O casal de baixinhos na Curva da Laranja

O prof. Heriberto nos contou uma das histórias que ele presenciou na Curva da Laranja.

“Essa história aconteceu em um Atletiba em 1970. Naquela época, não havia divisão de torcidas, as torcidas ficavam todas juntas e não acontecia nada. O pessoal no máximo tirava um sarrinho um do outro. Quando saía gol do Atlético, a gente batia nos ombros dos coxas e tirava um sarro.

Naquele dia, cheguei cedo ao jogo, pra pegar o melhor lugar da Curva da Laranja. E lá tinha um baixinho sentado com a mulher no segundo degrau. Tinha o degrau debaixo e o espaço de mais ou menos um metro para passagem e o alambrado. Então, passou por ali uma mulher coxa (com a camisa do coxa), ela era loira e estava junto com o marido, também coxa. Quando a coxa foi passar por pela mulher do baixinho, ela toda invocadinha, gritou:

— COXA AQUI NÃO PASSA!

Levantou, grudou no cabelo da coxa e puxou, quando puxou, veio a peruca loira da coxa na mão da atleticana. Virou aquela gozação, todo mundo rindo sem parar e tirando sarro. Aí, o pau comeu solto, as mulheres começaram a bater boca, até os maridos entraram na briga. E um senhor (atleticano) sobe no alambrado, ele tinha nas mãos uma bandeira. Ele se segurava no alambrado e batia com o mastro da bandeira cutucando o casal de coxas, pra provocar ainda mais a briga.

Dois meses depois, fui contratado para trabalhar numa empresa e acabei conhecendo o sr. Plácido lá, eis que ele me conta, que era ele que estava com a bandeira no alambrado, cutucando os brigões. Dois anos depois eu conheci também o casal de baixinhos.”

A gincana entre torcidas

Quem contou essa história foi o Belotto (ex-presidente da Fanáticos) que participou do 3º encontro do Círculo de História Atleticana.

“Tinha uma gincana no Mário Vendramel, normalmente era colégio contra colégio e uma vez fizeram torcida do Atlético contra torcida do coxa. E nós da Fanáticos fomos lá representar o Atlético. Tinha uma série de provas e tinha uma, que era prova livre. Então nós fizemos um teatro do chinês comprando os outros. Ganhamos a prova pela criatividade, até então a gincana estava empatada e nós ganhamos por causa dessa prova.”

Grandes jogadores – Ziquita

Ziquita (1978 e 1979)
Não foi campeão pelo Atlético.
Posição: centroavante

Carreira
Ziquita veio do Comercial de Ribeirão Preto para o Atlético em 1978. Não era um craque, fazia o estilo boleiro, “caneludo” como se diz por aí. Mas entrou para a história do Atlético por um feito inigualável, marcar 4 gols, em 16 minutos, numa única partida.

O empate em 16 minutos
Naquele 05 de novembro de 1978 o Atlético perdia para o Colorado por 4×0. A torcida atleticana, desacreditada, já deixava o estádio. Até que aos 30′ do segundo tempo, Ziquita marca para o Atlético. Mais quatro minutos e Ziquita marca o segundo, torcedores que estavam indo embora, pararam pra ver o que estava acontecendo. Aos 36′ Ziquita faz o terceiro, aí, torcedores que já estavam fora do estádio voltavam pra ver o que estava acontecendo. O zagueiro-central Levir Culpi e o goleiro Alexandre do Colorado não entendiam mais nada. E aos 43 minutos, Ziquita empatou o jogo. Só não fez o quinto aos 44′ porque a bola deu na trave.

Histórias
Um dia a mulher do Ziquita foi ao Atlético, falar com o presidente, foi pedir dinheiro alegando que estavam passando fome em casa. O presidente Guimarães Lück ficou com pena e prometeu que iria ao banco retirar dinheiro e levaria até a casa deles. Quando Guimarães Lück chegou lá, estavam o Ziquita com outros jogadores fazendo a maior festa, com muita comida e bebida. E pra piorar, Ziquita estava fumando um baseado junto com o Lula. O Lula era tão doido que chegou a pular de cabeça numa piscina vazia no PAVOC. E por isso eles foram mandados embora.

Ziquita comemorando o gol de empate.

Ziquita comemorando o gol de empate.

Grandes jogadores – Alfredo Gottardi

Alfredo Gottardi (1966 a 1977 e 1979)
Campeão Paranaense em 1970.
Posição: zagueiro

Atleticano de berço
Dono de personalidade forte, não quis seguir o destino do pai Caju, do tio Alberto e do irmão Celso (Cajuzinho) como goleiro. Alfredo queria brilhar pelos seus próprios méritos, começou como atacante, virou meia-direita , mas foi como zagueiro que se consagrou. Foi o técnico Alfredo Ramos que disse que pelas suas características ele daria um bom quarto-zagueiro. Tanto foi, que ele se tornou um dos maiores zagueiros da história do Atlético e do futebol Paranaense. Era um jogador de técnica refinada.

A carreira de Alfredo
Por conta da sua personalidade, em 1964, ano que subiria ao principal, desentendeu-se com o técnico Geraldino. Sem chances de se firmar como titular no Atlético, foi parar no Coritiba, para desespero de seu pai, Caju. Lá ficou por dois anos, até voltar ao seu verdadeiro lar, a Baixada. Jogou ainda no São Paulo e no México. Voltou em 1979 para encerrar a carreira no clube do coração. Ao deixar de jogar, foi convidado para ser técnico do Atlético e livrou o time do Torneio da Morte do Campeonato Paranaense.

