Nilson Borges por Alfredo Gottardi

Alfredo fala de Nilson Borges com quem jogou no Atlético.

“O Nilson jogava MUITO, mas muito mesmo. Ele só não fazia chover. Uma vez ele deixou um cara grudado na bandeirinha de escanteio. Ele tinha uma puxada de bola, uma habilidade pra puxar a bola, e ele colocava a bola onde ele queria.

O Nilson é destro, mas de tanto treinar chutar com a esquerda ele virou canhoto. Nilson era um grande jogador.”

Alfredo fala da lesão no joelho que afastou Nilson Borges dos gramados.

“Foi uma maldade que fizeram com o Nilson, na época ele estava emprestado. Eu fui emprestado pro São Paulo, o Sicupira pro Corinthians e o Nilson pro Bahia. Ele entrou no segundo tempo, ele deu um drible no Denilson (do Fluminense), que foi cortar e deu no joelho dele. Ele operou e não teve como voltar a jogar.”

 

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Alberto Gottardi

Alberto Gottardi

Alberto jogou no Atlético de 1928 a 1933, quem o viu jogar diz que foi o melhor goleiro que passou pelo Atlético. Melhor até mesmo que seu irmão mais novo, Caju, que o substituiu.

Além de um grande goleiro, Alberto foi um grande atleticano, dedicou toda sua a vida ao Atlético Paranaense. Começou como goleiro e quando parou de jogar, passou a cuidar da roupa do time e do gramado, era roupeiro e jardineiro. Trabalhou no Atlético até morrer, morava do lado da Baixada, vivia pelo Atlético.

Uma das histórias mais curiosas que envolve Alberto Gottardi é o cuidado que ele tinha com o gramado. Certo dia, após um dia inteiro de chuva, o time chegou pra treinar e encontrou o campo da Baixada fechado. Os jogadores foram bater na casa de Alberto pedindo pra que ele abrisse o campo. E ele foi curto e grosso: “Hoje não vai ter treino. Choveu ontem e hoje ninguém pisa no gramado!”

Como não adiantava tentar discutir com Alberto, os jogadores foram procurar o presidente do Atlético, que mandou chamar Alberto para lhe ordenar que abrisse o estádio para que o time pudesse treinar. Mesmo assim, ele não quis nem saber e disse ao presidente: “O senhor manda no Clube, no campo mando eu! E hoje não tem treino!”

Não teve jeito, o time foi pra praça treinar, mas no gramado da Baixada ninguém pisou.

De 1933 até 1979 Alberto Gottardi cuidou do gramado da Baixada como ninguém, além de cuidar das roupas dos jogadores, lavava e deixava tudo em ordem para que o time pudesse treinar e jogar. Como se não bastasse, em 1967, junto do irmão Caju comandou a reforma de ampliação da Baixada. Eles colocavam a mão na massa, assentavam tijolos e comandavam os pedreiros.

Junto dele estavam sempre seus filhos, que também jogaram no Atlético. Rui, o mais famoso deles, era o meia-direita do Furacão 49. Rui era um meia ofensivo que marcou 65 gols jogando como meia. Aldir, jogou como meia nos anos 60, hoje é enfermeiro. E Almir, ponta-esquerda que não chegou a ser profissional.

Cireno e Nilo falam do seu trabalho fora do Atlético

Os jogadores daquela época não viviam do futebol, eles trabalhavam e estudavam além de jogar futebol. Grande parte eram funcionários públicos e tinham licença para sair para treinar e jogar.

Cireno conta como foi trabalhar na Caixa Econômica:

“Joguei 10 anos no Atlético e depois eu parei. Cheguei com 19 anos e parei com 30.

O Furacão me deu um monte de coisas, ALEGRIA. Jogando no Atlético eu fiquei gente. O grupo que o Atlético tinha, as pessoas que dirigiam o Atlético. Vou contar um pouquinho, devagar, mas vou contar umas coisas e vocês vão ver o que é o Atlético.

O Atlético tinha pessoas importantes, telefonavam pra um, telefonavam pra outro, quando via, a cidade inteira atleticana sabia das coisas. Não levou cinco minutos me arranjaram um emprego na Caixa. Era pra estagiar, porque a Caixa não aceitava funcionários sem fazer concurso. Eu fiquei 10 meses estagiando lá na Caixa, foi quando terminou a guerra, eu estava no exército, o Atlético já tinha me arranjado dois empregos, o primeiro na Nicolau Mäeder.”

