O estilo de jogo de Alfredo Gottardi Jr

Sempre ouvi falar do estilo audacioso de Alfredo jogar. Todos que o viram jogar contam que ele dominava a bola na pequena área e saía jogando. Diz-se que ele “matava muito torcedor do coração” pelo seu estilo de jogo.

Pedi a ele que contasse como era esse estilo de jogar.

“Eu era muito abusado e tinha uma grande vantagem, eu tinha muito tempo de bola. Eu não era um jogador rápido, mas também não era lento. Eu tenho 1,80, e naquela época, jogador dessa altura era lento, eu não, porque eu treinava muito. Na área muitas vezes eu subia com o atacante e quando ele via eu já tinha dominado a bola atrás dele, porque eu sabia que ele não ia pegar.

Só era difícil contra o Botafogo que tinha o Ferreti que era um jogador alto, e contra o São Paulo que tinha o Miranda, que era alto. A maioria dos jogadores era mais baixo que eu, eles subiam achando que iam cabecear a bola, quando eles subiam eu já tinha dominado e eles ficavam procurando.

Eu tinha muita facilidade tanto com a perna direita quanto com a esquerda. Eu não dava pontapé, não sabia fazer isso, eu sabia jogar bola, sabia antecipar.”

Deixando o atacante dominar a bola

“O Tião Abatiá me dizia: ‘Hoje o treinador mandou jogar do seu lado. Mas eu vou jogador lá do outro lado. Você não dá um pontapé, não sei por que eu jogo do seu lado. Você me deixa dominar a bola.’ E eu deixava.

O Tião Abatiá era ruim tecnicamente, mas tinha velocidade. Se você chegasse junto com ele e desse o azar da bola ficar dois passos na sua frente, ele arrancava e você não pegava mais. Então eu deixava ele dominar, quando ele dominava, eu ia e roubava a bola.”

Reservas não tinham chance

“Eu não ficava fora do jogo nunca, o cara que era meu reserva estava ferrado porque eu não dava chance. Eu jogava com uma perna só, tinha vezes que estava com a perna direita machucada, jogava só com a esquerda.

Teve um jogo aqui contra o Ferroviário na Vila Capanema à noite, que o comentarista era o João Saldanha, ele escreveu na coluna dele que o zagueiro canhoto tinha sido o melhor em campo. Eu só estava chutando com a perna esquerda, porque eu tinha feito um estiramento na coxa direita, na parte de cima, não me impedia de corer, mas não podia chutar com ela. Então toda bola que vinha eu dominava com a perna esquerda. E ele falou que o canhoto era bom, nem sabia eu era destro.”

Alfredo prossegue contando:

“Eu gostava muito de jogar. No meu lugar não jogava ninguém, só se eu estivesse com a perna quebrada.”

Brinco com ele: “Então seus reservas não gostavam de você?”

Ele responde:

“Eles tinham amizade comigo. Podiam jogar do meu lado, mas no meu lugar não jogavam.

Eu me cuidava muito, era muito profissional. Os caras diziam que eu era muito caxias. Não era ser caxias, eu era profissional. Puxava fila no treinamento.”

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