBRÃO. E o Nelson Carneirinho foi pro estádio vestido de zebra, acabando com a tentativa de Aziz de ridicularizar a nossa torcida.

Presenças do 12º Encontro do Círculo de História Atleticana

Tema:
A história da Torcida Organizada Os Fanáticos – 2ª parte

Organização:

Milene Szaikowski

Convidados:
José Carlos Belotto
(Presidente da Fanáticos entre 1994 e 1999)

Prof. Heriberto Ivan Machado
(Historiador do Clube Atlético Paranaense)

Milene - prof. Heriberto - Belotto

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Demais participantes:

Américo Agostinho Rodrigues Weber
Carlos Eduardo Neves Mayer
Erani Regina Albuquerque
Fábio Di Stefano Freitas
Fábio Mandryk Ferreira
Iara Maria M. de Andrade
Marcos Lima Sebrão
Marcos Sebrão
Nelson Rosário de Souza
Rafael Luís Macedo
Rodrigo Salgado Augustinho

Participantes do 12º encontro do Círculo de História Atleticana

1981 – Shows nas arquibancadas

Apesar de todas as dificuldades financeiras nunca faltou criatividade e força de vontade para que a Fanáticos fizesse belas festas nas arquibancadas. Com a cara e a coragem os torcedores iam atrás de doações de bambus para as bandeiras, de talco e de papel higiênico. Nos dois últimos itens eram ajudados por dois atleticanos, Bento Chimelli, dono de uma pedreira em Rio Branco do Sul colaborou por muitas vezes com o talco. E Vanderlei Micheletto da Mili, doou muitos e muitos fardos de papel higiênico. Outra figura que muito ajudou a torcida nessa época foi Valmor Zimermann que emprestava um de seus caminhões para que os torcedores fossem buscar os materiais.

Não bastasse ter que ir atrás das doações desses materiais, depois havia o trabalho de ensacar os milhares de saquinhos plásticos com talco. Dado ao grande trabalho envolvido, todo esse espetáculo nas arquibancadas ficava para os jogos maiores, que nesta época aconteciam sempre no Couto Pereira.

Nesta época a grande rivalidade da Fanáticos era com  Torcida Jovem do Coritiba e com  TOC do Colorado.