1987 – Primeiro congresso de torcidas organizadas

Neste ano aconteceu o Primeiro Congresso Nacional de Torcidas Organizadas, como contou Renato Sozzi no 9º Encontro do Círculo de História Atleticana:

“Em 1986 começou uma época de grandes brigas entre torcidas organizadas, principalmente no estado de São Paulo. As brigas que tínhamos aqui com a Jovem e Mancha Verde, não era nem parâmetro. Força Jovem (Vasco) e Mancha Verde (Palmeiras) contra Gaviões (Corinthians) e Torcida Jovem (Flamengo) e aí começaram todas as brigas do Brasil. Como a coisa estava começando a ficar feia foi feito um Congresso Nacional de Torcidas Organizadas lá no Maracanãzinho. Todas as torcidas organizadas do Sul do Brasil foram convidadas. E e o Julião fomos representando a Fanáticos, daqui do Sul ninguém mais foi.

O congresso foi bem bacana, Zico e Arnaldo César Coelho deram palestras. Nós não tínhamos nem camisa da torcida, nossas camisas eram camisetas da Hering, enquanto as outras torcidas já tinham uniformes oficiais.

Esse Congresso foi um aprendizado pra nós, lá conhecemos toda a estrutura das torcidas organizadas e os grandes líderes. A partir daí todas as torcidas que vinham a Curitiba vinham até a Sede d’Os Fanáticos. Depois desse Congresso a Fanáticos cresceu, passou a se organizar melhor e viajar muito mais.”

Na volta desse congresso, a Fanáticos propôs um debate as demais torcidas organizadas do Paraná sobre o que havia sido discutido no Rio de Janeiro.

Respeito da Gaviões da Fiel

A Fanáticos mesmo sendo uma torcida relativamente jovem já tinha o respeito de grandes torcidas do Brasil, como relatou Renato Sozzi:

“Eu fiquei hospedado num hotel lá no Rio de Janeiro, no mesmo quarto do Flávio La Selva, que era o fundador da Gaviões. O Flávio tinha um respeito muito grande pelo ETA e pela nossa torcida. Ele me disse: ‘Renato, a torcida de vocês é a que mais cresce no Brasil.’ Eu disse pra ele: ‘Nós estamos tentando fazer alguma coisa diferente. O Atlético tem que arrumar a sua história.’

Ele me disse: ‘Não, Renato, a torcida de vocês é uma coisa diferente do Atlético. O Atlético não existe no Brasil, a torcida de vocês que é existe. Ninguém conhece o Atlético no Brasil, se você perguntar do Atlético no Nordeste ninguém sabe quem é, a Fanáticos já estão conhecendo. E vocês são uma torcida querida, todo mundo gosta d’Os Fanáticos. O dia que o Atlético começar a ser grande, disputar títulos, ninguém mais vai gostar do Atlético e nem d’Os Fanáticos.’ E ele falou pra mim que a partir daquele dia ele ia colocar no estatuto da Gaviões que a Torcida Os Fanáticos ia ser a única torcida irmã da Gaviões e que tinha que ser respeitada por todos os associados.

Carneirinho pergunta: ‘E isso aconteceu mesmo?’

Renato responde: ‘Aconteceu, mas hoje não é mais assim.’”

Primeira camisa da torcida

Até então a Fanáticos não tinha um material oficial da torcida, apenas camisetas personalizadas. A partir deste ano, foi feita uma nova camisa, com modelo idêntico ao usado pelo Atlético, com o CAP à esquerda e a caveira à direita e nas costas o escrito “Até a morte”.

Com o dinheiro arrecadado com os ônibus doados pelo Basílio Vilani a torcida confeccionou as primeiras 50 camisas.


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2 comentários sobre “1987 – Primeiro congresso de torcidas organizadas

  1. Sensacional essa passagem do Flávio da Gaviões.
    Me penalizo por ainda não ter conseguido ir a um encontro.

  2. Bem legal mesmo! Hoje em dia não é mesma coisa, como ele mesmo disse o dia que o Atlético crescesse a coisa mudaria.

    Pois é, Glauco, ainda espero a sua participação nos encontros!

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