Altevir fala sobre seus companheiros de equipe

Altevir fala sobre alguns dos seus companheiros de equipe no Atlético.

Alfredo Gottardi

“Eu joguei com vários jogadores de qualidade. O Alfredo Gottardi era meio maluco, mas era um ótimo zagueiro, ele era tecnicamente superior.”

Prof. Heriberto acrescenta: “Ele matava a bola no peito na área e saía jogando.”

Altevir prossegue: “Apesar disso, ele nunca fez um gol contra, ele atrasava pra gente na maior tranquilidade, naquela época goleiro podia pegar a bola coma mão.”

Brito

O Brito foi campeão do mundo em 1970 e em 1975 ele veio jogar no Atlético.

Altevir lembra que muitos jogadores em fim de carreira vinham para os times paranaenses:

“Nós tivemos bons momentos no Atlético, porém, quando surgia um bom jogador aqui, ele ia pro Palmeiras, São Paulo, Corinthians. E nós íamos buscar lá os jogadores que estavam parando e eles tinham sucesso aqui.

Mas, alguns já em final de carreira não se cuidavam, então vinha uns que na gíria futebolística dizíamos: ‘vinham roubar um pouco aqui’. Então vinha jogador que não queria nada com nada. Eram bons, mas sem vontade de jogar.”

Zé Roberto

“Existia um paternalismo muito grande por parte dos dirigentes, como eles faziam com o Zé Roberto, que jogou comigo no Atlético, depois jogou no Coritiba. Ele poderia ter sido de seleção brasileira, ter feito sucesso na Europa. Naquela época era difícil ir pra Europa, ele foi pra França, ficou dois ou três meses lá e voltou. Nem em São Paulo ele queria jogar, ele queria jogar aqui. Porque aqui ele saía pras festas dele, chegava de manhã e os diretores faziam vistas grossas, os treinadores colocavam ele pra jogar.”

Prof. Heriberto completa: “E o pior é que ele fazia gol ainda. Passava a noite na gandaia e no outro dia fazia gol.”

Altevir continua: “Mas em 1975 ele praticamente encerrou a carreira no Atlético com 28 anos, ele não conseguia mais jogar, ele não treinava, simplesmente não treinava. De manhã ele chegava com sono, simulava uma dorzinha, ia lá pro massagista e dormia na mesa de massagem.”

Nilson Borges

“Nilson Borges foi um dos maiores dribladores que eu vi. Teve um jogo contra o Olaria, nós metemos 4×0 no Olaria e o Nilson fez dois gols, num deles ele derrubou o zagueiro e o goleiro ao mesmo tempo. Ele dava aquele elástico (como do Rivelino) com uma perfeição.

Teve um outro jogo contra a Mouraense, o jogo devia estar uns 6 ou 7 na Baixada. Ele fez um sinal pro treinador, eu sabia que era pra ele fazer alguma palhaçada. Tinha chovido, estava uma garoazinha fina, no gol da entrada, no ginásio, ele pegou a bola e derrubou pelo menos uns sete ou oito jogadores. Acabou não fazendo o gol, mas era assim, ele ameaçava e puxava e caía um, dentro da pequena área, derrubou goleiro, zagueiro, foi um festival que ele fez. Foi um espetáculo, molecagem.

Nilson Borges tinha um domínio de bola sensacional, o passe dele era perfeito, era como se colocasse com a mão. E ainda, gostava de jogar por baixo das pernas do outro jogador. Se o cara abrisse a perna, pum, a bola passava.”

Professor Heriberto relembra outra passagem de Nilson Borges:

“Contra o Fluminense em 1968 ele driblou o Altair, que é ídolo no Fluminense, um dos mitos lá. Ele deu exatamente o primeiro drible pra direita, o segundo pra esquerda, como ele sempre fazia, caía pra um lado e pra outro. Quando o Altair quis voltar, bateu com a cabeça no poste e caiu sentado. E o Nilson fez o gol.”

Altevir complementa: “E o Altair batia hein, professor? Ele era um dos jogadores que mais pegava duro.”

Altevir cita um Atletiba memorável onde Nilson Borges deu um show à parte.

“Um jogo memorável foi aquele 4×3 em cima do Coritiba. O Emerson, foi um dos jogadores que fez história no Coritiba, tomou um baile do Nilson. Nossa, o Nilson acabou com o jogo!”

Prof. Heriberto conta em detalhes:

“14 de março de 1971, Atlético 4×3 Coritiba. O pior é que nós estávamos perdendo o Atletiba por 2×0. O Nilson vai bater o pênalti e erra, 28 minutos do primeiro tempo, 2×0 pro Coxa e ele me perde o pênalti. Mas ele continuou e fez miséria, ele fez gol. No final do jogo estava 4×2 pro Atlético, viramos pra 4×2. No finalzinho do jogo aos 43 ou 44 o Paulo Vecchio fez o 4×3.

Mas estraçalhamos com o jogo, você precisa ver o que é o show de bola, como se o Nilson dissesse assim: me dá a bola, coloco no bolso e estou levando pra casa, não tem mais jogo, é meu o jogo. Ele fez isso e acabou com o jogo, foi um Atletiba fenomenal.”

Prof. Heriberto e Altevir (foto: Fábio Mandryk)

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