Participantes do 14º encontro do Círculo de História Atleticana

Data: 20/05/2010
Horário: das 19 às 22 horas
Local: Artha – rua Mateus Leme, 2823 – São Lourenço

Tema:
A história da Torcida Organizada Os Fanáticos – 3ª parte

Organização:

Milene Szaikowski

Convidados:

Julio César Sobota (Julião)
(Presidente da Fanáticos de 1999 até agora)

Prof. Heriberto Ivan Machado
(Historiador do Clube Atlético Paranaense)

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Demais participantes:

Caio Derosso
Carlos Eduardo Neves Mayer
Cristiano Morilha Rebelo Dias Roche (TOF)
Cristian Toledo
Daniel Loures Martins
Fabio di Stefano
Fábio Mandryk Ferreira
Henrique Cardoso dos Santos
Iara Andrade
Jacob Baulhout Junior
Juliano Rodrigues  (TOF)
Kléber Assunção
Marcos Lima Sebrão
Mauro da Silva Leme
Nelson Rosário de Souza
Rafael Luís Macedo
Rafaela Bettes Samways
Rodrigo Salgado Augustinho
Roney Cesar de Oliveira

Os goleiros do início dos anos 70

Cinco goleiros em 1970

Só no ano de 1970 o Atlético teve cinco goleiros. Começou com Zé Augusto que era goleiro do Primavera, um bom goleiro mas que estava em fim de carreira. Como o Atlético perdeu as três primeiras partidas, a culpa caiu em cima dele.

Aí colocaram o Valdomiro que também não serviu. Nesse meio tempo foram buscar o Benício no São Paulo, mas bastou uma falha num Atletiba para que ele não vingasse na meta rubro-negra. Teve também o Lourival.

Então trouxeram o Vanderlei, de Santa Catarina. Era um excelente goleiro, um dos grandes goleiros que o Atlético teve, fechou o gol. Justamente por isso ele se destacou e o São Paulo o levou.

Rubens

Em 1971, o Atlético trouxe Rubens, um bom goleiro. Cuja história o prof. Heriberto já havia contado num outro encontro. Clique aqui para ler.

Picasso

Em 1972, foi contratado Picasso, que estava em fim de carreira no São Paulo. Mesmo assim, era um extraordinário goleiro, fechou o gol num dos melhores times da história do Atlético. (Picasso, Claudio Deodato, Di, Alfredo e Julio, Valtinho e Sérgio Lopes, Buião, Sicupira, Paulo Roberto, (Tião Quelé que jogou algumas) e Nilson.

A chegada de Altevir no Atlético

E no final de 1972, o Atlético contratou o jovem goleiro Altevir, de quem falaremos melhor nos próximos posts.

1973

Neste ano, o Atlético trouxe Gainete em fim de carreira e Neuri que era do Palmeiras. E Altevir era o terceiro goleiro, reserva desses dois.

Num Atletiba, Gainete entrega o ouro, ao pegar a bola e tentar sair jogando, ela bate no peito de Aladim, na risca da grande área o atacante coritibano não perdeu a chance e marcou o gol. Numa época que perder um Atletiba era praticamente um crime, Gainete foi mandado embora.

1974

Então, em 1974 Altevir ganhou a titularidade e permaneceu no Atlético até 1977.

Os goleiros dos anos 60

Na década de 60, mais uma vez o Atlético teve uma sucessão de trocas de goleiros.

Valdomiro

Começou com o polaco Valdomiro que era um piazão. Ele jogou alguns anos no Atlético, depois foi pro Coritiba, aí voltou para o Atlético e posteriormente foi para o Flamengo.

Voltou em 1970, jogou umas 3 ou 4 partidas, mas não foi bem e logo encerrou sua carreira.

Celso, o Cajuzinho

Celso Gottardi, filho de Caju, era conhecido como Cajuzinho. Não era um mau goleiro, mas a sombra do pai acabou por fazer com que ele não desse continuidade à carreira.

Marco Aurélio

De 1961 a 1963, passou pelo time o goleiro Marco Aurélio. Que junto do Valdomiro foi para o Flamengo. Ele era um estilista, um voador.

Gil

O Gil era meio baixinho, mas era um bom goleiro. Ficou no Atlético de 1963 até 1970. Mas, para o pessoal da época parece que faltava algo ao Gil, pois sempre estavam em busca de outro goleiro.

1965 a 1969

Nesses anos o Atlético teve Paulo Roberto (1965), Hamilton (1966), Nilson (1967), Muca (1968) e a volta de Silas (1969)

Os goleiros dos anos 50

Ivan

Ivan – O cachorro louco

Ivan começou a jogar nos juvenis do Atlético nos anos 40. E no começo dos anos 50 passou a ser titular do time principal.

Era um bom goleiro, não chegava a ser extraordinário, mas era um bom jogador. Tinha o apelido de Cachorro Louco.

Foi suspenso por 12 partidas por uma briga com um árbitro, e assim praticamente encerrou sua carreira.

Silas

Silas

Depois de Ivan, o Atlético contratou Silas que ficou como titular de dois pra três anos. Por se destacar no Atlético, logo foi contratado pelo Santos.

Pianowski

Em 1955, foi contrado o goleiro Pianowski que era do Ferroviário. Mas, ele não se firmou, pois ficou marcado por uma falha quando defendia a Seleção Paranaense.

William

Em 1956, o Atlético trouxe o William que ficou no clube até 1960 e depois foi para o Coritiba. Era um bom goleiro e foi campeão em 1958.

