A queima da documentação do Atlético

Em 1970, o então diretor, ex-jogador de 1932, Canoco, mandou queimar toda a documentação do clube. Dentre aquele material estavam todas as fichas técnicas do Atlético. O prof. Heriberto ainda conseguiu salvar um livreto de 1940 e outro de 1963. Porém, boa parte do material foi perdido. Uma pena não ter havido consciência da importância daquele material para a história do clube.

Além dessa atitude intempestiva do sr. Canoco, o Atlético perdeu muito material na enchente que houve no rio Água Verde em 1963. Material que o Zinder Lins tinha reunido colocando anúncios na Gazeta do Povo na década de 40 pedindo que quem tivesse fotos do clube o procurasse.

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Como Farinhaque assumiu o Atlético

Walmor Zimerman deixou o Atlético em 1989, com 1 milhão de cruzeiros em caixa. Quando Walmor saiu, ninguém queria assumir o Atlético. Estava o Farinhaque conversando com o Fleury na sede administrativa do Atlético.

Quando o Farinhaque disse ao prof. Heriberto:
” — Heriberto, ninguém quer pegar o Atlético.”
O prof. Heriberto dizia:
“– E fulano?”
Ao que Farinhaque respondia:
“– Não, esse não quer saber.”
Aí ele disse:
“– Heriberto, estou aqui falando com o Fleury e ele já concordou. Eu vou ser presidente e ele será vice, você me ajuda?”

O prof. Heriberto concordou em ajudar da maneira que podia. E naquela ocasião, ele recebeu o cargo de Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural do Clube Atlético Paranaense. Na verdade, apenas formalizou o trabalho que ele já fazia pelo Clube, pois já havia dez anos que ele escrevia a história do Clube.

Foi assim que Farinhaque entrou no Atlético, no peito e na raça. Com o dinheiro deixado pela administração anterior e mais o dinheiro que entrou com a promoção de bingões, ele montou o time campeão de 1990.

Jogador coxa na festa do título de 1990?

Os jogadores e diretores atleticanos se reuniram na Pizzaria Porão Italiano para comemorar o título. E na festa de comemoração apareceu um jogador coxa – não era o Berg, como muitos podem imaginar – e sim o Biro-Biro.

Ele era lateral do Coritiba, chegou lá, sentou e festou com os atleticanos. Ele disse que já fazia três meses que ele estava no coxa, não tinha recebido e no dia seguinte estava indo embora pra São Paulo. Como ele era paulista e no time do Atlético tinha vários jogadores paulistas, ele foi festar com eles.

No dia seguinte apareceu a foto do Biro-Biro na Tribuna, na comemoração do Atlético. Obviamente os coxas ficaram revoltados de ver aquilo.

Os elefantes e a maior bandeira (1969)

Em 1969, antes do Atletiba do dia 20 de abril, as torcidas preparavam-se com festa para o clássico. Havia um circo na cidade, e a torcida atleticana, criativa como sempre foi, pegou os elefantes do circo, pintou-os de vermelho e preto e fez um desfile pela cidade.

Neste jogo também surgiu a maior bandeira vista no estado até então, ela tinha 450 m². A festa ainda teve papel picado, talco, fogos de artifício, faixas, bandeiras, fanfarra. Pena, que apesar de toda essa festa, perdemos o Atletiba por 1×0.

É proibido vencer

O professor Heriberto contou sobre a “coincidência” das vitórias alviverdes quando Bráulio Zanotto apitava os Atletibas.

“Em 1973, fui lecionar num colégio no Santa Quitéria, lá eu trabalhava com a sra. Zanotto, esposa do Bráulio Zanotto. Eu sempre dizia pra ele: ‘– Bráulio, com você no apito a gente não ganha.’ E ele simplesmente desconversava.

Nos anos 90, li uma declaração de um atleticano, que ouviu de um árbitro, cuja figura conhecemos bem, que disse: ‘Em data tal, tal, tal, o Bráulio fez um churrasco em sua casa e lá nós decidimos que o Atlético não seria campeão. Já que ele (Atlético) reclamava da gente, dizia que todo mundo era ladrão, ele não seria campeão.’ E assim, o Atlético passou a década inteira sem ser campeão. “

10 anos jogando no Belfort Duarte

O Atlético foi obrigado a jogar no Belfort Duarte durante 10 anos. Inclusive os cronistas atleticanos diziam que não podíamos jogar na Baixada, que não tinha estrutura. Quando o presidente Lück assumiu em 1978, ele decidiu remodelar a Baixada, para que voltássemos a jogar em casa. Até iluminação ele colocou em 1980 para que voltássemos a jogar lá.

O maior problema de se jogar lá, era que o aluguel do Belfort Duarte custava 10% para qualquer clube, menos para o Atlético. Para nós era 16% do borderô. E desta forma, durante esses 10 anos, o Atlético sustentou o Coritiba. Com esse dinheiro eles montaram vários times nas nossas costas, conquistando vários títulos na década de 70.

Atletibas da década de 60

Na década de 60, até chegar 1968, os Atletibas tinham públicos pífios, 1.500 – 2.000 pessoas no máximo. Parecia um jogo sem importância. O Atlético estava em baixa e ninguém ia pro campo.Isso até o Jofre fazer toda aquela revolução que todos conhecem.

A partir disso, foi um negócio fenomenal, casa cheia em todos os Atletibas. Graças ao Jofre, o ano de 1968 foi o divisor de águas do futebol paranaense, que era doméstico até então.