1997 – A força da torcida atleticana

Em 1997 um grande escândalo tomou conta do Futebol Brasileiro. A rede Globo divulgou no Jornal Nacional sobre compra de árbitros e o Atlético, mesmo que inocente, foi envolvido na história. A punição que era prevista era o afastamento do presidente Petraglia do futebol por tempo indeterminado e o Atlético ficaria um ano sem disputar nenhuma competição.

A movimentação feita pela torcida atleticana naquele ano extrapolou o futebol. Todo cenário político paranaense e até mesmo a torcida do rival Coritiba se mobilizou em prol do Atlético.

Belotto conta como foram os protestos e mobilizações:

Abaixo-assinado

“Estourou aquele escândalo no Jornal Nacional, no outro dia de manhã fui no Clube e os funcionários estavam completamente perdidos, sem saber o que fazer. Começamos a pensar no que fazer pra tirar o Atlético daquela situação e tivemos a ideia de fazer um abaixo-assinado. A imprensa perguntou quantas assinaturas esperávamos ter, disse umas 200 mil. Essa foi a nossa meta, as listas começaram a se multiplicar e chegamos às 200 mil assinaturas.”

Greve de fome

“Nós estávamos na sede da torcida, até que chegaram me dizendo que tinha um cara querendo fazer greve de fome. Ele era torcedor do Londrina e disse que estava desgostoso com a vida, tinha perdido o emprego, a mulher. Pedi pra que o advogado da torcida orientasse como isso devia acontecer, segundo o advogado e o cara devia assinar um documento dizendo que estava fazendo a greve de fome por vontade própria. E assim aconteceu, o cara fez greve de fome e toda a imprensa mostrou isso.”

Conversa com Aníbal Khury

“Estive na Câmara de Vereadores e me levaram pra conversar com o Aníbal Khury. Ele me disse: ‘Você tem coragem de ir ao programa do Ratinho e falar que vocês vão boicotar os produtos da Globo, do Rio e da CBF?’. Eu disse que ia, no outro dia já fui ao programa.

Nosso outro plano era invadir o aeroporto e pedimos pro Aníbal Khury nos ajudar. Ele ficou meio assim e perguntou quantas pessoas conseguiríamos reunir, eu disse que em torno de 500. Ele disse: ‘Então tudo bem, eu prometo pra vocês que seguro a polícia por duas horas. Durante duas horas vocês fazem o auê e caem fora, depois disso é com a polícia.’

Depois disso foi feito um comício na Praça do Atlético onde todos os políticos de todas as correntes e partidos estavam reunidos em defesa do Atlético.”

Carreata até o Canal 12

“Também organizamos uma carreata até a sede do Canal 12 que era no Castelo do Batel. O Maranhão puxava a carreata, eu disse a ele que passasse em frente ao Canal 12, mas que não era pra parar lá na frente e eu ia fechando com o último carro. No fim das contas, eles já estavam chegando na Av. Batel e ainda tinha carro saindo da Baixada.

De repente me liga o Anfrísio Siqueira (atleticano e presidente da Boca Maldita). Ele era amigo do Francisco Cunha Pereira Filho, diretor da RPC. Ele me dizendo: ‘Belotto, vocês prometeram que não iam parar lá na frente do Canal 12 e agora está aquela muvuca lá, você precisa tirar seu pessoal de lá’. Eu respondi: ‘Pois é, eu já perdi o controle da galera, o pessoal está revoltado com a Rede Globo, vocês são parceiros dela, vocês precisam provar pra nós que querem nos ajudar.’ Isso, era um dia antes do comício. Eu falei pra ele: ‘Amanhã nós vamos fazer uma manifestação na Praça do Atlético, eu quero que apareça no Jornal Nacional, não é Jornal Estadual, nem outra coisa, é Jornal Nacional ao vivo! Nós vamos fazer bem na hora do Jornal Nacional.’ O Anfrísio me disse: ‘Mas não é assim, não posso garantir isso, só com a autorização do Roberto Marinho’. E eu disse: ‘Pois é, mas se eu não tiver um bom argumento pra tirar o pessoal eu nem vou lá’. Ele disse que ia tentar, que ia falar com o dr. Francisco. Não deu uns 15 minutos ele me ligou de volta: ‘Belotto, falei com o dr. Francisco, ele já fechou com o Roberto Marinho, vai passar no Jornal Nacional de amanhã. Mas agora você vai pra lá e tira o pessoal porque eles estão querendo invadir tudo’.

Abraço a Baixada

“Outra manifestação que foi feita foi um abraço a Baixada. Milhares de atleticanos se postararam de mãos dadas em torno do estádio, demonstrando seu amor pelo Atlético”.

Belotto conclui:

“Tudo isso que aconteceu foi uma demonstração de amor de uma torcida por um clube jamais vista. Foi um marco”.

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