O dia que Julião foi morar na Baixada

Estar a frente de uma torcida organizada faz com que a pessoa abdique de muita coisa na vida. Foi assim com Renato Sozzi, com Belotto e também com Julião. 1990 foi um ano intenso na vida de Julião em relação às coisas da torcida, título, Atletiba do porco, viagem pra Ponta Grossa e tudo mais. No final daquele ano, sua mãe chegou pra ele e disse: “Escuta meu filho, você gosta tanto do Atlético, é doente, está enlouquecido pelo Atlético, por que você não vai morar no Atlético?” E ele respondeu: “Boa ideia!”

Ele conta que pegou todas as suas coisas: um chinelo, duas camisas do Atlético, duas bermudas, um óculos e uma escova de dentes. E foi morar na salinha da Baixada que a torcida tinha como sede.

Sua mãe, apesar do que tinha dito, ficou indignada com o fato. Julião disse que felizmente depois de alguns anos ele teve tempo de reconquistar a família e ainda aproveitar um tempo ao lado do seu pai antes de ele falecer.

Ele fala mais sobre o fato de largar a família pelo Atlético e pela torcida:

“Daquele dia em diante não voltei pra casa. Depois casei, morei até o ano de 2000 com a minha primeira mulher. Foi então que aconteceu uma nova zebra com torcida que os caras do Botafogo que invadiram a sede. Eu tinha chegado do serviço, estava em casa descansando, os caras me ligaram que tinham entrado na sede.

E daquele dia em diante do jeito que eu saí de casa, nunca mais voltei.  Quer dizer, eu deixei minha mulher de volta, deixei meu filho, pra cuidar da torcida pra que uma situação dessas não acontecesse de volta. Hoje já faz 10 anos e nunca aconteceu.

Hoje eu convivo com meu filho, mas deixei de curtir uma fase maravilhosa da vida dele. Hoje graças a Deus estou aí e podendo curtir uma outra situação desse tipo. Mas eu deixei ela na mão, da mesma maneira que deixei meu pai e minha mãe, pra defender uma causa.

Hoje quando a gente bota na balança, um monte de situação, porque eu deixei de curtir muita coisa com meu velhinho pra ficar lá respondendo bronca de vagabundo, porque não tem nada a ver com a nossa torcida, com o nosso povo.”

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