Nilo Biazetto complementa:

“Eu fiquei muito feliz com a palestra do Cireno Brandalize, meu amigo, meu companheiro. Quando ele veio de Ponta Grossa eu já estava no Atlético, eu me lembro, ele era um menino, mas um menino travesso. Mas era um respeitoso, ele estudou muito, ele se formou em Direito, depois ele trabalhou na Caixa Econômica, graças ao Jofre Cabral e Silva.”

Nilo Biazetto conta da sua infância e do seu trabalho no Banco:

“Quando entrei no Atlético Paranaense eu era um simples filho de um homem que era carteiro dos Correios e que morava aqui no Ahú. Eu andei aqui nessa região* , eu andei descalço nessa rua, com uns 12 ou 13 anos. Eu não tenho vergonha de dizer, porque graças a Deus eu tive um bom pai e uma boa mãe que me ensinaram o caminho. E graças aos amigos e a sociedade que eu frequentava que era o Atlético Paranaense.

Eu saía do banco, umas 4 horas da tarde e ia treinar no Atlético às 5 horas e treinava até anoitecer, voltava e tinha o sr. Otávio de Andrada Coelho, me pegava na porta do Atlético Paranaense e me deixava na porta do Plácido e Silva, que era a faculdade da época. Ele dizia: ‘Nilo se você estudar, você vai ser como eu, se não estudar você vai ser um vagabundo como os outros.’ E eu aprendi essas coisas.”

* Nilo Biazetto se refere à rua Mateus Leme onde o encontro foi realizado.

O terceiro jogo da final de 1945

O terceiro jogo foi no campo do Coritiba, no dia 30 de dezembro de 1945 e terminou empatado em 1×1. Na prorrogação o Atlético venceu por 1×0 sagrando-se Campeão Paranaense de 1945.

O primeiro gol do jogo – Coritiba 0x1 Atlético

“O Fedato foi dar uma rebatida de bola, a bola bateu no calcanhar dele e encobriu o goleiro, 1×0 pro Atlético.”

Lilo se machucou

“O Lilo ia dar uma paulada, ia chutar lá não sei aonde, não sei se era pra mim ou pro Xavier, ele na meia-direita, aqui no nosso campo. E o cara chegou meio ligeiro e deu uma solada no Lilo. Ele carcou, caiu e não pode mais andar. A gente ia ficar com dez e os outros pediram pra ele continuar. E ele ficou, heroicamente, mesmo sem poder andar e com dor. Puseram umas pomadinhas lá, mas não adiantou, ele não podia andar de tanta dor. Tiveram que tirar o Lilo no intervalo. E ele nós peleando aqui.”

O empate – Coritiba 1×1 Atlético

“Com a saída do Lilo, eles empataram, 1×1. O jogo estava duro, eles queriam tomar conta. E nós com um a menos nos fechando um pouquinho. O tempo ia passando, nós com um a menos já estávamos cansados.

Então o Joaquim, o Jackson, o Lolô, o Lilo e eu, esses cinco, pegávamos a bola e íamos tocando. Eles (o Coritiba) nos forçaram bastante e nós tínhamos que dobrar um pouco a velocidade e a corrida. O time deles também seguia feito louco e nós tocávamos a bola, eram dois times iguais.”

A prorrogação

“Lá pelas tantas, o Augusto deu a bola pro outro, o Xavier estava meio adiantado, o outro deu uma de primeira pro Xavier que pregou-lhe o pé na estrada. E quando chegou um pouco pra frente da linha média e o goleiro deles já tinha saído até a linha da frente da área. O Xavier saiu um pouco de lado e pregou dali no gol.

E a bola no gramado, o gramado era assim… meio ondulado… e a bola fazia assim… na direção da trave… uma hora tava rolando pra sair pra fora.. tava rolando pra ir pra dentro, tava rolando pra ir pra fora, tava rolando pra ir pra dentro… de repente começou a diminuir, putz, não vai chegar… entrou pra dentro, morreu, gol. 1×0 para o Atlético.

Mais seis ou sete minutos acabou a prorrogação. Atlético Campeão!”

