Alfredo Gottardi conta como foi jogar no México

“Fiquei dois anos no México, no primeiro ano fui considerado a melhor contratação estrangeira. Voltei porque quis, não porque quisessem me mandar embora. Joguei no Atlas de Guadalajara. Joguei muito no estádio Jalisco.”

A ida para o México

“Quando fui jogar no Atlas foram comigo o Tadeu (que jogava no Atlético) e o Tuca Ferreti. Nós estávamos jogando o campeonato e eles vieram pra levar o Claudio Marques. Aí o Cláudio me disse: Alfredo, veio um pessoal do México me ver, posso treinar de 4º zagueiro no time titular? Eu falei: Claro! E o treinador era o Lauro Burigo. Eu cheguei pra ele disse pro seo Lauro qual era a situação e pedi pra ele me colocar no time reserva no treino, que no jogo eu jogava de titular.

E aí, isso aconteceu, eu treinei de reserva e o Claudio de titular. Aí fomos pro jogo em Cascavel, o treinador do México foi pra lá. Quando chegou no treinamento de terça-feira, quando eu estava saindo pra ir pra casa, o empresário mexicano me chamou pra conversar. Eu achei que eles queriam informação do Claudio. E ele me disse: nós não queremos mais levar aquele moleque, nós queremos levar você. E eu disse: Ah, mas eu já estou em final de carreira, não quero ir. E eles disseram que tinham uma proposta boa. Aí me ofereceram um dinheiro que eu nunca tinha visto na minha vida. O duro foi sair do Atlético.

O Aníbal Khury era o presidente e o Valdo Zanetti o diretor de futebol. Aí o Valdo disse que só me deixaria ir se tivesse uma compensação financeira muito grande pro Atlético. Eu argumentei que estava em final de carreira e que queria conhecer o México. E o Valdo disse que não abriria mão de mim, porque os torcedores iriam crucificá-lo. Aí eu fui falar com o seo Aníbal e expliquei a situação. Pra ir, eu dei a metade do que ganharia pro Atlético. Foi o único jeito.

Conhecendo o México

Os nossos jogos lá eram sempre na quarta-feira, então sempre tinha os finais de semana livre. Eu pegava trem, avião, fiz turismo e conheci tudo.”

Jogando contra o maior ídolo do México

Alfredo se diverte relembrando como foi jogar contra o maior ídolo mexicano, o jogador Cabinho.

“O Cabinho era o ídolo maior no México, goleador. Eu já o conhecia, tinha jogado contra ele na Portuguesa de Desportos. Mas no primeiro jogo contra ele no México todo mundo me dizia que eu tinha que tomar cuidado com o Cabinho, porque ele era artilheiro. Eu acho que meti umas 10 bolas nas canetas dele naquele jogo.

Eu não sei se ainda é assim hoje. Naquela época, no estádio Jalisco quando o torcedor comprava o ingresso ganhava uma almofada pra sentar e quando o torcedor vai embora deixa a almofada lá. Teve uma jogada pelo lado esquerdo, um entrevero e a bola espirrou em mim, e eu dominei a bola dentro da área e o Cabinho ficou entre eu e o nosso goleiro, aí eu duas vezes eu fiz de sair pra linha de fundo e o Cabinho deu um passo. Quando ele deu um passo na minha direção eu joguei pro goleiro, naquela época podia atrasar pro goleiro. A torcida inteira jogava as almofadas dentro do campo. Parou o jogo.”

 

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