Alfredo fala de seu pai, Caju

Estilo de jogo

“Não vi meu pai jogar, quando eu comecei a ter noção de futebol ele já tinha parado de jogar. Mas pelo que amigos falam do pai, ele era um fenômeno. Diziam que o pai tinha uma facilidade pra pegar pênalti, porque ele era muito rápido.”

Outros esportes

“Ele era baixo, tinha 1,72. E ele era campeão de salto com vara, com aquela estatura . O pai lutava boxe, quando vinham os circos pra Curitiba, o pai era sparring dos caras que lutavam boxe.”

Personalidade de Caju

“Meu pai era uma figura, era espirituoso. Nós tínhamos uma casa na praia, naquela época não tinha sandália havaiana, era um tamanco de couro com salto de madeira. Ele e meu tio acordavam às 5h da manhã pra ir pescar, o pai colocava aquele tamanco e saía batendo pela casa inteira pra acordar todo mundo. Acordavam todo mundo e iam embora.”

Outras qualidades

“Ele desenhava muito bem. Ele pegava folha de palmeira, desenhava olho, nariz, boca e depois pintava uma cara indígena, vocês precisavam ver que coisa mais linda. Ele fazia essa máscaras, ele punha, nós moleques brincando em Guaratuba. Ele colocava um lençol branco e saía no meio da madrugada, e eu junto. Meu pai era uma figura.”

Caju na Seleção Brasileira em 1942

“Eu tenho em casa recortes do Campeonato Sulamericano que o pai jogou pela Seleção Brasileira. Eles foram considerados a melhor defesa do campeonato, era o pai, Domingos da Guia e Oswaldo.”

Convite para jogar em outros clubes

“Esse álbum tinha uns dez telegramas pro pai:  ‘Estamos aguardando sua chegada’. Era Flamengo, Vasco, todos queriam o pai. Mas ele nunca quis sair do Atlético, ele era muito apaixonado pela minha mãe.”

Segundo Alfredo, seu pai falava pouco sobre seu tempo como jogador. Mas uma das coisas que ele contava, era sobre a recusa das propostas para jogar em outros times. Ele prossegue:

“O pai me dizia:

‘Eu trabalhava, era diretor da Secretaria de Saúde Pública de Curitiba. Vou arriscar jogar de profissional lá e se me machuco, como vai ficar minha vida?’ Teria que levar a família toda, ele já tinha meu irmão mais velho, eu e minha irmã era pequenininha. Ele dizia: ‘Eu vou com três filhos pra lá? Sem saber o que vai acontecer? Podia ser que chegasse lá, estourasse e ganhasse um monte de dinheiro. Mas podia acontecer alguma zebra.’

Então, ele nunca quis sair do Atlético.”

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