Bola de ouro e a ida para o Vasco

Em 1984 Roberto foi para o Vasco onde se tornou o Roberto Costa (lá havia o Roberto Dinamite), lá ele ganhou a Bola de Ouro da revista Placar pela segunda vez consecutiva, fato raro para um goleiro.

“Terminou o Brasileiro (83), eu joguei o primeiro turno do Paranaense e aí que eu fui trocado, veio o Celso (zagueiro), o Orlando (goleiro) e o Amauri (Bruxa). E pro Fluminense foram o Washington e o Assis, e vieram o Candido, o Heraldo, Zezé Gomes, Cristóvão e teve um jogador que não me recordo quem era. E em 1983 este time foi campeão, com os gols do Joel.

Em 83 o Vasco estava muito mal no Carioca, teve 3 treinadores em 3 meses. Aí 1984 veio o Edu (técnico)  e eu entrei no lugar do Acácio (goleiro). E aí eu recebi de novo a Bola de Ouro da Placar e fui eleito o melhor jogador do Brasil. Eu já tinha ganho aqui no Atlético (83).

Pra ver como é o tempo. A Bola de Ouro, antigamente, eu recebi num jogo do Atlético aqui não lembro contra quem. Hoje os caras recebem cem mil reais e tem uma festança. É tudo tempo, quem manda nascer no tempo errado. (brinca) Mas não tem problema, o que vale é isso, é a história.”


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A semi-final contra o Flamengo (1983)

O jogo no Rio de Janeiro

No primeiro jogo no Rio de Janeiro o Atlético foi a campo desfalcado de Assis e perdeu por 3×0.

Roberto Costa fala sobre este jogo.

“Foi difícil, se nós tivéssemos em 83, dois jogadores que tinham ido embora, que eram o Lino e o Bianchi, nós tínhamos sido campeões. Nós tivemos que improvisar o Flávio Mendes, o Oliveira e o Airton que eram juniors e trouxemos do Coritiba o Mauro Pelizzari que era o mais veterano.

Na hora ganhamos do América (RJ) que aquele Marcio Guedes* falou um monte de besteira lá, não tinha ninguém (público) no Maracanã. E aí quando nós entramos contra o Flamengo tinha 100 mil pessoas. Naquele dia o Assis não jogou, jogou o Peu, que coitado, era um bom jogador no Flamengo, mas quando veio pra cá… (Na época o Flamengo levou o Lino emprestado e mandou o Peu pra nós.)

E aí quando o pessoal entrou, Flávio Mendes e tal, todo mundo abobado (com a grandeza do Maracanã lotado) e tomamos um pênalti arrumado. No final do primeiro tempo, ao 42’ do Zico. E um pênalti que não foi, que o Robertinho se jogou em cima do Sérgio Moura.”

* Marcio Guedes: O então repórter da TV Globo falou no ar que o time do Atlético era um time medíocre. No jogo de volta a torcida do Atlético estende uma faixa: Medíocre é você Marcio Guedes. Resultado, a pressão atleticana (ligações para a tv) fez tanto efeito que o repórter foi demitido.

O jogo de volta em Curitiba

No jogo em Curitiba o Atlético precisava vencer por 3×0 para avançar a fase final do Brasileiro de 83. O Atlético lutou muito, fez 2×0 ainda no primeiro tempo e de repente o time parou.

Roberto Costa conta o que aconteceu naquele dia, esclarecendo uma dúvida que intriga muitos atleticanos até hoje.

“Sem citar nomes, porque a pessoa está sossegada agora, fica chato.

Nós perdemos lá de 3×0, começou o jogo e nosso time estava motivado pra sair pra cima do Flamengo. E nós fomos pra cima mesmo, tanto é que com 20 minutos de jogo estava 2×0 pra nós, cinco minutos depois o Capitão perdeu um gol sozinho, chutou, o Raul espalmou e a bola foi pra cima. E terminou o primeiro tempo 2×0 e só deu nós, nosso time estava sobrando dentro de campo. E todos os jogadores descendo a escadaria (pros vestiários) dizendo: “Vai dar, nós vamos chegar, nós vamos pra final”. O time estava muito focado.

Quando chegou no vestiário, todo mundo gritando, todo mundo animado. O treinador pediu pra gente sentar e ficarmos calmos. “Senta, vamos esfriar a cabeça, 2×0 está bom, o time do Flamengo é um baita de um time, tem o Zico, vão começar a jogar, nós podemos perder, o que vale é a última imagem, então calma, não precisa ir pra cima, vamos manter isso aí, os 2×0 que está bom pra nós.” E nós ficamos um olhando pro outro pensando o que íamos fazer. Aí saiu cada um pra um lado e ficou totalmente disperso. Tanto é que o time caiu muito de produção. E nós tínhamos um jogador no banco que quando entrava fazia uma fumaça danada, que era o Ivair, neguinho.