O estilo de jogo de Alfredo
Alfredo tinha um estilo de jogo particular, que chegava a assustar os torcedores mais afoitos. Tinha o costume de matar a bola no peito e sair jogando. E em algumas ocasiões, o adversário lhe roubava a bola, quase chegando a fazer o gol. Uma vez, num Atletiba, ele fez uma dessas, e o jogador coxa roubou a bola dele na grande área, driblou o goleiro Altevir e foi até linha de fundo, tocando para dentro do gol. Nisso, Alfredo veio na corrida e ainda conseguiu tirar a bola praticamente de dentro do gol.

Grandes jogadores – Rotta

Rotta (1974 e 1976 a 1978)
Não foi campeão pelo Atlético.
Posição: meia

Carreira
Rotta veio do Iguaçu de União da Vitória, no final do Campeonato Paranaense de 1974. Porém, não caiu nas graças do técnico Waldemar Carabina e acabou voltando ao Iguaçu. Retornou ao Atlético em 1976 e então se encaixou como uma luva no meio campo do rubro-negro, com Geraldino no comando técnico. Jogava de segundo volante, daqueles que fazia gols e sempre jogava para a equipe. Era também um bom batedor de pênaltis.

Pura raça
Rotta sempre defendia o time com amor, quem o via em campo, conseguia sentir isso. Suas características mais marcantes eram a raça, o caráter e o amor com que vestia a camisa rubro-negra.  Tanto que ele foi o único a se destacar positivamente, num dos feitos mais vergonhosos da história do Atlético.

A vergonha final de 1978
Nas finais do Campeonato Paranaense de 1978, os três Atletibas terminaram empatados em 0x0. Sendo assim, a decisão final foi nos pênaltis. Infelizmente, quase todos os jogadores atleticanos foram comprados naquela decisão. Ficando combinado que ou chutariam para fora ou nas mãos do goleiro Manga. O único que não se vendeu, foi Rotta, foi o único atleticano a fazer o gol. E ainda ao final da partida, demonstrou toda a sua indignação contra os companheiros de time que haviam se vendido.

Grandes jogadores – Nilson Borges

Nilson Borges (1968 a 1974)
Campeão Paranaense em 1970
Posição: ponta-esquerda

Nilson Borges veio ao Atlético, como tantos outros trazidos por Jofre Cabral, em 1968. Como jogador era um extraordinário ponta, driblador, além de apresentar uma incrível consciência de equipe. Por mais que fizesse suas brilhantes jogadas individuais, ele sempre tocava para o companheiro fazer o gol.

Cláudio Deodato quando veio pro Atlético em 1972 disse para o Nilson, que ele quase o havia aleijado para o futebol. Isso foi em 1968, num jogo contra Seleção Brasileira de Novos, que o Atlético venceu por 4×3. Naquele jogo Nilson deu um drible no Cláudio Deodatto que fez com que ele saísse maca, com a espinha entortada.

Infelizmente, o grande Nilson Borges precisou abandonar sua carreira devido a uma contusão gravíssima no joelho. Fora vítima de um lance maldoso, de Denilson, em 1974. Mas mesmo após a contusão, Nilson tentou jogar algumas vezes, mas a dor era mais forte que sua vontade. E mesmo tendo dificuldades em campo, nunca foi vaiado pela torcida.

Hoje, Nilson Borges trabalha como auxiliar técnico no Atlético.

Grandes jogadores – Sicupira

Sicupira (1968 a 1976)
Campeão Paranaense em 1970
Posição: meia

Ainda garoto, Barcímio Sicupira foi jogar no Botafogo-RJ, porém, lá era um eterno reserva. Quando Garrincha machucava, ele jogava de ponta-direita, quando o centroavante machucava, Sicupira jogava. Em 1967 o Botafogo do Rio não o aproveitou mais e ele foi pro Botafogo de Ribeirão Preto. Ficou por lá durante um ano, até que o Atlético foi buscá-lo em 1968.

Sicupira veio como mais um dos que foram contratados para jogar o Robertão. Foi entrando aos pouquinhos no time e demorou a conquistar o posto de ídolo atleticano. Em 1969 se machucou e ficou um bom tempo fora do time. Foi em 1970 que ele se destacou, conquistando a artilharia do Paranaense, com 20 gols. Em 1972 ele foi o “supra-sumo” do campeonato, marcando 29 gols. Não é à toa que é até hoje o maior artilheiro da história do Atlético com 156 gols marcados.

Sicupira era bom de bola, jogador inteligente, tinha um faro de gol extraordinário. Foi um dos melhores meia-atacantes que o Atlético teve em todos os tempos. Destacava-se por ser um jogador diferenciado, chutava com a esquerda e com a direita. O Atlético sempre teve atacantes trombadores em sua história, e Sicupira era um meia-direita que vinha de trás para receber o lançamento e fazer a tabela. Ele raramente perdia os famosos “gols feitos”, com ele era caixa. E às vezes deixava dois ou três jogadores deitados no chão e entrava com bola e tudo. Uma das grandes características de Sicupira eram os gols de bicicleta. Já em seu primeiro jogo pelo Atlético, contra o São Paulo, pelo Robertão 68, marcou um golaço de bicicleta. Além disso, era um exímio batedor de pênaltis, em toda a carreira só perdeu um único pênalti.

Em 1972, o Atlético não disputou o Robertão e praticamente todo o time do Atlético foi emprestado. Naquele ano, Sicupira foi para o Corinthians. Quando o alvinegro paulista veio jogar aqui contra o Coritiba, parecia um Atletiba. Isso porque toda a torcida atleticana foi torcer pelo Sicupira, tinha 42 mil pessoas naquele jogo.

Sicupira

Sicupira