Roberto Costa, um atleticano

“Eu vim na Baixada, foi num jogo contra o Santos, foi quando eu vi a Baixada nova. Naquele jogo que o Washington estava no Atlético, fez um gol de cabeça e ganhamos de 1×0. A gente volta ao passado, lembra o que era a Baixada.”

Círculo de História Atleticana: E qual é a sensação?

Roberto: “É igualzinho, mas dá saudades na gente do que era aquilo, não é Alfredo?”

Círculo de História Atleticana: Hoje quando você o Atlético entrar em campo, na Baixada, te dá um arrepio?

Roberto: “Ah, dá! Eu não penso que eu poderia estar lá, meu tempo já passou. Dá arrepio de ver aquilo lá, ver eles lá dentro.”

Círculo de História Atleticana: Dá vontade de jogar de volta?

Roberto: “A gente se lembra da Baixada que quando chovia tinha que entrar pelo portão do ginásio, aquelas arquibancadinhas de cimento. Cara, é gostoso. Aquela primeira coberta que fizeram aqui do lado esquerdo, trocado, a primeira iluminação que foi no jogo contra a Ponte Preta a inauguração. Essas coisas a gente vai guardando, marcam. E aí depois teve na época do Farinhaque que deu uma recauchutada, aí eu entrei pra um Atletiba de veteranos. E aí depois vim nesse jogo só, mas é uma coisa maravilhosa. E a gente sente (mas também não sinto muito, porque eu não me arrependo de nada) de não poder usufruir a condição que o Atlético da hoje.

O próprio CT, conheço o CT, lá na época era a nossa concentração, o Papa João XXIII, aí hoje aquilo lá é uma potência, a Baixada também, tudo tem seu tempo. Treinamos no PAVOC também, mas lá era pouco treinamento, a gente treinava mais na Baixada mesmo. O PAVOC foi bom de moeda de troca, pro Atlético foi uma coisa excelente.”

Roberto finaliza sua participação no 16º encontro fazendo um elogio à iniciativa do Círculo de História Atleticana:

“Mas é bom isso que vocês estão fazendo, resgatando os ídolos e a história do Atlético. A gente fica contente de ver um negócio desses, de estar aqui.”

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Roberto Costa lembra de um jogo em que dormiu em campo

Roberto: “E tem uma história engraçada, o dia que eu dormi no jogo.”

Alfredo: “Acorda que ele está dormindo!”

Roberto: “Nós perdemos de 2×0 esse jogo.”

Prof. Heriberto: “Também você estava dormindo!”

Roberto: “Acho que o técnico era você, Alfredo!?”

Alfredo: “Não, nesse jogo era o Lori o treinador.”

Roberto: “Estava nascendo minha segunda filha, e o nosso jogo era domingo, às 10h da manhã em Ponta Grossa. E o Atlético estava numa ‘fase boa’ que nós íamos sair às 7 da manhã pra jogar às 10h. E na sexta-feira a minha filha nasceu. E eu fiquei no hospital na sexta a noite toda, aí no sábado de manhã fui treinar, no sábado voltei pro hospital, passei lá a noite toda e saí de lá direto pra ir jogar e viajei.

Chegou no jogo, lembro até hoje, chutaram uma bola lá do meio de campo, era o Guerra. Lembro até hoje, o Guerra chutou a bola ia pra fora, eu dominei e escorreguei, caí no chão e a bola acabou entrando. E nisso o Nivaldo grita: ROBERTO, ACORDAAAAAAAA! Aí virei, o cara pum chutou pra dentro. Sabe quando dá aqueles 5 minutos e você apaga? E apaguei mesmo, apaguei!

Roberto Costa fala do seu estilo de jogo

Círculo de História Atleticana: Fale um pouco do seu estilo de jogo, Roberto.

Roberto: “O que sempre marcou muito era a minha tranquilidade. Eu acho que a colocação também, era um goleiro muito frio. Isso era uma das características que me ajudaram bastante. Eu não era aquele goleiro espalhafatoso, de fazer ponte, eu fazia mesmo quando era necessário. Mas era mais na colocação e na frieza, eu era um cara bem tranquilo.”

Círculo de História Atleticana: Você não era muito alto pra goleiro na época?

Roberto: “Até que na época era, eu tinha 1,85, era uma altura boa pra goleiro. Hoje com 1,85 já não serve mais. Mas a minha característica era a frieza e sair bem do gol.

E relembra uma jogada marcante:

Roberto: “Uma jogada marcante também, e não sei se o Alfredo estava. Você estava naquele jogo contra o América – MG lá que eu dei um chapéu num cara lá”

Alfredo: “Não!”

Roberto: “Eu fui frio nessa, e eu tinha uma certa habilidade. E aí lançaram uma bola, foi em 1979, aí dominei a bola, podia dominar, parar, a bola quicou, e nisso veio o Luisinho, ele veio, a bola quicou, todo mundo gritou: Oh o ladrão! Quando ela quicou, ele veio, só dei um balãozinho, um chapéu e segurei.”

