O estilo de jogar do goleiro Altevir

Perguntei a Altevir qual era o seu estilo de jogar, já que haviamos comentado sobre o estilo de outros goleiros que passaram pelo Atlético. Segundo prof. Heriberto, Altevir tinha boa colocação e muita elasticidade, era um goleiro muito regular que dificilmente falhava.

Altevir fala sobre si mesmo:

“Eu saía do gol, tinha uma facilidade muito grande pra sair do gol. Aprendi isso vendo os goleiros argentinos jogar, eles, pelo menos na época, não davam muito soco na bola. Até hoje eu reparo nisso, se você sai muito sozinho numa bola, tranquilo, não precisa dar soco na bola, se não tem ninguém por perto é só pegar a bola.

Os goleiros de hoje, em sua maioria, tem o costume de socar a bola pra frente quando ela vem em cima dele, mesmo que esteja na altura do peito. Na minha época qualquer goleiro que fizesse isso provavelmente sairia do time, a exigência era maior.

Hoje eu vejo uns goleiros que por qualquer coisa dão um soquinho na bola. Os goleiros de hoje são até mais altos que eu, tem em média 1,90. Eles usam muito o recurso de dar soco ou espalmar pra frente.”

Altevir prossegue comentando como é a profissão de goleiro nos dias de hoje:

“Meu filho trabalha no Atlético como treinador de goleiros, então eu acompanho os treinamentos. Hoje se fabrica o goleiro, se você achar alguém com talento ele vai ser muito bom. E se encontrar alguém de qualidade, com o dom mesmo, ele vai ser muito melhor.

Goleiro é uma posição que você pode fabricar com treinamentos adequados. Talvez nunca se torne um grande goleiro, mas consegue jogar em times grandes.”

O ex-jogador comenta como se contratava goleiro no tempo em que ele jogava.

Antigamente como se contratava goleiro? O amador de Curitiba fornecia muito jogador. O amador era um celeiro, hoje se torce o nariz pro amador, mas naquela época era diferente.

Naquela época os melhores jogadores saíam dos campinhos de amador, da suburbana. Tinha os olheiros dos clubes profissionais. Então quem se destacava, sabia jogar e ia para profissional, lá tinha uma certa lapidação, alguma coisinha a aperfeiçoar, mas era um talento natural.

Milene pergunta: Na sua época, goleiro era um jogador que não deu certo na linha e parava no gol? Ou tinha gente que era por vocação mesmo?

Altevir responde: “Era vocação mesmo. Eu, por exemplo, era artilheiro do meu time e jogava no gol. Até que faltou um goleiro e eu fiquei no gol porque eu gostava, mas eu sempre fui centroavante. Hoje quando eu falo, eu jogo de centroavante.”

Professor Heriberto comenta que naquela época não havia treinador de goleiros.

E Altevir conta como era a preparação de goleiros:

“O treinamento de goleiro era meia hora de chute a gol e também cruzamentos de escanteio. Eu também credito a minha boa fase no Atlético a contratação do Valdemar Carabina, em 1973. Ele tinha sido um dos maiores marcadores do Pelé. Ele trabalhou com Valdir de Morais que tinha sido o treinador de goleiros da Seleção Brasileira e tinha feito cursos na Europa. E o Carabina ficou um mês no Palmeiras vendo o treinamento, ele até trouxe uma cartilhazinha e começou a colocar em prática aqui no Atlético.

Eu fui a cobaia dele e de fato ele treinava muito. Isso favoreceu muito, porque a gente sempre tem os defeitos, e ele corrigiu muita coisa.

Goleiro era o seguinte: quando o gol fica pequeno pra você é que tá bem. Quando tá grande é que você tá mal.”

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