Histórias de viagens com a torcida

Em tantos anos na Torcida Os Fanáticos, Julião já viajou o Brasil acompanhando o Atlético. No passado, em boa parte das viagens os que iam mal tinham dinheiro pra ida e volta, que dirá pra comer. No 14º do Círculo de História Atleticana ele contou duas situações pelas quais passou viajando para acompanhar o Atlético. Duas histórias incríveis que vocês leem a seguir.

Os parabéns do árbitro

“Hoje é legal que a gente pode mandar uns caras viajar, pagar avião, hotel, o cara pode até ter duas refeições no dia. Eu cansei de viajar o Brasil inteiro com dinheiro de ida e volta. Essa da Bahia, eu dormi três noites numa rodoviária. Atlético e Catuense em 1990, estava eu e o Marcelo Xuxa, a gente cantou e gritou que nem uns condenados.

Eu fiquei admirado que na hora que acabou o jogo o juiz teve a moral de sair do gramado e nos cumprimentar. Ele falou: ‘Cara, vocês são dois retardados. Só dois caras fizeram todo esse barulho. Vocês não são muito normais. Mas parabéns por atravessarem o Brasil pra ver esse time de vocês.’

Depois a gente foi cumprimentar os jogadores, lembro do Andrezinho, Carlinhos Sabiá, Toinho. Aí o Andrezinho falou: ‘Pessoal, vamos fazer uma vaquinha pros caras pelo menos tomarem uma cerveja.’ Eles arrecadaram naquela época 120 cruzeiros. Eu nunca vou esquecer. Foi muito show de bola.”

A colaboração do menino

Essa história é emocionante, tanto que Julião chega a ficar com a voz embargada ao contar.

“Numa outra viagem, na volta, os ônibus parando a cada 10km e entrava aquela galera pedindo as coisas, mas a gente não tinha nada. E aí entrou um menino de muletas, com dificuldades pra andar. Ele veio conversando com todo mundo e eu conversando com o meu Deus, achando justificativa do que eu ia falar, porque eu não tinha nada pra oferecer pra ele. Na hora que ele chegou pedindo ajuda, nós estávamos no fundo do ônibus.

Eu falei pra ele: ‘Olha, não é chorar, mas vou te falar, a gente mora em Curitiba, temos 3 dias pra ficar dentro desse ônibus e não temos 1 real. Gostaria muito de poder te dar uma força, de poder te ajudar, mas vou ficar te devendo’. E ele me disse: ‘Cara, vocês vieram lá do Paraná pra assistir jogo?’ Falei: ‘Viemos’. E ele: ‘Vocês são loucos! E o que deu o jogo?’ Falei: ‘Perdemos’. Ele disse: ‘Cara, que legal!’ Ele transmitiu aquela energia, aquele sorriso. Ele disse: ‘Que legal, eu entendo esse lado de vocês, vieram de lá aqui.’ Aí ele pegou na mochila dele: ‘Toma aqui’ Era um pacotão de bolacha. Ele disse: ‘Essa aqui é a minha colaboração pra vocês fazerem uma boa viagem’.

Perdi meu chão, poderia ter oferecido uma camiseta da torcida, mas fiquei sem reação. Só agradeci e disse que Deus te proteja sempre.”

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