Cireno complementa falando da função do ponta:

“Foi o campeonato de 45, essa foi uma das partidas que eu me esforrei. Era duro jogar contra esses caras, a única maneira que eu tinha de passar desses caras, porque a obrigação dos pontas era levar a bola lá dentro da área. Fazer gol ou arrumar a bola pra quem faz, essa era a obrigação de um jogador de ponta. E quando apertassem demais, ir ali do ladinho da área e botar a bola na cabeça de um parceiro que está dentro da área. E o meia direita, e o centro-avante e o lateral que às vezes subia, então estava mais aberto lá, então você tinha que colocar a bola na cabeça de um deles. E não centrar dali e soltar a bola do outro lado, lá.

O cabra tinha medida no pé. Porque batia daqui ali, era uma coisa, bati daqui lá era outra. Da lateral da área, outra coisa.”

Como Cireno fez para ganhar o Atletiba de 45

Cireno Brandalize era conhecido por ser um grande jogador, mas também por ser muito espirituoso. Era um jogador inteligente.

Vejam o que ele fez para que o Atlético vencesse o segundo Atletiba da final do Campeonato de 1945.

Nas palavras de Cireno:

“Mas aí, eu pensei: ‘Que adianta, já já o Neno vai lá e faz um gol de novo.’ O Neno era fogo.”

Nesta hora o prof. Heriberto comenta:

“Mas ainda bem que acabou logo a partida e ficou 5×4 pra nós.”

E Cireno retruca:

“Mas peraí, a história agora é que vai ficar bonita!”

E continua:

“Eu ganhei bastante jogo, não foi só um que eu ganhei. Eu ganhei bastante, mas tem muitos que ninguém sabe da metade da missa, e eu nunca conto. Vou contar por quê? Vão dizer que eu sou mascarado, um boçal, um palhaço, estou contando porque estou aqui numa reunião… sei lá, estou ficando velho, daqui uns dia eu vou embora mesmo. E conto o que eu bem entender.”

Cireno conta como tirou Neno do Coritiba do jogo:

“Eu pensei: ‘Se eu tirar o Neno, eu ganho o jogo.’ E o juiz estava na entrada da área e o Neno ali do meu lado. E eu fui lá e disse pra ele: ‘AÊ BOI!’

(Chamar o Neno de Boi era mesma coisa que tirar o gorro do Belo.)

E o Neno me agrediu. E eu disse: ‘Aê Boi, não adianta você fazer gol lá porque eu faço lá, você sabe que eu faço mesmo, estou fazendo, fiz agora, está 5×4 e não tem mais quem ganhe o jogo.’ Ele veio e me deu um soco, eu saí fora. Ele me chutou, eu saí fora. E eu: ‘ÊEE BOI’.

O juiz chegou apitando: ‘Neno está expulso!’ Aí o juiz me diz: ‘E o sr. Cireno, também pode ir.’ E eu disse: ‘Mas seu juiz, o cabra quase me mata, me deu um soco se me acerta a cabeça, onde estava minha cabeça essa hora? E o chute? Quase me quebra as duas pernas. O juiz disse: ‘É! Mas você veio aqui provocar, você não tinha nada que vir aqui provocar ele. Está expulso, pode ir embora e não tem conversa.’”

A discussão do Capitão Manoel Aranha com Cireno

“E eu fui (pro vestiário). Naquele tempo, o refrigerante no jogo de futebol, era laranja descascada, com aquela parte branca por fora e tirava uma tampinha e chupava. Quando eu passei na frente (da torcida), vejam o que eu fiz (pra ganhar o jogo), vocês não estão que nem idiota? Porque torcedor de futebol lá dentro do campo quando o troço está pegando fogo é tudo idiota! Ficam não sei o que… Qualquer coisa que entra na cabeça do cabra. Será o que eu fiz? Fiz! A arquibancada inteira me alvejou com aquelas bolinhas.

‘SEU VAGABUNDO, FILHA DA MÃE, FILHO DO PAI.. NÃO SEI O QUÊ… SEU SEM VERGONHA É PRA ISSO QUE O CLUBE TE PAGA?’

E eu saí, de cabeça baixa. Quando cheguei no portãozinho, o presidente do Clube, Capitão Aranha, um baita de um homem, me diz: ‘É pra isso que o clube te paga, seu vagabundo?’

