Alfredo Gottardi fala do sistema de jogo da sua época

“Na nossa época era o tradicional 4-3-3, durante toda a década de 70 era assim. O time era Claudio Deodatto, Almeida, Zico, eu, Julio, o Reinaldo às vezes jogava, Sérgio Lopes, às vezes jogava o Valtinho, às vezes jogava o guri ali de Antonina e o Nilson, e o ataque era o Buião, Paulo Roberto e Sicupira. Então era 4-3-3, normalmente os nossos jogos eram o 4-3-3, não fugia disso.

Naquela época já tinha substituição, hoje o plantel profissional tem 35 jogadores, na nossa época tinha 18 que jogavam e o restante completava com os juniores. Então o que acontecia, o Nilson não podia sair nunca do time, Sicupira, jamais, o Buião, jamais, a zaga era aquela zaga titular. Tinha um ou outro jogador que subia das categorias de base e que numa contusão de alguém jogavam, senão os titulares eram sempre os mesmos. E não tinha tanto jogo, tinha jogo uma vez por semana e quando tinha o campeonato brasileiro é que aumentava um jogo na quarta-feira. Mas geralmente era aquele sistema de jogo e não tinha como mudar, você colocava outro jogador pra exercer a função daquele que estava jogando, se um saía, o sistema era o mesmo.

Quando ia jogar contra o Coritiba se sabia que o Tião Abatiá era rápido. Primeiro jogador a dar o combate tem que sempre ser o da cobertura. Isso aí era sempre. Apesar de que como o Atlético era um time forte na disputa do Paranaense – a disputa normalmente era entre Ferroviário, Atlético e Coritiba – então os times se adaptavam ao nosso esquema de jogo, nós impúnhamos a nossa maneira de jogar. Hoje é muito difícil pra um treinador fazer isso, jogar um campeonato inteiro no mesmo esquema, porque a rotatividade de jogadores é tão grande e não encontra no mercado um que faça a mesma função do outro.”


Características do futebol moderno

“Hoje eu falo, jogador que sabe dominar a bola, chutar com as duas pernas e cabecear joga em qualquer time, não é só no Brasil, joga em qualquer time do mundo inteiro. Eu não acompanho os treinamentos no Atlético, mas uma vez eu fui no CT do São Paulo. – Todo ano eles me convidam pra festa de encerramento de final de ano. – E eles estavam lá dando treinamento pra zagueiro. O cara com a bola na mão jogando pro cara cabecear, como que o cara vai pegar tempo de bola com o cara jogando a bola com a mão? Aí ali toda hora o cara cabeceia, mas coloca a bola no chão e bate pra ver, ele se perde, tanto é que volta e meia tem gol de cabeça. Porque desse jeito, se você bobear, quando você olhou a bola já passou por você. Então eu acho que falta, não sei no Atlético que método é utilizado, mas se for desse jeito aí, com a bola jogada com a mão o cara não pega tempo de bola nunca.

Hoje é tudo mais difícil, porque você joga com um time no primeiro turno, vai jogar no segundo turno, já mudou 3 ou 4 jogadores, naquela época o cara ficava 10 anos no time. Você ia jogar contra um time já sabia, tem fulano que joga assim, você já sabe como tem que chegar em cima do cara. Se sabe que o cara afina já dá uma chegada que ele vai jogar lá do outro lado no meio de campo, então você tinha um parâmetro bom pra fazer isso. Hoje isso não existe.”

Determinação de Alfredo

Fotografia: Fábio Mandryk

“Eu treinava até escurecer. Nosso treinador ficava lá do outro lado do campo jogando bola, você tinha que saber dominar, por no chão. Os caras diziam: ‘Ah, mas você tinha muita facilidade.’ Realmente, eu tinha muita facilidade, mas eu aprimorei minha técnica umas trezentas vezes, porque eu treinava muito. Eu ficava o dia inteiro brincando com bola, eu chegava no campo, o treinamento era às 9h, 8h eu já estava no campo brincando com bola. Chegava o Sicupira, o Nilson, a gente botava uma redinha e ficava jogando futvolei com uma redinha baixa, e ficava jogando, e só podia dar um toque na bola, a bola não podia quicar e a gente ficava brincando. Nós fazíamos treinamento, uma roda com 8 ou 9 jogadores e era assim, começa com um toque e vai rodando, ia passando de um em um. Quando a bola chegava em mim outra vez, já tinha que dar dois toques, então assim ia e nós ficamos 15 minutos e a bola não caía. Mas a gente treinava. O treinamento físico era muito forte, mas também tínhamos muito treinamento com bola.”

 

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