O Coronel

Os torcedores mais novos talvez não saibam, mas o grito mais marcante da torcida atleticana, foi criado por um torcedor conhecido como Coronel. Ele era um guardador de carro que sempre estava nos jogos do Atlético na Baixada e tornou-se um personagem folclórico das arquibancadas.Em 1988, num dos jogos da final contra o Pinheiros, no Pinheirão, ele pela primeira vez puxou o grito:

A-TLÉ-TI-COOOOOOOOOOOO

Começava gritando baixinho e pausadamente, até que aquele grito ia crescendo e se tornava forte. A torcida entrou na onda e o grito pegou. Neste primeiro jogo, foi meia hora pelo menos, gritando A-TLÉ-TI-COOOOO sem parar.

Kid 2, a kombi da Fanáticos

Em 1987, a Fanáticos ganhou uma Kombi, doada por Basílio Vilani, que tinha sido usada em sua campanha eleitoral. O problema é que a Kombi era verde e seu motor não estava lá essas coisas. Então, a torcida mandou a Kombi pro conserto e para que fosse devidamente pintada de vermelho e preto.

 

No dia de buscar a Kombi, o pessoal se reuniu na sede para esperar um dos fanáticos ir buscá-la. Eis, que ele quando chega à Baixada, bateu a Kombi no portão. Carinhosamente, a Kombi ganhou o apelido de Kid 2 e ficou daquele jeito mesmo, amassada.

 

Essa Kombi era o grande meio de transporte da torcida pro Pinheirão. Era nela que a Fanáticos levava seu material pro jogo e também vários torcedores. Fazendo com que muitas vezes a Kid 2 não agüentasse a viagem. Se o pneu furava, a galera tinha que erguer a Kombi no braço, pois não tinham macaco. Fora as muitas vezes que a torcida teve que empurrá-la para chegar ao Pinheirão.

O falecimento de Jofre Cabral e Silva

Um dos maiores presidentes que o Atlético teve faleceu em meio a um jogo do Atlético em Londrina, contra o time da casa. Seu coração não agüentou ver o Atlético perder.

 

O dr. Farracha estava em Londrina e nos contou a história.

 

“Jofre faleceu em Londrina e a diretoria precisava trazer o corpo para Curitiba. Lá estavam um ônibus de torcedores e alguns diretores de carro. Foi providenciada uma ambulância para trazer o corpo, porém, o motorista da ambulância tremia tanto que simplesmente não conseguia dirigir. Um dos torcedores que estava no ônibus teve que voltar dirigindo a ambulância para Curitiba.

  

Quando a ambulância chegou a Campo Largo, parecia que tinha jogo do Atlético por ali, de tantos torcedores atleticanos que esperavam a chegada do corpo, tamanha era a admiração por aquele presidente. De lá, os atleticanos foram em carreata até a Baixada, onde o corpo de Jofre foi velado.”

 

A reunião do Sindicato no Ginásio

A fim de movimentar o Ginásio, o Atlético sempre locava essas instalações para vários eventos, como shows, bingos, reuniões de associações. Uma dessas reuniões de um sindicato acabou em pancadaria e os associados começaram a quebrar tudo dentro do Ginásio.

 

Alguns integrantes da Fanáticos estavam reunidos na casinha que mantinham como sede e foram ver o que estava acontecendo. Dentro do Ginásio, mais de 100 pessoas brigando, e os membros de Fanáticos estavam em poucos, não teriam como conter a confusão.

 

Então, para acabar com a confusão, tiveram a idéia de jogar uma “granada”, uma espécie de foguete de 13 tiros que usavam para fazer festa nos jogos. Exatamente no momento em que a “granada” iria explodir, chegou uma viatura da Polícia que havia sido chamada para intervir. No momento em que a viatura parou, a “granada” explodiu, deixando os policiais em meio uma nuvem de fumaça. Sem saber que aquela “bomba” havia sido jogada pelos integrantes da TOF (que já estavam quietos na casinha), a polícia prendeu vários dos baderneiros.

A Baixada e a LBV

A Legião de Boa Vontade (LBV) tinha sua sede ao lado da entrada da rua Getúlio Vargas e enquanto a Baixada esteve desativada, essa instituição utilizava parte do terreno do estádio atleticano como estacionamento. Como estava tudo praticamente às moscas a situação manteve-se daquela maneira por algum tempo. Até que a diretoria percebeu que a LBV não tinha muita vontade de devolver aquela área ao Atlético.

 

Então, a Fanáticos prontamente entrou em ação, no meio da noite entraram com tudo e retomaram a área. A polícia foi chamada para ver o que estava acontecendo. E o jornalista e advogado atleticano, Augusto Mafuz, apareceu com um documento feito às pressas dizendo que aquela área era do Atlético. Desta forma, o Atlético recuperou o que era seu de fato.

A volta para a Baixada – 1994

Por muitos anos as únicas coisas que o Atlético tinha eram a Baixada e a paixão da sua torcida. Desta forma o Atlético foi levando sua vida até seus setenta e poucos anos. Até o clube ter sido profissionalizado desde o início da gestão de Mário Celso Petraglia.

 

A importância da Baixada para a vida do Atlético é inegável. Herança do Internacional, a Baixada sempre foi a casa do atleticano. A relação do torcedor rubro-negro com a Baixada é diferente da do torcedor de qualquer outro time com seu estádio. O atleticano tem um orgulho especial pela Baixada, torce e canta por ela. E essa relação de extremo carinho do atleticano pelo seu estádio tem razão de ser. Toda transformação que o Atlético sofreu após 1995 só foi possível graças à Baixada e à paixão do seu torcedor que sempre lutou pelas causas atleticanas.

