18º encontro do Círculo de História Atleticana

Data: 17/02/2011 (quinta-feira)
Horário: das 19h às 22h
Local: Baixada – 4º andar (entrada pela R. Buenos Aires, 1260)

Tema:
O Furacão 49

Convidados:
Jackson do Nascimento
(jogador do Furacão 49)

Waldomiro Galalau
(jogador do Furacão 49)

Prof. Heriberto Ivan Machado
(Historiador do Clube)

Organização:
Milene Szaikowski

Confirmação de presença:

Para participar do encontro é indispensável a confirmação de presença por e-mail (circuloatleticano@yahoo.com.br) até 16/02/11, véspera do encontro. Somente será permitida a entrada das pessoas que tiverem confirmado a presença por e-mail.

As vagas são limitadas. Não há custo para participação.

Apoio/Serviço:

O evento terá apoio do Prajá Comes e Bebes.

Informações:

O estacionamento do estádio é terceirizado.

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Alfredo Gottardi, técnico do Atlético

Eu deixei de ser jogador, joguei até 1979 e não quis mais jogar. Quando eu jogava no México fiz curso de treinador pela FIFA, o presidente do Atlas me tirava da concentração e dizia: ‘Gottardi você vai ser treinador do Atlas, as categorias de base é você que vai treinar, até o dia que você quiser.’ Eu disse: presidente, o negócio é o seguinte, eu tranquei minha matricula na faculdade e vim aqui pra ficar dois anos. Se vocês transferirem minha faculdade pra cá e eu termino aqui, eu fico, senão no segundo eu vou embora. Eles tentaram muito, se empenharam, mas por problema de currículo não conseguiram. Quando terminou meu contrato eu falei, tchau, vou embora. Esse presidente chorava, ele dizia: ‘Não é possível Gottardi, você não vai, a sua família se adaptou aqui'”

Alfredo volta para o Atlético

“E eu vim embora e não queria mais jogar. Aí o seo Hélio Alves foi lá em casa: ‘Nós precisamos de um jogador experiente, a defesa tá mal.’ Eu concordei, mas disse que era só até o final do ano. Teve o Campeonato Brasileiro, eu joguei um pouco.”

Convite para ser técnico do Atlético

“Começou o campeonato de 80, o Atlético não classificou, ficou no Torneio da Morte. O Lori era o treinador, e o Lück era o presidente, me chamou e disse: ‘Alfredo você não vai mais jogar, né?’ Eu disse: não. Ele: ‘Então você vai ser o treinador do Atlético.’ Eu disse: não de jeito nenhum, o Lori é me amigo e é treinador do Atlético. Ele disse: ‘Não, nós vamos mandar o Lori embora’. Eu disse: Mas o Lori não tem culpa, o time que é ruim.”

Alfredo complementa:

“Além de ruim, tinha 6 caras que não saiam da noite. Toda noite estavam lá, me convidavam, eu falava não, eu sou casado.”

Ele continua:

“Eu cheguei pro Lori e disse: Lori, eles vão te mandar embora. Me chamaram pra ser o treinador, e eu disse que não queria porque sou seu amigo e eu te considero muito.”

No fim das contas, mandaram mesmo Lori Sandri embora e Alfredo assumiu o time no Torneio da Morte.

“Aí sentou, o Lück, o Hélio Alves e eu na mesa, depois que eles mandaram o Lori embora, e me perguntaram: ‘O que você precisa de jogador?’ Eu falei: não precisa de jogador nenhum, vamos jogar Torneio da Morte, 11 times aí, só a camisa do Atlético ganha de todo mundo. Antes de terminar, três partidas antes nós já seremos campeões. Ele disse: ‘Pô Alfredo você é muito prepotente’. Eu disse: não sou prepotente, eu conheço futebol, e nós vamos jogar e vamos ganhar tudo. E ele disse: ‘Mas com esses caras?’ E eu: com esses caras, os que estão atrás não podem ganhar de nós. E aí foi, fomos ganhando, ganhamos de todo mundo e com 4 rodadas de antecedência nós fomos campeões.”

Sequência como técnico

Alfredo conquistou o Torneio da Morte e foi mantido como técnico. Ele conta como isso aconteceu.

“E aí que começou o problema. Fomos disputar a Taça de Prata (brasileiro da segunda divisão). Aí nós tínhamos um time, veio aquele moleque ponta-esquerda do Grêmio, Renato Lima, Arlindo, o Cásper, Lance, Sarandi. Fomos montando o time, jogando e ganhando.

Então eu fiz um relatório do time que foi campeão do Torneio da Morte e fez uma boa classificação na Taça de Prata, mandando 8 jogadores embora. E eles queriam um treinador mais experiente. Eu disse, tudo bem, mas esse relatório eu tenho uma cópia e vou passar pro treinador. Aí eles trouxeram o seo Alfredo Ramos, que eles sabiam que eu gostava muito dele. Eu tinha uma grande amizade por ele, porque foi ele que me deu o maior apoio quando eu comecei a jogar de zagueiro.