Altevir nos contou que a primeira vez em que ele viu o Atlético jogar, William era o goleiro.

Laio, a Fortaleza Voadora

Os anos 40 foram marcados pelo estilo arrojado de Laio. Ele não tinha a colocação de Caju, mas era de uma elasticidade incrível. E isso era característica de seu estilo de jogo, um goleiro que voava, por isso a Fortaleza Voadora. Laio saltava de um canto ao outro do gol.

Foi um goleiro de muito sucesso, também tendo sido titular da Seleção Paranaense por muitos anos.

Era o goleiro titular do Furacão 49, tendo atuado em todas as partidas do Campeonato Paranaense daquele ano. Caju jogava apenas amistosos, pois já estava encerrando a carreira.

Alfredo Gottardi, o Caju

Alfredo Gottardi poderia ser apenas o irmão mais novo do goleiro Alberto. Mas, o jovem Caju, estreou em 1933 já causando uma ótima impressão a quem o via jogar. E no ano seguinte, com 18 pra 19 anos já foi convocado para a Seleção Paranaense para disputar o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Campeonato que tinha uma tremenda importância na época, foi disputado entre 1922 e 1962.

No Atlético, Caju jogou de 1933 a 1949. Porém, nesses anos todos, nunca teve o contrato de profissional. Por escolha própria, ficou todos esses anos como amador. E por essas coisas, tinha épocas que ele não jogava no time profissional. Tanto é que 1944 foi campeão do time amador, jogando como centro-avante. De 1937 a 1939 jogou pouquíssimos jogos, sendo o dr. Lauro Rego Barros o goleiro do time. De 1942 a 1949, Laio jogou boa parte dos jogos. Mas, em dia de Atletiba, Caju chegava no vestiário, botava sua camisa e dizia que ia jogar. E ele entrava e fechava gol, e assim, o Atlético vencia o Atletiba.

Mesmo os torcedores de outros times diziam, Caju foi o melhor goleiro que já apareceu no estado do Paraná, um mito, um exímio goleiro.

O estilo de Caju

Caju não era um goleiro estiloso, de saltar e voar nas bolas. Ele extremamente bem colocado, onde o atacante chutasse a bola, lá estaria Caju para defendê-la.

Prof. Heriberto conta que quando Caju saía nas bolas cruzadas na área, ele encaixava a bola perfeitamente. E que há várias fotos que mostra ele no ar, com a bola encaixada, com os quadris na altura da cabeça do zagueiro.

A Majestade do Arco

Devido a sua atuação no Campeonato Brasileiro de Seleções, em 1942, o técnico Ademar Pimenta convocou Caju para a Seleção Brasileira para disputar o Torneio Sul Americano no Uruguai. Tal fato irritou os torcedores paulistas que queriam Jurandir do São Paulo na Seleção.

Mas, nesse Torneio, Caju impressionou os gringos que o elegeram como o melhor goleiro do Campeonato. E foi lá no Uruguai que ele ganhou o apelido de A Majestade do Arco.

A estreia dos refletores em General Severiano

Em 1948, o Atlético foi convidado para estreia dos refletores de General Severiano, estádio do Botafogo. E no contrato os botafoguenses exigiram a presença de Caju no gol.

Já tinha dois anos que Laio era o titular. Mas, Caju foi lá, jogou e fechou o gol, num jogo que deu 0x0.

Caju em 1944

Alberto Gottardi

Alberto Gottardi

Alberto jogou no Atlético de 1928 a 1933, quem o viu jogar diz que foi o melhor goleiro que passou pelo Atlético. Melhor até mesmo que seu irmão mais novo, Caju, que o substituiu.

Além de um grande goleiro, Alberto foi um grande atleticano, dedicou toda sua a vida ao Atlético Paranaense. Começou como goleiro e quando parou de jogar, passou a cuidar da roupa do time e do gramado, era roupeiro e jardineiro. Trabalhou no Atlético até morrer, morava do lado da Baixada, vivia pelo Atlético.

Uma das histórias mais curiosas que envolve Alberto Gottardi é o cuidado que ele tinha com o gramado. Certo dia, após um dia inteiro de chuva, o time chegou pra treinar e encontrou o campo da Baixada fechado. Os jogadores foram bater na casa de Alberto pedindo pra que ele abrisse o campo. E ele foi curto e grosso: “Hoje não vai ter treino. Choveu ontem e hoje ninguém pisa no gramado!”

Como não adiantava tentar discutir com Alberto, os jogadores foram procurar o presidente do Atlético, que mandou chamar Alberto para lhe ordenar que abrisse o estádio para que o time pudesse treinar. Mesmo assim, ele não quis nem saber e disse ao presidente: “O senhor manda no Clube, no campo mando eu! E hoje não tem treino!”

Não teve jeito, o time foi pra praça treinar, mas no gramado da Baixada ninguém pisou.

De 1933 até 1979 Alberto Gottardi cuidou do gramado da Baixada como ninguém, além de cuidar das roupas dos jogadores, lavava e deixava tudo em ordem para que o time pudesse treinar e jogar. Como se não bastasse, em 1967, junto do irmão Caju comandou a reforma de ampliação da Baixada. Eles colocavam a mão na massa, assentavam tijolos e comandavam os pedreiros.

Junto dele estavam sempre seus filhos, que também jogaram no Atlético. Rui, o mais famoso deles, era o meia-direita do Furacão 49. Rui era um meia ofensivo que marcou 65 gols jogando como meia. Aldir, jogou como meia nos anos 60, hoje é enfermeiro. E Almir, ponta-esquerda que não chegou a ser profissional.