Alfredo Gottardi fala do material esportivo na década de 70

A tecnologia ainda não havia chegado aos materiais esportivos. As camisas e chuteiras eram pesadas, principalmente quando chovia, pois o material absorvia água.

Alfredo recorda como era esse material:

“A camisa era de algodão e quando chovia ela pesava uns 3 kg. O meião também era de algodão e não tinha elástico, você tinha que usar liga (aquelas de mulher) pra segurar a meia, se você não pusesse, quando chovia a meia descia e abraçava a chuteira e tinha que estar toda hora puxando.

O material de hoje não perde o calor e não segura água, então ele mantém a temperatura do corpo.”

Alfredo conta que ele e mais alguns jogadores iam a Argentina comprar material esportivo de melhor qualidade.

“A cada seis meses nós fazíamos isso, jogávamos no domingo, terminava o jogo íamos pra casa, tomava um banho, dormia um pouco e acordava às 3h da manhã, passava na casa do Buião e íamos de carro pra Argentina pra comprar material esportivo, principalmente chuteira e meia.

Na Argertina já tinha meia rubro-negra de banlon que era um material que não absorvia água. Se olharem fotografias da minha época podem ver que a minha meia era diferente da dos outros. Minha chuteira também era diferente, porque a chuteira que o clube dava era uma desgraça de ruim. Quem queria jogar com um bom material tinha que comprar, porque o Clube não dava, não tinha como. E na Argentina tinha a fábrica da Adidas, por isso íamos pra lá.

No Brasil tinha uma chuteira Gaeta, que era razoável, com as traves pregadas, aquelas rodelinhas de couro, e a chuteira Stadium, que foi a primeira chuteira nacional com tarracha. Você só podia jogar em campo bom e no campo molhado. Então você podia jogar com aquela chuteira em Maringá, porque o gramado era bom e em Bandeirantes, que era um campo fofo e só, o resto era tudo areião. Paranavaí era uma areia e o campo tudo assim e você corria, se você tivesse que fazer uma volta de giro, você perdia o pé, perdia o equilíbrio. Os gramados eram muito ruins.

A qualidade da bola, da chuteira de hoje nem se compara. A evolução do material é impressionante. A chuteira de hoje não pesa 100g, a nossa pesava 350 g. Você imagina o peso que tínhamos que carregar. A bola de couro natural, quando chovia ela pesava uns 2 kg e você tinha que cabecear, não tinha jeito, como que você ia tirar a cabeça? Tinha uns ‘migué’ que tiravam.”

 

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