Aquilo me deu uma dor, uma dor que vocês não imaginam. Faltava 6/7 minutos pra acabar o jogo. Fui lá, tomei banho e tomando banho, pensava, será que vou pro Corinthians ou vou pro Vasco? Porque eu tenho duas chances pra ir. (Eu tinha estado no Corinthians, fiquei um mês treinando no Corinthians, quando cheguei aqui. E tinha estado no Vasco com os escoteiros lá em 39, o Vasco também quis ficar comigo me dava tudo que eu quisesse, eu é que não quis sair de casa, da casa dos pais. Estava no 3º ou 4º ano do Ginásio.”

O pedido de desculpas do Capitão Aranha a Cireno

“E eu estava lá me enxugando, quando eu escutei um baita de um barulho. Pensei, será que acabou ou alguém fez gol?

Já tombaram na porta, o segundo a entrar foi o Capitão Aranha, já me abraçou, me abraçou, chorou, pediu desculpas, e disse: ‘Eu vou parar com futebol porque eu não posso perder a linha como eu perdi hoje com você. Um homem em sã consciência não diz o que eu disse pra você. Você ganha o jogo e eu ainda te esculhambo, te chamo de vagabundo, vou parar!’ E parou.”

Prof. Heriberto complementa:

“Pediu demissão, logo depois, na hora da festa ele apresentou o pedido de renúncia dele.”

Cireno continua:

“Ganhamos de 5×4, depois fomos jogar a última lá em cima.”

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Confiram a história acima na voz de Cireno Brandalize:

Cireno, cobrador de faltas

Cireno conta que certa vez foi cobrar uma falta, mas errou a cobrança e a bola foi parar no segundo andar, lá no ginásio. Obstinado que era, depois daquele dia ele passou a treinar a cobrança de faltas, e em todos os treinos procurava bater uma três ou quatro faltas.

Batia da risca da área, dois ou três metros pra fora da área. Quando a falta era do lado direito do campo, Cireno jogava o corpo para a esquerda chutava com o pé direito, mas no canto esquerdo. Quando a falta era do lado esquerdo, ele jogava o corpo para a direita e chutava com o pé esquerdo no canto direito. Desta maneira ele enganava o goleiro e procurava sempre acertar no ângulo.

Assim, Cireno ficou especialista em cobranças de faltas. Ele sabia como bater para que a bola entrasse. Cireno afirma que bateu 9 faltas na sua vida esportiva, errou a primeira, mas as outras 8 foram convertidas em gol.

Ele nos contou como foi a primeira falta que cobrou após ter errado aquela cobrança.

“O primeiro, eu errei e chutei lá no ginásio e não bati mais. Até que veio um jogo contra o Caxias. O Atlético perdia por 2×0 e o Caixas fez uma falta na meia-direita, fora da área e eu disse que ia tentar. Pensei, todo mundo chuta fora, se eu errar também não vai acontecer nada. Pus a bola ali e o goleiro fez a barreira ali, bem do jeito que eu queria. Pensei, chuto por fora da barreira lá no cantinho, eu faço. E o goleiro ficou lá, porque eu era ponta-esquerda, ele pensou que eu fosse chutar lá no cantinho. Ele fechou aqui e ficou lá. Eu fiquei de frente pra bola, mas não mostrando como eu ia bater.”

Cireno abre um parênteses falando de como são as cobranças de falta e de escanteio nos dias de hoje:

(“Porque hoje vão três jogadores, um vai bater com o pé direito, outro com o pé do centro e outro com o pé esquerdo, ficam três cercando a bola. Ao invés de colocar mais um dentro da área que se a bola sobrar é gol. Quanto mais gente tiver dentro da área, maior é a chance de fazer o gol. É quem nem corner quando têm 4 ou 5 cabeceadores, corner é um perigo, 50% é gol. Porque tanto faz, a oportunidade surge pra qualquer um.”)

Então ele volta a falar da falta que cobrou contra o Caxias:

“Então eu fiquei ali e ele ficou lá, fiquei sozinho ali e chutei direto na bola, o goleiro não estava esperando, ele pensou que porque eu era ponta-esquerda que eu ia bater de pé esquerdo. Quando o juiz apitou, eu saí pro lado esquerdo e bati com o pé direito e a bola entrou, o goleiro quase chegou na bola, mas ela entrou. Nessa hora, pensei: Eita, eu sou batedor de falta.