Eles trouxeram o seo Alfredo e me chamaram pra almoçar naquela churrascaria Marumbi na av. Batel. Chegaram lá com seo Alfredo. E eu pensei, botaram ele numa fria. Aí me disseram que eu ia ficar de auxiliar dele. Eu disse que não tinha problema. Terminou o almoço, eu falei: seo Alfredo, preciso falar com o senhor, eu tenho um relatório pra lhe entregar, dos jogadores do Atlético, o senhor tem que saber com quem o senhor vai lidar. E ele era daqueles que saía na noite atrás de jogador. Ele saía atrás do Zé Roberto na madrugada. Falei pra ele, quero que o senhor leia com muito carinho esse relatório, porque a nossa realidade é essa, se não mudar muita coisa do que está aqui, nós não vamos a lugar nenhum.

Aí no dia seguinte, no treinamento, ele me chamou na sala dele e me disse: ‘Alfredo, gostei do seu relatório, mas eu acho que dá pra tocar.’ Então eu disse: Seo Alfredo, se o senhor aguentar quatro rodadas, a hora que o senhor sair, eu saio junto. Porque eu não vou ficar, depois que montou o time, que vai jogar essa porcaria desse time, o senhor não vai aguentar. Não deu outra. Na quinta rodada ele falou que ia embora. E eu fui junto.”

Técnico do Trieste

“Depois disso fui ser treinador do Trieste, fiquei lá 3 anos, fui tricampeão da cidade, tricampeão da taça Paraná. Aí eu não quis mais.”

Itaipu

“Tive um convite pra trabalhar na Itaipu, o Ney Braga era o diretor brasileiro, eu tinha trabalhado com ele no Instituto de Previdência do Estado. Ele disse que eu era o único que podia ajudá-lo a montar a previdência privada na Itaipu, aí eu fui pra lá e montei a parte administrativa da Fundação. Sou formado em Administração.

Os meus amigos jogadores diziam que eu era louco, que deveria ser prof. de Ed. Física. Diziam que eu tinha que ser treinador quando parasse de jogar. Eu dizia que de jeito nenhum. Eu gosto de administração e hoje sou aposentado de Itaipu.”

Alfredo Gottardi conta como foi jogar no México

“Fiquei dois anos no México, no primeiro ano fui considerado a melhor contratação estrangeira. Voltei porque quis, não porque quisessem me mandar embora. Joguei no Atlas de Guadalajara. Joguei muito no estádio Jalisco.”

A ida para o México

“Quando fui jogar no Atlas foram comigo o Tadeu (que jogava no Atlético) e o Tuca Ferreti. Nós estávamos jogando o campeonato e eles vieram pra levar o Claudio Marques. Aí o Cláudio me disse: Alfredo, veio um pessoal do México me ver, posso treinar de 4º zagueiro no time titular? Eu falei: Claro! E o treinador era o Lauro Burigo. Eu cheguei pra ele disse pro seo Lauro qual era a situação e pedi pra ele me colocar no time reserva no treino, que no jogo eu jogava de titular.

E aí, isso aconteceu, eu treinei de reserva e o Claudio de titular. Aí fomos pro jogo em Cascavel, o treinador do México foi pra lá. Quando chegou no treinamento de terça-feira, quando eu estava saindo pra ir pra casa, o empresário mexicano me chamou pra conversar. Eu achei que eles queriam informação do Claudio. E ele me disse: nós não queremos mais levar aquele moleque, nós queremos levar você. E eu disse: Ah, mas eu já estou em final de carreira, não quero ir. E eles disseram que tinham uma proposta boa. Aí me ofereceram um dinheiro que eu nunca tinha visto na minha vida. O duro foi sair do Atlético.

O Aníbal Khury era o presidente e o Valdo Zanetti o diretor de futebol. Aí o Valdo disse que só me deixaria ir se tivesse uma compensação financeira muito grande pro Atlético. Eu argumentei que estava em final de carreira e que queria conhecer o México. E o Valdo disse que não abriria mão de mim, porque os torcedores iriam crucificá-lo. Aí eu fui falar com o seo Aníbal e expliquei a situação. Pra ir, eu dei a metade do que ganharia pro Atlético. Foi o único jeito.

Conhecendo o México

Os nossos jogos lá eram sempre na quarta-feira, então sempre tinha os finais de semana livre. Eu pegava trem, avião, fiz turismo e conheci tudo.”

Jogando contra o maior ídolo do México

Alfredo se diverte relembrando como foi jogar contra o maior ídolo mexicano, o jogador Cabinho.

“O Cabinho era o ídolo maior no México, goleador. Eu já o conhecia, tinha jogado contra ele na Portuguesa de Desportos. Mas no primeiro jogo contra ele no México todo mundo me dizia que eu tinha que tomar cuidado com o Cabinho, porque ele era artilheiro. Eu acho que meti umas 10 bolas nas canetas dele naquele jogo.

Eu não sei se ainda é assim hoje. Naquela época, no estádio Jalisco quando o torcedor comprava o ingresso ganhava uma almofada pra sentar e quando o torcedor vai embora deixa a almofada lá. Teve uma jogada pelo lado esquerdo, um entrevero e a bola espirrou em mim, e eu dominei a bola dentro da área e o Cabinho ficou entre eu e o nosso goleiro, aí eu duas vezes eu fiz de sair pra linha de fundo e o Cabinho deu um passo. Quando ele deu um passo na minha direção eu joguei pro goleiro, naquela época podia atrasar pro goleiro. A torcida inteira jogava as almofadas dentro do campo. Parou o jogo.”