Aí chegou uma notícia pra mim lá no vestiário que eu tinha sido vendido pro Flamengo. Saiu até em rádio que estavam acertando minha ida pro Flamengo.

Falam um monte deste jogo, mas não houve nada disso, o que houve foi uma ducha de água fria. Aí nosso time perdeu o foco e o Flamengo cresceu. Porque no primeiro tempo nós não deixamos o Flamengo respirar, sufocamos o tempo todo, o Zico não tinha pego na bola. Nós tínhamos total condição de ganhar o jogo do Santos, se passasse do Flamengo.”

Roberto fala das quartas-de-final em 83

Roberto “Pra mim o jogo inesquecível foi Atlético e São Paulo, 1×0 lá, gol do Assis aos 30’ do segundo tempo.”

Prof. Heriberto“Você não pegou ‘nada’ aquele dia”, comenta brincando.

Roberto “Um negócio que nos motivou muito, foi na ida pra São Paulo, nós lendo os jornais que diziam que bastava o São Paulo ganhar que já estava classificado e que seria fácil pra eles ganharem de nós.”

O time deles era uma máquina, mas nós estávamos motivados. Ganhamos aos 30’ do segundo tempo com gol de Assis, o Sótter bateu a falta e com o pé canhoto antecipou. O Careca naquele jogo saiu umas cinco vezes na minha cara, chutava, eu tirava. Tem uma que eu me recordo até hoje, o Zé Sérgio chutou, a bola bateu no morrinho, eu fiz assim com o ombro, a bola bateu no meu ombro e saiu.”

Roberto conta como foi sua renovação de contrato em 83

“No início de 1983, meu contrato tinha terminado no final do ano e eu não tinha renovado, estava complicado pra renovar. Na época, eu lembro até hoje, de luvas eu tinha pedido um telefone. Eu disse que só assinava se me dessem um telefone. E aí ficou, e eu não joguei.

E começou jogando o Rafael, aí no último jogo classificatório que foi contra o Campo Grande, foi um sábado depois do carnaval, eu tinha viajado no carnaval, depois voltei e o reserva era o Joceli, na sexta-feira eu treinei e à noite o seo Wilson Menta que era um diretor disse, está aqui, eu te dou o telefone. Aí eu assinei o contrato.

Fui pra casa, aí no sábado de manhã o Joceli passou mal e aí me chamaram pra vir e ficar no banco. E com 10’ do segundo tempo o Rafael estourou o tendão. Era o último jogo, nós estávamos ganhando de 1×0 do Campo Grande e a gente precisava empatar pra classificar.  Eu entrei, empatamos em 1×1 e fomos eleitos o melhor em campo. E ficamos em 3º lugar e só não fomos campeões por detalhes.”

O Paranaense de 1982

Milene – Em 1982, o Atlético estava mais uma vez há doze anos sem ser campeão, como era isso? Vocês tinham uma pressão, uma cobrança?

Roberto “Tinha sim! Em 1982 veio um diretor, o João de Oliveira Franco, deu uma ajuda muito grande, investiu bastante no Atlético. Foi quando começou a vir esse pessoal. Porque em 1981 nós tínhamos só o Lino que tinha vindo e que inclusive se machucou uma época ficou um tempo parado. Tinha vindo o Lino do Flamengo, o Bianchi do Santos e o Jair Gonçalves. Tinham sido essas 3 contratações em 1981. E aí em 1982 foi reforçado, vieram Washington e Assis, o Ariovaldo e o Capitão do Guarani, veio o Sérgio Moura do Botafogo. Aí veio o Ivair do União Bandeirantes, o Jorge Luis do Flamengo, veio o Lalo que era do Beltrão. Aí que começou a firmar e esse grupo era unido desde 1982.

No Campeonato Paranaense nós ficamos 26 jogos invictos, passamos os dois turnos invictos e perdemos pro Paranavaí de 1×0 lá, no início do terceiro turno e ganhamos o terceiro turno também. E na final contra o Colorado por 4×1. Saímos ganhando de 1×0 gol do Lino de cabeça e o Castor empatou, aí fizemos 4×1.”

Roberto fala da vinda de Rafael para o Atlético.

Roberto “Em 1982, no final de 1982 nós ganhamos aqueles dois turnos do Campeonato Paranaense, contra o Colorado as duas finais. Ganhamos os dois turnos e no terceiro turno trouxeram o Rafael pra fazer o revezamento. Foi aí que eu fiquei no banco, jogava uma eu, a outra o Rafael.

