As dificuldades financeiras do Atlético

Durante sua história o Atlético passou por dificuldades fincanceiras, a década de 70 foi uma das mais críticas. Alfredo conta dos períodos que ficou sem receber.

“Depois o Passerino saiu e ficou ruim. O dr. Lauro Rego Barros pegou uma bomba daquelas, ele viu que não ia ter condições de tocar e deixou o dr. Octávio Augusto da Silveira como presidente.

Eu até tive um comportamento com o dr. Octávio que não deveria ter tido na época. Mas eu era capitão do time, e os salários todos atrasados, e o time estava correndo e ganhando. Ele reuniu os jogadores no campo, chegou lá pra falar com o grupo. Quando ele foi falar, eu disse: ‘Presidente, se o senhor veio falar de salário, não precisa nem tocar no assunto que nós já estamos cansados dessa história que vão nos pagar e não nos pagam. O time está jogando, vai continuar jogando, não é por problema de salário que nós vamos deixar de jogar.’ Ele virou, deu meia volta e foi embora, porque eu fui justamente na ferida, era o que ele ia falar. E os jogadores: ‘Porra, mas você vai falar um troço desses pro presidente novo.’ E eu falei: ‘Sou capitão do time, vocês queriam escutar a mesma história de que não iam nos pagar?’”

Acerto financeiro no final do ano

“O acerto era feito assim, chegava no final do ano e terminava o contrato, e eu tinha lá 5 ou 6 meses pra receber e fazia um acordo com eles. Dizia pra diretoria: ‘Olha vou trocar de carro.’ Então eu vendia o meu carro, pegava uma parte do dinheiro e dava de entrada, e deixava aquele saldo do que eu tinha pra receber pra eles pagarem em 24 meses. Era o único jeito de receber.”

Carro apreendido

“Uma vez, eu estava saindo do campo e tinha um Oficial de Justiça me esperando. Disse que tinha vindo apreender meu carro. Eu falei: ‘Como assim?’ E ele disse: ‘Faz três meses que não pagam o carnê.’

Era de manhã cedo e nós estávamos nos preparando pra viajar pra jogar em Maringá. Eu ia deixar o carro em casa e voltar pra pegar o ônibus pra viajar. Mas diante daquela situação falei pro presidente: ‘Não vou viajar, estou fora!’ O Carabina era o treinador e disse: ‘Você está louco, como não vai viajar.’ Eu respondi: ‘Não vou, o Oficial de Justiça vai levar meu carro embora, como que eu vou ter cabeça pra jogar?’

Pra encurtar a história, o ônibus foi embora com o time pra Maringá e a diretoria pagou as parcelas atrasadas e me trouxe o carnê pago. Depois disso eu fui de carro pra Maringá, pro jogo. E o Atlético ainda ganhou o jogo.”

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