1992 – Começa a reconstrução da Baixada

A Pedra Fundamental

Nas palavras de Renato Sozzi:

“O Carlinhos Sabiá era um grande ídolo que tinha voltado a jogar no Atlético. Ele chegou com o Farinhaque de carro na Baixada pra lançar a pedra fundamental. Que nada mais era que um canteirinho de flores,  onde colocaram um pedaço de madeira no meio daquele mato todo que estava a Baixada.”

Renato conta ainda sobre a ansiedade de Farinhaque com as obras da Baixada:

“Prof. Heriberto, vou contar uma história agora, que nem o senhor sabe. Eu tenho uma admiração pelo Farinhaque. Já tinham passado pelo Atlético dirigentes como Moura, Valmor Zimermann que tinham dinheiro, e ele Farinhaque não tinha nada, não era ilustre, nem milionário, pelo contrário era pobre.

Na época ele deu a cara pra bater pra construir a Baixada, estava tudo abandonado. E por isso, ele ‘viajava’ com a construção.

Eu morava no Boqueirão, era meio longe, ele chegava de madrugada lá em casa, lá por 2h – 3h da manhã. Minha mãe ia ver e me chamava: ‘Renato, tem um senhor lá fora procurando você.’ Era o Farinhaque.

Nós íamos de madrugada pra Baixada, só pra ver as obras e ficávamos andando lá no escuro. E ele ia dizendo: ‘Ali vão ser os camarotes, ali vai ser a luz, ali vai ser não sei o que.’ E não foi apenas uma vez que isso aconteceu, umas três vezes ele foi me buscar em casa de madrugada pra ver a Baixada.”

Prof. Heriberto acrescenta:

“Essa história da volta à Baixada que o Renato contou é algo extraordinário. E tem um pormenor que o Farinhaque fez. Ao dizer, nós vamos reconstruir a Baixada, ele rompeu com a Federação. E ainda a processou.

Com a ajuda do Mafuz eles entraram com uma ação na justiça contra a Federação. Utilizando-se para o argumento jurídico de duas cláusulas daquele famigerado arrendamento por 100 anos do Pinheirão, que não estavam sendo cumpridas pelo Moura. Para assim poder rescindir o contrato e receber dividendos.

Uma das cláusulas dizia que tudo que tudo aquilo que fosse vendido e feito no Pinheirão, durante essa vigência dos 100 anos, a Federação se obrigaria a dar 10% para o Atlético. Tinha circo, feirão de automóvel, todas as cadeiras que foram vendidas, e o Moura nunca repassou um centavo para o Atlético.

Cinco anos depois, em 1997, (isso foi em 1992) o juiz promulgou a sentença e deu ganho de causa para o Atlético. E depois nas instâncias superiores o Atlético continuou ganhando. Hoje o Atlético é detentor de uma dívida da Federação com o Atlético de 4 milhões de dólares, devidamente corrigidos desde 97. Já são doze anos. E em razão disso, o Atlético penhorou uma das partes do Pinheirão na época, penhora que continua até hoje. Graças ao Farinhaque o Atlético tem hoje em torno de 15 milhões de dólares pra receber da Federação.

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2 comentários sobre “1992 – Começa a reconstrução da Baixada

  1. Histórias maravilhos, que eu torcedor fanático não sabia, mas vivia indo aos jogos naquele estádio horroroso e cruel chamado pinheirão (com letras minúsculas). Uma vez um atleticano me disse ” o Atlétcio e a torcida atleticana não acabou no pinheirão porque o clube é grande e sua torcida é apaixonada”.

  2. Olá, Harrison,

    Isso que é o legal do Círculo descobrir histórias fantásticas e pouco conhecidas do nosso Atlético. Além de rememorar os grandes momentos já conhecidos!

    Com certeza, o Atlético só não acabou no Pinheirão graças a sua torcida.

    SRN

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