Ah, quer essa história também? Essa história foi o seguinte, eu falei que tinham trazido o Rafael e começou a fazer o revezamento, jogava uma eu, uma o Rafael. E eu tinha sido o goleiro, nós tínhamos ganho os dois turnos direto e todos os jogos das finais, inclusive contra o Colorado, Operário, eu peguei pênalti, em todos os jogos eu estava sendo o melhor jogador em campo. E aí começou o revezamento e eu tinha sido campeão nos dois turnos.

E aí o que aconteceu, na semifinal com o Londrina ia jogar eu e o Rafael ficaria pra jogar a final. Aí chegou na semifinal eu falei, não, o treinador era o seo Geraldo Damasceno. Falei: ‘Seo Geraldo, eu não quero jogar a semifinal, porque eu quero jogar a final. Eu acho uma injustiça, eu joguei os outros turnos, fui campeão, eu acho uma injustiça deixar de jogar a final, que nós seríamos campeões direto.’ Então ele disse: ‘Tá bom, então vai jogar o Rafael.’ Jogou o Rafael e nós ganhamos de 2×0″

A final

“Só que teve uma pressão muito grande na final, na hora da escalação do time, da preleção. Nós estávamos hospedados no Hotel Iguaçu, onde hoje é o Hospital Vita. E aí na preleção, o Hélio Alves queria que o Rafael jogasse, o João de Oliveira Franco queria que o Rafael jogasse, só que os jogadores não queriam, eles queriam que fosse eu.

E antes o seo Geraldo chamou o pessoal, os jogadores pra conversar, o Nivaldo que era o capitão, o Capitão, e os caras dizendo que não. E o seo Geraldo disse que estava sofrendo uma pressão muito grande, que queriam que o Rafael jogasse. E os jogadores disseram, não, quem vai jogar é o Roberto. E o seo Geraldo tentou argumentar com eles que disseram, se o Roberto não jogar nós também não vamos jogar, o senhor que sabe! E saiu todo mundo e foi pra preleção e eu sem saber de nada. E os caras sentaram todos do meu lado e vai a preleção.

E o seo Geraldo na preleção o Ariovaldo, o Jair Gonçalves e vai falando, uma hora de preleção e não falava o goleiro. E vai vai falando e nada de falar o goleiro. Uma hora de preleção, falando, falando. Uma hora depois, ele, então, vamos pro jogo, o time começa Roberto, Ariovaldo… pegou e  já saiu, o pessoal foi tudo atrás dele. Mas já estava escalado e aí eu joguei.”

Roberto relembra o histórico jogo contra o Colorado

Roberto Costa estava no banco naquele famoso jogo do Ziquita.

Milene – Como que foi então essa visão de quem estava lá. Perdendo de 4×0 e de repente o Ziquita desanda a fazer gol?

Roberto “A gente brinca que só não ganhamos o jogo porque o Ziquita era ruim, senão ele tinha acertado o chute. Ele driblou o goleiro, sem goleiro e errou o chute.

O Diede Lameiro já tinha feito todas as substituições e a gente estava no ginásio, olhando pelo vitrôzinho. E 3×0, 4×0 e a torcida vaiando e aí daqui a pouco começou o homem: 1, 2, 3, 4, aí o quinto uma bola na linha de fundo aqui, ele dominou, o goleiro caiu, ele pum, chutou na trave. Aí acabou o jogo. O Atlético tem jogos…

Depois jogamos lá na Vila Capanema (contra o Colorado) ganhamos de 1×0, gol do Rotta. Depois fomos pra final com o Coritiba e perdemos nos pênaltis.”

Peço a Roberto que fale sobre a polêmica final de 1978.

Roberto “Aí fomos pra final, os Atletibas, todos 0x0 e o último jogo foi pros pênaltis. Os nossos batedores todos erraram, só o Rotta fez. O Paulinho batia muito bem e errou, e o Lula errou. O Manga meteu umas coxeira pra dizer que estava machucado e os caras foram na do Manga e perderam os pênaltis.”

O primeiro contato de Roberto Costa com o Atlético

Milene – Você veio de Santos, mas você já conhecia o Atlético?

Roberto – Eu sempre gostei de futebol, um jogo que eu me lembro que eu assisti e comecei a gostar do Atlético, foi São Paulo x Atlético, que o Atlético ganhou de 2×0. Não sei se o Alfredo estava no Atlético ou no São Paulo?

Alfredo 2×0 lá? Eu estava no Atlético.

Roberto – Nessa época eu morava em Santos, foi em 72 ou 73.

Alfredo – Foi em 73.

Roberto – Eu assisti esse jogo e aprendi a admirar o Atlético. Acho que foi no Pacaembu.

Alfredo – Não, foi no Morumbi.