Deu mais uns 15 minutos, mais uma falta, só que do outro lado, na mesma posição da trave. Não tive dúvidas, peguei a bola e pus ali, eu já tinha feito um e ninguém reclamou. O juiz apitou, dei o passo com o pé direito e chutei com a esquerda, no ângulo. O alemão (goleiro) nem foi na bola, 2 gols, empatamos. Eu já fiquei bem feliz. Já no finalzinho do jogo, todo mundo acomodado com o 2×2. De repente, um bate-não bate, bate-não bate, uma bola bateu aqui, pensei, o que é que eu faço, pulei lá em cima, bati com o pé esquerdo no ângulo, fiz um GOLAÇO (enfatiza). E ganhamos o jogo por 3×2.

Foi assim que eu me tornei batedor de faltas.”

O início da carreira de Cireno

A infância de Cireno

“Eu era um guri, lá da cidade de Rio Uruguai (perto de Ponta Grossa), com dez anos fui morar em Marechal Mallet e lá eu jogava bola com a piazada. Tinha quatro times lá: o do Colégio dos padres, o dos Polacos, o do pessoal da Estação e outro lá. A gente jogava uma bolinha de meia e um senhor lá de Mallet, seo Francisco Auritio, nos viu brincando perto da linha da estrada de ferro da Estação. Ele perguntou pra um pessoal lá quem era aquela gurizada. Disseram pra ele que era a piazada da cidade. E ele resolveu dar uma bola de couro pra nós.

Nós estávamos em cinco guris, a gente tinha voltado do rio, nós tínhamos treinado e fomos tomar banho no rio. A piazada era batuta, tinha filho de turneiro e guarda-chaves (que trabalhavam na Estação Ferroviária) e mais uns guris do hotel que iam pegar mala na Estação.

Então, um dia ele apareceu com uma bolinha de couro nº 3, daquelas com costura ainda. Ele levou a bola vazia, até que eu consegui um cabo de bicicleta daqueles que tinha um biquinho pra encher a bola. Vocês tinham que ver a festa que a gurizada fez.”

Cireno jogador do Guarani de Ponta Grossa

“Com 14 anos eu fui morar em Ponta Grossa. Um dia eu estava jogando lá num campo aberto, onde eu vivia jogando e passou um rapazinho, meu colega, ele me disse: ‘Por que você não vai treinar no Guarani?’ Eu disse: ‘Mas eles não deixam.’ Ele disse: ‘Se você for comigo, eu sou do juvenil, eles deixam, vamos lá.’ Eu disse: ‘Então vamos.’

Eu fui lá, treinei, gostaram. E assim eu fui treinando no Guarani, deu uns 10 – 15 dias eu já era ‘dono’ do Guarani, eu já era o capitão do time e o guarda-bolas do juvenil. O seu Pilato era o center-half do time, um baita de um senhor, ele puxava madeira com um caminhão, forte, e jogava bola que vocês precisavam ver. Guardava a bola ali no meio mais do que vinte cachorros, ninguém passava por ele. Ele disse que ia me nomear o guarda-bola do 1º time. Disse que eu teria que engraxar a bola, passar um sebinho. Eu perguntei: ‘Mas onde é que eu arrumo o sebo?’ Ele disse: ‘Isso aí você tem que se virar.’ Mas depois ele disse: ‘Você vai lá no açougue tal que eles te arrumam.’

Eu ia lá e ficava olhando o primeiro time do Guarani treinar. E era longe da minha casa, dava uns 3km. De repente faltava um lá, e ele gritava: ‘CIRENO!’ Depois mais tarde me puseram um apelido lá, mas eu não vou dizer o apelido. Ele dizia: ‘Ô, Fulano! Cireno, o ponta-direita não veio.’ E me colocavam pra jogar. E assim ia, faltava um meia-direita, eu jogava. Centro-avante, meia-esquerda, e eu ia entrando no time em todas essas posições. E estava treinando já fazia um bom tempo, eu treinava mais na ponta-esquerda do segundo time. Eu treinava e jogava com o juvenil, mas treinava com o profissional também. Treinava a semana inteira.”

E foi assim que Cireno tornou-se jogador de futebol. Logo em seguida ele veio para o Atlético.