Roberto Costa fala sobre os problemas financeiros que o Atlético enfrentava na sua época

Círculo de História Atleticana:  Quando você chegou ainda havia problemas financeiros no Atlético?

Roberto: “Ah, sim. Em 1978 teve. Teve uma época que o presidente era o Lück. Nós íamos fazer uma viagem pro Mato Grosso, no Brasileiro, nós reunimos os jogadores, fazia 4 meses que não recebíamos. Nós perdemos de 1×0 lá. Fazia 4 meses que não recebíamos. Reunimos os jogadores, dissemos, nós não vamos viajar, aí deram uma solucionadinha, aí prometaram que depois pagavam. Aí deram um valezinho pra deixar em casa, aí a gente viajava.”

Alfredo Gottardi Jr: “Era pior se não viajasse.”

Roberto (continua): “Ele (Lück) era uma grande pessoa coitado. Eu acho que o pessoal daquela época sofreu muito mais que hoje. Hoje pra você dirigir um time é fácil. Antigamente era difícil.  O Clube vivia de venda e associados. Hoje tem cota, patrocínio na camisa. Hoje tem a Umbro, no nosso tempo a gente tinha que comprar a camisa. Eu mandava fazer as minhas camisas, com a MR, porque as camisas que vinham eram horríveis.”

Roberto Costa fala sobre o início do trabalho de Carlinhos Neves no Atlético

“Até se falando dos atletas, a condição que se tem hoje é muito diferente. Em 82/83 a nossa condição melhorou com a chegada do Carlinhos Neves, esse foi um cara que mudou muito a preparação física do Atlético, a filosofia. Mais ou menos o que é visto hoje, ele fazia naquela época. Se tinha uma ideia que o jogador tinha que treinar, treinar, e não era treinar. Hoje é jogou, no dia seguinte descansa. E ele começou a fazer isso, a mudar. Tinha jogo, no dia seguinte ele falava, quem jogou hoje vamos por um chinelinho, não é Alfredo? Vamos relaxar. Começou a mudar a mentalidade e isso foi importante. Fiquei feliz de saber que ele foi pra Seleção, foi um cara que surgiu aqui no Atlético, um cara muito bom, excelente.”

Roberto Costa fala da sua técnica para pegar pênaltis

Círculo de História Atleticana: Você pegava bastante pênalti?

Roberto: “Pegava, peguei bastante pênalti.”

Círculo de História Atleticana:  Você tinha alguma técnica?

Roberto: “Jogador que bate de pé direito, o cara que bate forte, a tendência dele era bater no seu canto direito. Quando ele bate colocado é mais difícil. E o que bate forte de pé esquerdo, a tendência era ele colocar no seu canto esquerdo. Então você via mais ou menos a posição dele, o jeito dele correr pra bola.

Muitos jogos que eu peguei pênalti foi contra o Londrina, sempre tinha pênalti contra eles. E apitando, Afonso Vitor de Oliveira, que gostava da dar um pênalti contra o Atlético. E eu sempre pegava. Eu gostava de pênalti, a obrigação é do atacante.”

Roberto Costa fala dos adversários

Círculo de História Atleticana: Tinha algum atacante que fosse seu desafio?

Roberto: “Aqui no Paraná? Não! Quando jogava contra o coxa era o que eu mais gostava. Se for ver os jogos contra o coxa que eu joguei, foram sempre as melhores partidas que eu fiz e eu sempre ganhava prêmio. Em 82 e 83 nós ganhamos do Coritiba, ganhávamos a hora que queríamos. Eu nunca tive medo de jogar contra eles, eu sempre gostava, era o melhor jogo que tinha, o clássico. E na época, a gente adorava jogar no Couto Pereira, era o salão de festas, a gente só queria jogar lá, no salão de festas.”

Círculo de História Atleticana: Contra o Colorado então, não dava nem graça?

Roberto: Colorado coitado, era nosso freguês eterno. Lembrando aquela do Ziquita, inesquecível.

Círculo de História Atleticana: Você já estava no Atlético?

Roberto: Já, estava no banco.

Círculo de História Atleticana: E fora do Paraná?

Roberto: “Não era tremer, nem nada, mas contra o Atlético Mineiro aqui, nós perdemos de 2×0. Eles tinham Nelinho e Éder pra bater falta, era brabo. Um de lateral direito, outro de ponta esquerda. Tinha faltava e os dois ficavam na bola, você não sabia o que fazer. Aí eu lembro até, nós tomamos um gol de falta. O Nelinho estava, o Éder veio, e deu uma cacetada e a barreira abriu. E o Hélio Alves falava, não abre a barreira, tem medo da bola não vai ser jogador. E a Gazeta do Povo, tirou uma foto, tinha quatro na barreira, quando o Éder bate tinha um atrás do outro. Primeira coisa que o Hélio Alves fez no outro dia foi mostrar a foto e dar uma bronca.”