O título de 1970

Este foi o único título da carreira profissional de Alfredo Gottardi. Ele inicia relembrando o momento que o Atlético vivia após a morte do presidente Jofre Cabral e Silva em 1968.

“Em 1968 o Jofre morreu e acabou aquele dinheiro todo que ele conseguia. O Jofre tinha uma visão, ele estava 50 anos na frente de todo mundo. Ele fez uma revolução no Atlético, trouxe todos aqueles jogadores de Seleção Brasileira. O problema foi que ele morreu em campo, vendo o jogo do Atlético em Londrina. Aí o que aconteceu, todo mundo dispersou e abandonaram o time.

Em 1968 era pra termos sido campeões, mas quando o Jofre morreu e degringolou a coisa. O ano de 1969 foi um desastre. Em 1970 foi montado um time pra tentar ser campeão. O dr. Passerino assumiu o Atlético como presidente, ele ia pros jogos com o revólver na cinta, fardado e dizia: ‘Aqui ninguém rouba’!”

A montagem do time

“E em 1970, Passerino assumiu e começou a montar o time. Tinha o Valdomiro, que tinha vindo do Flamengo, lateral direito era o Djalma Santos, o central era o Charrão, o quarto zagueiro era o Tião, o lateral esquerdo o Amauri , aí jogava eu de volante, o Nair, o ponta direita Dorval, Sicupira, Nelsinho e Nilson.

Aí chegou o ‘seu’ Alfredo Ramos (técnico) e ele trouxe o Zico, zagueiro central que jogou comigo, trouxe o Julio pra lateral direita. Aí trouxeram o Miltinho, que veio de SC, o Toninho também de SC, aí trouxeram o Nelsinho do São Paulo, ‘seu’ Alfredo tinha muita afinidade com o SP por ter jogado lá. O Nelsinho era desse tamanhozinho, mas jogava muito, tinha 1,60 de altura, rápido, ele foi um dos artilheiros do nosso time.”

O Atletiba na Baixada

Todos sabiam da pressão que o Atlético fazia na Baixada com sua torcida. E tentaram de tudo pra levar o Atletiba pro Alto da Glória, mas o presidente Passerino Moura foi firme ao insistir que o jogo fosse na Baixada.

Alfredo relembra este fato:

“O dr. Passerino chegou e disse: ‘O jogo vai ser na Baixada porque não queremos ser roubados.’ Ele foi pro banco de reservas e sentou com o seo Alfredo Ramos, estava fardado com o revólver na cinta e quando o árbitro entrou ele já falou: ‘Estou aqui te cuidando!’ Nós ganhamos de 1×0, gol de Zé Leite.”

Ele relembra a campanha do Atlético naquele ano:

“Nós começamos perdendo, mas ganhamos o Atletiba. No segundo turno o time deslanchou e passamos por cima de todo mundo, não perdemos uma partida.”

Salários em dia

“Aquele foi um ano que não atrasou salário, pagavam tudo em dia, tudo certinho. Dr. Passerino levava o pessoal do exército pra cortar a grama, pintar o alambrado. O irmão dele, Cláudio, cumpria a guarda dele (era militar) da Companhia de Saúde lá no Atlético, ele não saía da Baixada, estava lá o dia inteiro.”

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