 

Em 1985 a Federação Paranaense de Futebol concluiu a construção de seu estádio, o Pinheirão. O Atlético não tinha condições de promover melhorias na Baixada, a ida para o Pinheirão, um estádio novo, parecia ser um ótimo negócio. E assim, o Atlético assinou um contrato de 50 anos com a FPF.

 

Desta forma, a Baixada foi completamente abandonada. O mato tomou conta do gramado, o sistema de iluminação foi vendido. Não fosse o empenho da Torcida Os Fanáticos de cuidar da Velha Baixada – cortar a grama, pintar os muros etc – o Joaquim Américo poderia ter caído no esquecimento. Durante este período de inatividade, a Torcida Os Fanáticos manteve sua sede dentro do Joaquim Américo. A torcida promovia churrascos em praticamente todos os finais de semana a fim de manter o ginásio em atividade. Ginásio que levava o nome de João Alfredo Silva, pai de Jofre Cabral, os dois, grandes presidentes rubro-negros. Lá também aconteceram, nessa época, muitos bailes de carnaval, bingos, reuniões de associações, shows.

 

A sede administrativa do clube também não abandonou a Baixada e durante aqueles anos de exílio, era comum diretoria e a torcida se ajudarem. A diretoria por vezes dava algumas camisas de jogadores para que a Fanáticos fizesse rifas, para ajudar na compra de materiais para que a torcida pudesse fazer a festa nos estádios. E a Fanáticos cuidava da Baixada como se fosse sua própria casa. Tendo inclusive alguns membros da torcida morando em uma casinha (sede da torcida) dentro da Baixada.

 

Acreditava-se fortemente que o Pinheirão seria o melhor negócio para o Atlético. E a Baixada estava localizada numa região nobre de Curitiba e desativada não gerava rendimentos. Foi feito então, um acordo com uma construtora e o Atlético cederia 9.000 m² do terreno da Baixada para a construção de dois edifícios residenciais e em troca, seria construído no restante da área de 24.000 m² um clube social com quadras polivalentes e de tênis, e campos de futebol suíço. Antes desse projeto, houve também a idéia de transformar a área em shopping center. Felizmente, nenhum desses projetos foi levado adiante.

 

Durante os quase 10 anos de Pinheirão, os resultados em campo não eram dos melhores. A torcida estava cada vez mais distante, os públicos eram pífios, definitivamente, o Pinheirão não caiu nas graças da torcida atleticana. O estádio da Federação não tinha os mesmos atrativos da Baixada, o gramado era longe da arquibancada, a visão era ruim. Além disso, o estádio era longe do centro, o transporte público de Curitiba não era integrado como é hoje, às vezes era necessário pegar 4 ônibus para se chegar até lá.

 

Em 1992, a cada jogo que passava, o desânimo aumentava, das arquibancadas vieram os primeiros gritos pedindo à volta à Baixada. Os gritos de BAIXADA JÁ!, eram cada vez mais intensos. Mas foi no jogo contra a Portuguesa de Desportos que a torcida rubro-negra decidiu dar um basta na situação. O Atlético havia jogado muito mal, perdeu o jogo e antes mesmo do jogo acabar, a Fanáticos saiu em “passeata” dentro do Pinheirão, protestando contra tudo, Federação Paranaense, Pinheirão, sobrou até para o presidente Farinhaque.

 

A revolta pela situação em que o Atlético se encontrava era tanta, que o presidente da TOF, Renato Sozzi e o presidente do CAP, Farinhaque, chegaram a se desentender na época. Foi o Dr. Farracha, nosso convidado para o Círculo de História, que interveio para que as coisas se acalmassem. Realmente, era hora de voltar para a Baixada.

 

Por outro lado, a Federação não cumpria o acordo que tinha com o Atlético, era o que bastava para que o Atlético entrasse com uma ação na justiça pedindo que ficasse desobrigado de continuar mandando seus jogos no Pinheirão. A FPF, obviamente não gostou, mas a decisão estava tomada. Neste momento, atleticanos de todas as classes uniram-se pelo retorno à sua casa.

 

O presidente Farinhaque, entrou em contato com o ex-governador Ney Braga, atleticano e político influente, para tratar da volta à Baixada. Este, prontamente entrou em contato com Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim para pedir doação de cimento para a reconstrução. Nem projeto havia ainda, mas a doação aconteceu.

 

A Torcida Os Fanáticos fez uma doação de 8 mil tijolos, Bento Chimelli deu a cal, foi feita uma permuta com a empresa Pantelas para o fornecimento dos alambrados. E assim com a colaboração destes e de outros grandes atleticanos é que a Baixada foi reconstruída. Além disso, todos os dias os mais diversos torcedores atleticanos chegavam à Baixada trazendo suas doações de material, por menores que fossem. Houve um caso, contado com muita emoção pelo prof. Heriberto em outra oportunidade, de um humilde torcedor, que chegou com sua bicicleta, carregando um saco de cimento. Era a sua contribuição para que o Atlético pudesse voltar à sua casa.

 

Reinauguração

 

Foram alguns meses de obras, até que fosse marcada para o dia 22 de maio de 1994, a Reinauguração da Baixada. O adversário escolhido era o Flamengo, o mesmo que inaugurou o Joaquim Américo pela primeira vez, em 1914, jogando contra o Internacional. O Atlético venceu por 1×0, com gol de Ricardo Blumenau.

 

A torcida atleticana estava feliz.