1995 – A construção da sede da Torcida Os Fanáticos

Na época Belotto era conselheiro do Atlético e conseguiu uma autorização para que a torcida construísse sua sede nos fundos da Baixada. O espaço seria isolado do restante do estádio e teria entrada própria pela Petit Carneiro.

Com o caixa que tinham feito com a venda de camisas foi possível comprar um barracão pré-moldado de 10x40m. A ideia era ter um espaço com mezzanino, algumas salas e um espaço para concentração da torcida.

O Atletiba fatídico

Neste ano aconteceu um dos Atletibas mais marcantes da história. O Atlético foi goleado por 5×1, mas o jogo que tinha tudo para ser um vexame mudou a história do Clube. Mesmo perdendo, a torcida atleticana não parou de cantar um minuto sequer. A garra da torcida mexeu com os brios de Mário Celso Petraglia que viu que era hora de assumir o Atlético. A partir disso o clube se transformou.

Perguntei a Belotto como foi a visão dele como presidente da torcida na época, de estar sendo goleado e ao mesmo tempo ter uma torcida tão vibrante.

Nas palavras de Belotto:

“Foi um jogo trágico pelo placar, mas nós torcedores saímos de cabeça erguida no sentido de que a torcida do Atlético tinha sido guerreira. Isso foi uma das coisas que o próprio Petraglia afirma que ele não suportou ver a torcida guerreira, com o nosso time perdendo, levando um baile, mas no grito nós ganhamos dos coxas. Porque sempre tinha dois Atletibas, o no campo e nas torcidas. Havia a competição pra ver quem faria mais festa. E naquela época era permitido levar tudo: talco, papel higiênico e a divisão era mais equilibrada, a gente tinha pelo menos 40% de torcida lá.”

A compra do terreno na Mena Barreto

Logo que Petraglia assumiu a diretoria, Belotto percebeu que algumas coisas iriam mudar, como ele conta:

“Todo dia eu estava lá vistoriando a nossa obra, já estávamos fechando a alvenaria. Até que me chamaram um dia dizendo: ‘Belotto, os caminhões não estão podendo entrar na obra.’ E eu: ‘Mas como não estão podendo entrar?’ E disseram: ‘O Petraglia mandou que não entra mais um caminhão aqui de material da Fanáticos.’

Eu fiquei possesso e fui falar com ele. Cheguei meio brabinho e ele daquele jeito dele, disse: ‘Sente aí e fique no seu lugar, porque eu assumi o Atlético, vou mudar tudo isso aqui e agora não é mais assim.’ E no final, ele deu uma deixa, dizendo: ‘Vamos estudar uma proposta, vamos ver o que vocês precisam. Vamos ver se a solução é alugar uma casa pra vocês, o clube ajuda com alguma coisa.’ Segundo ele a torcida não poderia ficar no mesmo espaço do Atlético, porque isso poderia trazer problemas e coisa e tal.

“Então nós fizemos a nossa proposta, que ele (Petraglia) teria que pelo menos ressarcir o que a torcida já tinha gasto na obra, que era um total de R$ 25 mil.” Ele disse: ‘Então tá, nós pagamos os R$ 25 mil pra vocês, vocês retiram tudo, talvez a gente dê mais uma força pra vocês comprarem o imóvel.’

“A partir disso, nós (torcida) começamos a procurar algumas casas, alguns locais próximos à Baixada. Teve uma que nós quase fechamos negócio, que a sede seria na própria Engenheiros Rebouças, mas a sede seria na metade do caminho entre a Baixada e a Vila Capanema, mas aí achamos que seria muito próximo da Vila Capanema. Até que apareceu aquela casa ali, que na época custava R$ 55 mil pra gente comprar o terreno. Ali era um bar, tinha uma casa velha no lugar, nós fomos demolindo e construindo aos poucos ali. Vendendo camisas e materiais juntamos dinheiro pra terminar a construção.”

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